Como é morar em um cartão postal?

Como é morar em um cartão postal?

Daniel Ribeiro

31 Março 2016 | 00h44

O TripAdvisor divulgou a lista de destinos preferidos dos viajantes em 2016. Além dos lugares mais bem cotados pelos usuários no mundo, há uma lista do Brasil. Minha ex-casa ficou em quinto lugar. O Copan é um edifício no centro de São Paulo projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer onde já chegaram a morar quase 5 mil pessoas. Atualmente a média são 2 mil nos 1160 apartamentos. O prédio tem forma de onda e é um dos principais cartões postais da cidade.

Foto: Felipe Araújo/Estadão

Foto: Felipe Araújo/Estadão

Eu morei por um ano e meio em uma quitinete lá e todas as vezes que alguém descobria isso, me perguntava “Como é morar lá?”. “Normal, ué”, eu respondia. Claro, o prédio, que é o maior residencial da América Latina, tinha suas peculiaridades e vivia cheio de turistas. Não teve um dia que eu não saísse de casa sem encarar algumas câmeras fotográficas apontadas lá para casa.

Morar em um cartão postal é esquisito, sim. As pessoas querem ir na sua casa, mesmo que não exista muita intimidade entre vocês. O bom disso é que as pessoas querem ir na sua casa e uma coisa leva à outra. Morar no Copan era meio caminho andado na sedução. Ás vezes era até um pouco chato. Risos.


O edifício fica em frente à Love Story, casa noturna muito tradicional e sempre lotada. Ou seja, sempre que eu saia de casa encontrava pessoas felizes: turistas de dia e gente que foi para balada à noite.  Além disso, as atas da reunião de condomínio eram fantásticas, olha o trecho de uma delas:


“Que o astronauta André Kuipers avistou os contornos do Copan do espaço e curioso buscou informações e veio nos conhecer. O sr. Síndico destaca inicialmente que recebemos visitantes de 47 países, muitos pela primeira vez num total de 5.245 pessoas. Que recebemos visitas para realização de reportagens de TVs de Angola, Portugal, Japão, entre outras. Mostra também revistas nacionais e internacionais com reportagens publicadas na Alemanha, em Portugal e outras, inclusive Singapura. ”


O interesse pelo prédio não é só por parte dos turistas. Muita gente fica meses e até anos esperando vagar algum apartamento por lá. Há uma interessante comunidade de artes que eram meus vizinhos. Antigamente já tinha essa atmosfera, o Plínio Marcos chegou a morar lá.

Aos domingos, a calçada fica cheia de gente, muitas esperando lugar no concorrido Bar da Dona Onça, sempre cheio e com pratos deliciosos. Se não tiver tempo, ou dinheiro, para tanto, tome pelo menos um expresso no Café Floresta. Dos pontos negativos, eu destaco a curva que tinha no meio da minha cozinha. Era impossível comprar um armário pronto em uma loja dessas populares para colocar em uma parece semicircular.

Assim é morar num cartão postal. Bem normal, no fim das contas.

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