Viajar por Portugal [na memória] || Quinta de Ventozelo

Viajar por Portugal [na memória] || Quinta de Ventozelo

Margarida Vaqueiro Lopes

13 de julho de 2020 | 20h22

Um dos últimos lugares onde estive antes de o Grande Confinamento começar foi na querida Quinta de Ventozelo, em pleno Douro Vinhateiro. Já publiquei várias fotografias do lugar no Instagram do Sambando em Lisboa, porque é realmente um lugar com uma energia maravilhosa, e onde me sinto em casa sempre que tenho o privilégio de a visitar.

 

É uma das maiores e mais antigas quinta do Douro, e já entrei lá de barco (que experiência incrível) e de carro, já me perdi nos trilhos, já me encantei no museu – inteiramente dedicado à história da Quinta, do Douro e do Vinho do Porto –, já tomei muito vinho debaixo do salgueiro gigante com vista para o rio Douro e já sonhei muito olhando pelas janelas de Ventozelo.

Lá se adormece ao som do silêncio, com as estrelas bem visíveis e com o ar puro enchendo os nossos pulmões, o que nos embala num sono tranquilo e sem sonhos. Ventozelo foi recuperada pelo grupo francês Gran Cruz, produtor de vinho do Porto (Porto Cruz, d’Alva…) e agora também de vinhos de mesa como os Ventozelo (monocastas e blends) e os Azul de Ventozelo.

Almoços em Ventozelo.

Mas a Quinta de Ventozelo quer se afirmar também como um lugar que recupera o que o Douro tem de melhor. Assim, para além de ter retomado muito terreno para vinhas, a Quinta é hoje um lugar onde se plantam vários legumes, ervas aromáticas, crescem oliveiras e se multiplicam árvores de fruto. E o melhor? Os hóspedes de qualquer um dos 29 quartos que agora estão disponíveis para alojamento podem participar em atividades como pegar os legumes da terra, ou até em workshops de cozinha.

Da terra para a mesa.

O restaurante de Ventozelo, dirigido pelo chef Miguel Castro e Silva, traz para a mesa uma série de sabores tradicionais da região e de Portugal que são uma autêntica viagem sensorial. Como sempre, o chef consegue trazer os melhores ingredientes, tirar deles o melhor saber e oferecer refeições simples, delicadas e que nos fazem engordar muito mais quilos do que aqueles que seriam saudáveis (mas um dia não são dias, não é mesmo?).

E este pequeno-almoço incrível?

E se no inverno um dos melhores programas é tomar um gin de Ventozelo junto da lareira, para enfrentar o gélido tempo das encostas do Douro, no verão os cocktails ou aquele copo de vinho podem [e devem] ser tomados na piscina de beiral infinito, com o azul do céu e as encostas no horizonte.

Lareira de Ventozelo.

 

A piscina de beiral infinito.

Ventozelo é um lugar com uma energia muito especial, conseguida sobretudo pelas pessoas tão queridas que nos recebem desde o primeiro momento e que nos guiam pela História daquele lugar. E, na verdade, é realmente um dos primeiros lugares onde eu gostava de regressar depois de tudo isso acalmar. As portas do alojamento já reabriram, com todos os selos de qualidade necessários, e com todos os cuidados para que nada aconteça aos hóspedes que optarem por visitar a Quinta.

Espero que um dia também vocês possam visitar Ventozelo.

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