Júpiter em sagitário

Júpiter em sagitário

Daniel Ribeiro

17 de dezembro de 2018 | 18h18

Júpiter entrou em sagitário em novembro de 2018  e fica por lá durante um ano. O que isso tem a ver com um blog de viagem? Tudo e nada. Em muitos idiomas, saber e conhecer são sinônimos e são justamente esses os temas de sagitário. Conhecer um lugar é aprendê-lo, saber sobre ele. Talvez seja o grande barato de viajar: saber um pouco mais.

Representação de Ptolomeu empregando um quadrante. IN: Principles of astrology and geography according to Ptolemy. Giordano Ziletti 1564.

Há um tempo não escrevo aqui e passei parte desses últimos meses refletindo sobre a função deste espaço. Meditando sobre a relevância de falar de viagem em tempos difíceis e, de verdade, procurando em mim mesmo o entusiasmo pelas viagens, que ficou um pouco perdido por diversos fatores. Meses que dediquei vários fins de semana ao estudo desta arte, a astrologia.

Estudar algo tão antigo é como fazer uma viagem no tempo, entender o inglês William Lilly escreveu  no século XVII e viajar até o século II lendo Vettius Valens. Mas funciona? Nunca me preocupou. Me empolga a ideia de saber algo que estimulou tantas mentes brilhantes ao longe de séculos. E também causou tanta controvérsia. Acho que uso a mesma lógica para escolher destinos de viagem. Prefiro os lugares marcados por inspirar e/ou gerar algum bate boca.

Em uma conversa com meu analista, ele me chamou a atenção sobre o fato de a mudança ser algo esperado, natural, desse modo, o que não muda nos intriga. Viajamos horas para ver o Coliseu ou as pirâmides que resistem às vicissitudes de seu entorno. Neste exercício de resgate do amor pelas viagens, pelas travessias, entendo que viajar é mudar e é também resistir. O sagitário é o signo que marca as mudanças, as viagens, os estudos, a expansão de pensamento, mas é também da fé, do ritual, de certa tradição. Júpiter, planeta que agora “está em casa” no sagitário, tudo amplia, tudo faz crescer.

Viajar é criar novas relações, uma muito próxima do conceito de inteligência: relacionar conteúdos. Aprender com o diferente, com o distante, com o desconhecido. E isso foi ficando um pouco distante do que o jornalismo de turismo se tornou nos últimos anos (na minha leitura, obviamente). Claro que ir num restaurante super exclusivo é legal e vale a pena fazer roteiros que ninguém faz. Mas é bom e não faz de ninguém menos turista hipster fazer um passeio naqueles ônibus vermelhos de dois andares com um guia contando a história dos lugares. Viajar é se abrir para o novo, mas é também ser um pouquinho cafona. Por que não?

O proposito desse blog sempre foi contar histórias de como as viagens podem transformar a vida das pessoas e entender o trânsito de Júpiter em sagitário me trouxe essas ponderações. E como esse movimento astrológico favorece as migrações, as andanças pelo mundo e os intercâmbios, me lembrei que minha paixão por viajar nasceu do sonho de estudar fora.  O subtítulo deste blogue “Gente comum em viagens extraordinárias” volta a fazer sentido. Extraordinário é fazer algo novo pra você, seja num ônibus de excursão com horários pré-estabelecidos, seja com uma mochila nas costas e um pé cheio de bolhas da caminhada. Se voltar com uma ideia nova, então: missão cumprida.

Até a próxima! Se quiser acompanhar de perto minhas próximas aventuras, sou @aqueledaniel no instagram e a escola de astrologia onde estudo é a @saturnalia_.