Cozinhando em alto mar: as viagens de Eudes Assis

Cozinhando em alto mar: as viagens de Eudes Assis

Daniel Ribeiro

19 Maio 2016 | 13h57

Comer a comida local é uma experiência considerada obrigatória para os turistas. Algumas viagens são inteiramente planejadas por roteiros gastronômicos e essa modalidade de turismo é uma das mais populares em todo o mundo. Os chefs de cozinha mais renomados do mundo têm o hábito de misturar influências e encontrar rimas de várias partes do mundo para ingredientes locais.

Eudes Assis no Canal de Corintos, na Grécia.

Eudes Assis no Canal de Corintos, na Grécia.


Nascido no litoral, o chef Eudes Assis é considerado por muitos críticos de gastronomia o melhor em cozinha do mar. Além da inspiração materna quando ainda era criança, foi viajando que ele se tornou o profissional que é hoje. Eudes passou cinco anos trabalhando na cozinha de um iate.

cozinhando no barco pelo mundo

O chef nos tempos em que cozinhava em um iate. A experiência durou cinco anos e ele passou por 26 países. Foto: Arquivo pessoal

Ao mesmo tempo em que teve a oportunidade de conhecer 26 países, houveram dificuldades, como o espaço limitado e a hierarquia rígida do mar. A experiência lhe rendeu frutos para a vida pessoal e profissional.  “O maior desafio de trabalhar em um barco é que o estoque de ingredientes é limitado. Você desce em uma ilha na Grécia por exemplo e tem que comprar o produto regional. De repente eu me via com um cordeiro na mão, e sem grandes experiências de como prepará-lo. Lembro das frutas na Grécia, tinham aquelas nectarinas, por exemplo. Então, ao invés de fazer uma torta de maçã, fazia uma de nectarina. Eu era desafiado o tempo todo a usar produtos diferentes, como queijo fetta”, conta o chef.

Girona- Espanha

Os chefs Eudes Assis e Ferran Adriá, na Espanha. Foto: Arquivo pessoal.

A inspiração não vem somente de outros países. O Brasil é um país de dimensões continentais e com várias técnicas e cozinhas distintas que podem se influenciar e complementar o cardápio.  “Belém do Para tem uma série de ingredientes e produtos únicos de la, e Minas Gerais tem uma culinária riquíssima, e a Bahia, enfim. A viajem é para conhecer outras técnicas de cozimento, por exemplo, na Espanha há uma técnica de vanguarda, é tudo muito moderno, vale a pena conhecer. A técnica francesa é toda muito minuciosa em relação aos cortes, aos molhos. Eu acho que vale a pena viajar para adquirir experiência e técnica”, diz Eudes.

O chef Eudes Assis nadando com golfinhos nas Bahamas. Foto: Arquivo pessoal

O chef Eudes Assis nadando com golfinhos nas Bahamas. Foto: Arquivo pessoal

E será que ele é capaz de eleger a melhor comida do mundo? “Olha que eu comi muita coisa boa! Sou apaixonado pela Espanha, porque além de gostar de preparar peixes e frutos do mar eu adoro comer essas coisas. O Mercado de Barcelona é riquíssimo” , conta. “Uma vez comi num restaurante num píer de Boston uma sopa com vieiras que me marcou a vida. Era branca e não era feira com creme de leite, parecia uma farinha com manteiga, coisa absurda de boa”, lembra salivando.

Peixinho seco Suriname

Peixe seco em mercado no Suriname. Foto: Arquivo pessoal.

A cozinha para o chef é uma forma de viajar. E viajar é uma forma de cozinhar melhor.

O chef Eudes na Acrópole grega. Foto: Arquivo pessoal.

O chef Eudes na Acrópole grega. Foto: Arquivo pessoal.

Onde experimentar a comida do chef:

Taioba Gastronômia

Rua Tijucas, 55 – Camburi

Litoral Norte de São Paulo.

 

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