10 curiosidades sobre o Festival de Parintins, no Amazonas – e como se planejar para ir
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10 curiosidades sobre o Festival de Parintins, no Amazonas – e como se planejar para ir

Viagem Estadão

09 Julho 2018 | 18h33

Por Luciana Dyniewicz


PARINTINS – Há uma semana, o Festival Folclórico de Parintins, no Amazonas, anunciou que o Boi Caprichoso levou este ano seu 23º título – contra 31 do adversário Boi Garantido. Faz também uma semana que não paro de cantar duas músicas. Revezo entre “Meu amoooorrr, eu sou feliz, ééééé azul o meu País“, obviamente do boi azul, o Caprichoso, e a nacionalmente conhecida “Vermelhou o curral, a ideologia do folclore avermelhou“, do boi vermelho, o Garantido.

Esse revezamento seria proibido em Parintins, cidade tão dividida entre as torcidas dos bois que, lá, marcas como Bradesco e Lojas Americanas recriaram seus logotipos em azul para não desagradar a galera do Caprichoso. Em Parintins, você tem de ter um lado. Há aqueles que tentam fugir e dizem que são “Garanchoso”, com os quais me identifiquei bastante, mas esses são vistos com um certo desdém.

Rivalidade está também nas cores de marcas famosas. Foto: Luciana Dyniewicz/Estadão

Fui a Parintins movida mais pela curiosidade do que pelo interesse de fato na briga entre os bois. Há cinco anos, um amigo jornalista voltou completamente enlouquecido por tudo aquilo. Voltei igual a ele, absolutamente encantada por esse festival incrível que os parintinenses fazem no meio da floresta, às margens do Rio Amazonas.

Não é fácil explicar o que acontece lá, mas tento a seguir. Com a pretensão de que você comece, já, a planejar a sua própria ida até Parintins no próximo ano, quando o festival ocorre de 28 a 30 de junho.

1. A competição
O festival é uma competição entre duas agremiações que apresentam a história do boi-bumbá em três noites consecutivas de apresentações, em que alegorias de até 25 metros de altura e fantasias não se repetem. Cada noite é como se fosse um ato de uma grande peça, que, além de trazer a história do boi-bumbá, ainda conta com um enredo do ano. As apresentações em Parintins têm mais dramaturgia que as dos carnavais do Rio e de São Paulo e até se assemelham a uma ópera.

As duas agremiações contam a história do boi-bumbá. Foto: Luciana Dyniewicz/Estadão

2. A galera
A torcida de cada lado também é avaliada pelos jurados no quesito “galera”. Isso faz com que os fãs dos bois se tornem também protagonistas do festival. Eles levam bandeiras, luzes de LED e muita energia. Cantam e pulam sem parar durante dua horas e meia por noite. Para tudo sair perfeito e em harmonia com o que está sendo apresentado na arena, há alguns animadores de torcida, que mostram o que deve ser feito a cada instante. Esse envolvimento da “galera” é, com certeza, o que torna cada espetáculo tão emocionante. Na minha primeira noite, olhei mais para a torcida do que para a apresentação na arena.

Torcida durante a apresentação do Boi Caprichoso. Foto: Bruno Zanardo/Secom

3. A paixão
Os fãs de cada “galera” são tão apaixonados que, assim que seu boi termina a apresentação,eles já deixam o Bumbódromo e entram na fila para o espetáculo do dia seguinte. Eles não pagam entrada e, por isso, precisam estar ali cedo para garantir seus lugares na arquibancada. Ficam na fila por cerca de 15 horas mesmo com um calor de mais de 30 graus. Os portões do Bumbódromo abrem às 15h e, lá dentro, eles ainda têm de esperar por mais cinco horas.

4. A rivalidade
A rivalidade entre os bois é intensa e o Bumbódromo é dividido ao meio entre azul e vermelho. Mesmo que não esteja na “galera”, você terá de escolher um dos lados para assistir ao festival. Essa escolha implica em ficar sentado e não cantar enquanto o boi adversário estiver na arena. Isso não é tarefa fácil. A música é tão animada e as apresentações são tão lindas que é difícil não se empolgar.

