A fotogênica Lucerna, do lago à praça de edifícios coloridos
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A fotogênica Lucerna, do lago à praça de edifícios coloridos

Fabio Vendrame

25 Março 2014 | 03h10

LUCERNA

O maior trabalho de fotografar é a etapa posterior, a seleção das melhores imagens. Na Suíça, nenhum lugar deu tanta dor de cabeça quanto Lucerna. No melhor dos sentidos, claro. Em apenas um dia foram 1.031 fotos. Saiba o que tanto eu cliquei.

Fotos: Felipe Mortara/Estadão

Barco pelo Lago Lucerna
Se o tempo estiver bom, é um tour obrigatório. Embarcações como o vapor Unterwalden, de 1902, dão um ar clássico às três horas de navegação pelo lago. A paisagem vai mudando conforme o barco avança dentro de um vale, com encostas de até 1.200 metros de altura formando pitorescos fiordes. Encante-se com a formas do Monte Pilatos (2.132 metros). Embora os preços sejam bem justos, com bilhetes a partir de 15 francos suíços (R$ 40), vale a pena investir um pouco e pedir um menu por 38,50 francos (R$ 102,50), que inclui o ingresso – e o farto almoço, servido num belo salão decorado com mobiliário de época.


Ponte da Capela

Principal cartão-postal de Lucerna, a Kapellbrücke foi erguida no século 14 para ligar os dois lados da cidade, com a particularidade de não ser linear. Ao longo de seus 170 metros foram instalados dezenas de murais do século 17 que continuam enfeitando as cumeeiras até hoje. Uma torre octogonal de 43 metros de altura está encravada no meio do Rio Reuss. Em 1993 um incêndio destruiu parte da ponte. Mas, como aqui é a Suíça, a prefeitura tinha feito seis anos antes um estudo detalhado das plantas da ponte – e a reconstrução durou apenas alguns meses.

Monumento do Leão
A escultura mostra um leão morto incrustado em um paredão de arenito. De Bertel Thorvaldsen, o Löwendenkmal homenageia os guardas suíços massacrados em 1792, na Revolução Francesa, quando o Palácio das Tulherias, em Paris, foi invadido. O escritor americano Mark Twain (1835- 1910) considerou o monumento “a mais lúgubre e tocante peça em pedra no mundo”.

Weinmarkt
Ficou registrado assim no meu diário de viagem: “Praça surreal com prédios de 1530, repletos de pinturas de cores vibrantes nas fachadas, de delicadeza inspiradora. Tudo parece calculado”. As pinturas foram realizadas há 130 anos, mas há alguns prédios mais antigos, como a Dourach House, onde hoje funciona uma farmácia.

Kunstmuseum
O principal museu de Lucerna abriga em seu prédio modernoso uma série de coleções de artistas suíços dos séculos 19 e 20, assim como o Concert Hall, auditório que recebe artistas nacionais e estrangeiros. Entrada a 15 francos suíços (R$ 40) e programação em kunstmuseumluzern.ch. / F.M.

Em 3D, obra do século 19 chega a lembrar Imax

Imagine entrar numa sala ampla, olhar para todos os lados e voltar 150 anos no tempo. O Bourbaki Panorama (entrada a 12 francos ou R$ 32) é uma das poucas pinturas panorâmicas ainda existentes no mundo. Consiste em uma longa tela de linho com 112 metros de comprimento por 10 metros de altura que cobre as paredes circulares do moderno edifício. A obra ilusionista foi pintada em 1881 por Edouard Castres. Na época, era o que havia de mais parecido a uma projeção cinematográfica.

De uma perfeição assustadora, toda em perspectiva, a pintura mostra um episódio da guerra franco-alemã entre 1870 e 1871 em que o exército francês, sob comando do general Bourbaki (1816-1897), fugiu para a Suíça em fevereiro de 1871. Ele e suas tropas, além de cerca de mil cavalos, refugiaram-se por seis semanas durante o inverno na Igreja de São Francisco.

Para criar a sensação tridimensional, o artista colocou objetos em alto relevo que saltam da paisagem nevada e reforçam o sofrimento dos soldados. Um potente sistema de som ajuda a fazer com que o visitante se sinta imerso naquele cenário de desolação. Chega até a dar frio. Atrevo-me a dizer que é mais emocionante do que uma sessão de Imax. / F.M.

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