Não fique fora da sua zona de conforto por mais de dez minutos

Não fique fora da sua zona de conforto por mais de dez minutos

Daniel Ribeiro

03 de junho de 2019 | 12h04

A vida é muito curta para ser desconfortável.

Está na moda essa história de sair da zona de conforto, principalmente no mundo corporativo. Vamos pensar em duas situações. A primeira é: se você precisar de uma cirurgia complicada, você não arriscaria cair nas mãos de um médico inexperiente, fora de sua zona de conforto, mas louco por novos desafios. Vai preferir um cirurgião que se sinta absolutamente confortável naquela situação, correto? A segunda é que podemos pensar que você deve sair da tal zona de conforto em outros setores da vida para aprender valores que contribuam para sua atuação profissional. Como aqui é um canal de viagem, vamos pensar nas férias. Você trabalha o ano inteiro (você que não é milionário, herdeiro, viajante profissional ou digital influencer – quer dizer, provavelmente você mesmo, a maioria das pessoas), junta sua grana para passar seu período de férias desconfortável? Eu também acho que não.

A mais recente obra do artista inglês Banksy, em Belém. Foto: Daniel Ribeiro.

Às vezes nos deixamos levar por discursos da moda sem uma reflexão aprofundada e, principalmente, com uma análise pouco honesta. As pessoas mais bem sucedidas são as que saem da sua zona de conforto? Tenho dúvidas. Vamos lá.  Acho que a Beyoncé, por exemplo, tem uma zona de conforto muito ampla. Quero dizer que ela me dá a impressão de estar à vontade em muitos lugares, em muitas atividades e em diferentes contextos. Pense nas pessoas que admira e se elas transitam confortavelmente por várias áreas e ambientes?

Sair da zona de conforto deve ser um exercício rápido.  Ficar fora dela só vai te gerar estresse e, possivelmente, traumas. Uma pequena mudança de pensamento pode transformar essa situação. Ao invés de sair, tente pensar em ampliar sua zona de conforto. Talvez esse seja um exercício mais difícil, mas bem mais eficiente.  Quanto maior sua zona de conforto, mais livre você será para se movimentar por áreas, lugares, ofícios e outras atividades.

Há algum tempo entrevistei o Cid Ferrari, que escalou o Everest e, na época da entrevista, planejava animado uma nova aventura mesmo machucado. Ele não estava saindo de uma zona conveniente, pelo contrário, ele foi criando condições confortáveis para tais práticas. Talvez o discurso motivacional tenha feito muita gente acreditar que conforto é um sinônimo de preguiça ou de comodismo.

Começar a correr e em alguns meses melhorar a performance não é sair da zona de conforto, é justamente o contrário. É criar um espaço confortável maior. É sentir-se confortável por mais tempo. E, então, ser mais veloz, mais feliz e mais realizado naquela atividade.

Para tudo na vida há uma etapa de aprendizado e preparação. Se estudar é sair de um lugar confortável, o problema é maior. Se aprender é desconfortável, seus espaços serão sempre limitados. Mas isso é um blog de viagem. Voltemos. Viajar é um estimulante exercício para ampliar a zona de conforto. Planeje suas viagens com dois objetivos: aproveita-la de formar confortável e voltar ainda com ainda mais possibilidades de se sentir confortável.

Para acompanhar minhas viagens e divagações, me segue no instagram, sou @aqueledaniel.