Vhils dissecando em Lisboa

Margarida Vaqueiro Lopes

06 Setembro 2014 | 11h34

Escura e barulhenta. A primeira impressão da exposição é essa mas a verdade é que de repente, Vhils no faz entrar numa cidade imaginária que nasceu no Museu da Eletricidade esses dias. Portas, isopor, papel, metal, parede…tudo é matéria-prima para Alexandre Farto, o português que se tornou conhecido assinando como Vhils – vocês podem encontrar trabalhos dele no Morro da Providência, no RJ. São bem fáceis de reconhecer.


No entanto, se a passagem que tem na mão é para a Europa e não para o Rio, por favor não deixe de visitar a exposição que até 5 de Outubro está patente no Museu da Eletricidade, em Lisboa. Para além de o museu ficar bem junto do rio, num lugar super bonito, essa exposição está realmente bem conseguida. E é a primeira exposição individual que ele faz aqui. Ah, e é gratuita!! Se ainda não conhece esse artista, deixa eu tentar explicar para você um pouco do que ele faz. Vhils começou por ser um graffiteiro. Depois, ele foi se aperfeiçoando e utiliza atualmente uma “linguagem visual única com base numa estética do vandalismo derivada do seu background na pintura de graffiti”, explica o próprio artista nas suas notas biográficas. Ele esculpe rostos em paredes ou portas, faz aparecer frases e palavras nos muros das cidades, grava placas de metal, esculpe em isopor…

 

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Vhils_Museu da Eletricidade

 

Na verdade, ele utiliza uma linguagem bem própria que faz com que todas as suas obras sejam facilmente reconhecidas. Mesmo somente andando em Lisboa você vai se cruzar com algumas das obras desse artista.

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Vhils_Exterior do Museu da Eletricidade

 

Eu demorei um tempo para ir até ao Museu, e consegui escolher um dia em que choveu bastante aqui em Lisboa. Mas a verdade é que até na chuva o trabalho dele tem algo de mágico. Você não consegue tirar os olhos da forma como ele utiliza as paredes – no caso – para fazer aparecer esses rostos absolutamente maravilhosos. A exposição está aberta ao público de terça a Domingo, das 10h às 18h00. A minha sugestão é que, depois de visitar o museu, você não perca a oportunidade de continuar olhando o rio por mais um tempo: pertinho de lá  – uns 15 minutos a pé, pela margem do Tejo – você vai achar um pequeno bar chamado ‘À Margem’ onde poderá comer uma refeição leve ou tomar apenas um suco ou uma taça de vinho. O edifício é um quadrado de vidro gigante, pelo que a vista será panorâmica. Pergunte no Museu onde fica e eles lhe darão indicações.

 

Quanto custa? Nada. A exposição é  de entrada livre.