Chamaram minha atenção duas vezes para parar de dançar porque o boi do outro lado é que estava se apresentando. Dizem que você pode levar latinhas na cabeça caso alguém da sua torcida perceba sua animação pelo adversário. As latinhas de cerveja vendidas ali, inclusive, também têm suas cores — cada uma, obviamente, é vendida apenas de um lado.

Latinhas de cerveja também são vermelhas ou azuis. Foto: Luciana Dyniewicz/Estadão

5. Os acessórios
Todo mundo – todo mundo mesmo – vai ao Bumbódromo usando acessórios que remetem à cultura indígena, seja um cocar, um colar ou um cinto de penas. Talvez você se sinta um peixe fora d’água se não estiver com um deles também. Na feirinha de artesanato montada diante da igreja durante o festival, é possível comprar um a partir de R$ 25.

6. O curral
Cada boi tem seu curral, onde os integrantes ensaiam e se preparam para o festival — que ocorre sempre no último fim de semana de junho. Os currais ficam abertos nesses dias e é possível visitá-los, mas, em geral, não tem muito o que ver ali nessa época do ano. Nos meses anteriores ao festival, é possível conferir os ensaios.

O curral é o espaço do ensaio. Foto: Luciana Dyniewicz/Estadão

7. As alegorias
Assim como ocorre nos carnavais do Rio e de São Paulo, os carros alegóricos são gigantescos. A entrada para o Bumbódromo, porém, não é tão larga e as alegorias são montadas diante do público, suas peças — às vezes até sete “pedaços” gigantes — vão se encaixando em um perfeito quebra-cabeça. As alegorias são repletas de plataformas que se elevam e sempre guardam uma surpresa em seu interior:  ou se abrem completamente para revelar uma alegoria diferente ou um novo elemento. Na segunda noite deste ano, o Boi Garantido surpreendeu ao transformar uma alegoria gigantesca em formato de bruxa em uma coruja!

Apresentação do Boi Caprichoso. Foto: Bruno Zanardo/Secom

8. O bumbódromo
Em formato de cabeça de boi, tem capacidade para 17 mil pessoas. Nos chifres, ficam as “galeras”. No meio, as 5.000 pessoas que compram ingresso. Mesmo ali, o espaço é dividido entre Garantido e Caprichoso. Neste ano, a entrada mais barata para uma noite do festival custava R$ 180. A mais cara, em camarote, R$ 1.800.  O formato do Bumbódromo, construído há 30 anos, faz com que as apresentações sejam completamente diferentes das de um desfile de escola de samba. Os integrantes dos bois não caminham em uma reta, mas entram e saem da arena, que serve como palco. O fato de a apresentação ser mais estática também permite que os bois abusem de iluminações especiais.

Vista Geral do Bumbódromo. Foto: Roberto Castro/Estadão

9. A toada
A música da festa, conhecida como toada, é tocada por baterias compostas por cerca de 400 integrantes. São 50 toadas por noite, algumas repetidas de um ano para o outro, caso do clássico “Vermelhou o curral…” Há instrumentos diferentes, como a “palminha”, que parecem dois tijolinhos.

10. O boi
A estrela do festival. O Boi Caprichoso leva uma estrela na testa e o Garantido um coração. Os parintinenses que incorporam o personagem são famosos na cidade, assim como outras figuras importantes do festival, como a Rainha do Folclore, o levantador de toadas (cantor) e o apresentador de cada boi. Os bois de cada lado sempre chegam de um modo espetacular ao festival, saindo do alto de uma alegoria ou até mesmo de dentro de uma e, quando circulam próximo da plateia, são motivo de gritos e aplausos.

Apresentação do Boi Caprichoso. Foto: Bruno Zanardo/Secom

*Viagem a convite da Amazonastur.