Portugal tem novo presidente: a abstenção

Margarida Vaqueiro Lopes

25 Janeiro 2016 | 10h43

Ontem, dia 24 de Janeiro, eram 20h00 aqui em Lisboa – portanto, 18h00 aí em São Paulo – quando Portugal descobriu o nome do novo Presidente da República, que deverá tomar posse em Março próximo. Marcelo Rebelo de Sousa, candidato de direita, foi eleito no primeiro turno, com 52% dos votos, e deixando o segundo candidato mais votado bem longe: António Sampaio da Nóvoa, apoiado pela esquerda, só conseguiu 22.89% dos votos.

O resultado não foi surpreendente – houve apenas algumas surpresas na quantidade de votos que conseguiram outros candidatos mais “pequenos”, como o caso do independente Vitorino Silva, que com 3,28% dos votos quase igualava o candidato do Partido Comunista, Edgar Silva (3,95%). Maria de Belém, uma outra candidata apoiada pela esquerda – com uma vida política ligada ao Partido Socialista há muitos anos – não passou dos 4,24%, tendo sido a grande derrotada da noite. Na verdade, depois de quase 15 anos como comentarista num dos programas mais vistos da televisão portuguesa, seria difícil Rebelo de Sousa não levar essa eleição limpinho.

Mas enfim!, o que importa, na verdade, nessas eleições, é que foi a abstenção quem realmente ganhou a noite eleitoral: 51,16% dos eleitores portugueses não foi às urnas para escolher o Presidente da República. Isso significa que Rebelo de Sousa é o primeiro presidente da História eleito com menos votos. Esse Domingo, as urnas portuguesas registraram a terceira taxa de abstenção mais elevada da história da democracia (iniciada a 25 de Abril de 1974). Nas últimas eleições comparáveis, que aconteceram há quatro anos, a abstenção foi ainda maior: 53,5%, segundo dados compilados pela Pordata.

Já nas eleições legislativas – onde a gente escolhe o Governo e consequentemente o primeiro-ministro – a abstenção tinha atingido o valor ridículo de 43,07%, o valor mais alto de sempre. E eu não consigo deixar de perguntar: quando é que as pessoas vão entender que não é boa ideia deixar os outros decidirem a vida por elas? Eu sei que há quem acredite que não indo votar estão protestando – errr..tá bom, então – mas a verdade é que esquecem de que não indo votar, só estão permitindo que um número cada vez mais pequeno de cidadãos decidam por eles. A nossa democracia tem pouco mais de 40 anos. Será que em tão pouco tempo já esquecemos de como o voto é uma arma, a única arma, que temos contra esses políticos de que a gente não gosta?


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