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A Pompéia de Montserrat

Tania Valeria Gomes

10 Junho 2009 | 12h05

O inusitado calor de 41ºC que assolou a capital da Inglaterra ainda na primavera, alguns dias atrás, levou mr. Miles a considerar que a velocidade do aquecimento global superou em muito as suas expectativas. Impressionado com o evento, o bravo viajante decidiu visitar, com mais assiduidade, lugares que correm risco iminente de desaparecer, para “registrá-los em minha memória — um arquivo, so far and thank God, imune aos efeitos deletérios das alterações climáticas.” Foi assim que nosso bravo viajante decidiu incluir uma nova ilha em seu currículo, a pequena Montserrat, território ultramarino britânico, nas imediações de Antigua e Barbuda, no Caribe.
Instalado na guesthouse de seus velhos amigos Shirley e Lou Spycalla, o correspondente britânico saciou uma antiga curiosidade ao visitar os restos da capital de Montserrat, semissoterrada por uma erupção vulcânica.
Plymouth, my friends, é muito pouco lembrada em todo o mundo. Trata-se, however, da mais moderna versão de Pompéia. A pacífica e pequena capital de Montserrat ficava aos pés das montanhas Soufrière, onde existia um vulcão adormecido desde a Antiguidade. Eis que, nos anos 90 do século passado, a atividade sísmica recomeçou. Primeiro com fumaça, depois com tremores e cinzas. Até que, em 1997, uma grande explosão fez com que os habitantes de Plymouth abandonassem suas casas e estabelecimentos comerciais, em busca da relativa segurança da porção setentrional da ilha. Unfortunately, that was the end of the city. Plymouth chafurdou em lama vulcânica e cinzas.
Hoje fui fazer um tour pela área, na companhia de um guia e dois geólogos ucranianos que estão fazendo um doutorado sobre a atividade sísmica nas ilhas caribenhas. Não se pode chegar a capital destroçada, que é área de risco. De Jack Boy Hill, entretanto, vimos um cenário grandioso: o vulcão fumegante no background e a cidade enterrada no vale.
Ainda é possível reconhecer alguns edificios, com as inúteis janelas de seus andares superiores abertas para as cinzas.
Silente, o Soufrière parecia um espectador inofensivo, produzindo nuvens brancas no céu intensamente azul desta manhã. Terá sido, unfortunately, meu último avistamento desta Pompéia esquecida: cada vez que chove na ilha, outros detritos vulcânicos são despejados sobre as ruínas, que logo vão desaparecer.
Agora, fellows, escrevo-lhes de Little Bay, sentado à mesa do mais conhecido restaurante local, cujo nome é uma sugestiva ironia: Good Life Restaurant. Yes, indeed: a vida é muito boa sempre; e parece melhor ainda quando recomeça. Don’t you agree?A seguir, a pergunta da semana:

Mr Miles, gostaria de saber se o senhor já se hospedou em um albergue da juventude. Gostaria que relatasse essa experiência, pois tenho intenção de viajar para a Itália no ano que vem e queria ficar num albergue, já que é mais em conta.
Maria Fernanda Migliorini, por email

Well, my dear, lamento desapontá-la, mas por motivos que fogem a minha compreensão, não tenho sido aceito em youth hostels há um considerável número de anos. That’s very unfair, isn’t it?