As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

A terceira saída

Tania Valeria Gomes

24 Novembro 2009 | 22h24

Nosso insaciável viajante deixou o Benim levando uma ótima impressão de sua população afável e hospitaleira. Utilizando-se de aviões que definiu como “periclitantemente velhos”, voou, com muitas escalas, até Paris para alguns compromissos sociais. Em correspondência enviada à redação, mandou informar aos leitores que não está presente em nenhuma das chamadas redes sociais da web e também não manda recados pelo twitter, desqualificando, portanto, os embusteiros que usam seu nome. Seu único blog certificado é o que está abrigado em www.estadao.com.br.
Quanto à pergunta da semana, decidiu escolher uma entre as muitas que lhe fazem sobre temas algo vagos.

Mr. Miles, é possivel conciliar um estilo de vida de espírito aventureiro e viajante com os assuntos que dizem respeito aos sentimentos do coração?
Marcelo Silva, São Paulo

Well, Marcelo, sua pergunta soa-me tão pouco clara que, por minha conta e risco, vou ousar traduzi-la. Suponho que o prezado leitor queira saber como fica a vida de um viajante contumaz e compulsivo quando ocorre de ele apaixonar-se. Am I right? Porque, nesse caso, a resposta é: melhor, muito melhor. Ou será que o caríssimo missivista supõe que os “sentimentos do coração” a que se refere só atingem os cidadãos sedentários, que nunca ousam deixar os limites de sua cidade? Ou, ainda, em uma outra interpretação, estaria você sugerindo que, ao apaixonar-se, o cidadão de “espírito aventureiro” tornar-se-ia um refém de seu novo sentimento, abandonando, portanto e definitivamente, malas, passaportes e horizontes?
Give me a break, my fellow! O prazer de viajar é perfeitamente complementar à ventura de apaixonar-se. Muitas vezes, as you know, são situações que ocorrem simultaneamente. Olhe ao seu redor e observe quantas pessoas encontraram grandes amores enquanto viajavam. Do you know why? Porque é da natureza da maioria dos que partem mundo afora abrir-se para novas experiências, provar novos sabores e olhar com outros olhos.
Ouso supor, however, que sua questão embute uma angústia pessoal. De um lado, perhaps, a mulher amada, tão doce e querida que lhe parece impossível sequer supor a perspectiva de sua ausência. Um minuto já se afigura demasiado… O que dizer do tempo de uma viagem? De outro, I presume, a oportunidade de visitar um lugar novo e atraente. Um destino, quiçá, tantas vezes sonhado em noites remotas, com um livro de Jules Verne ou Karl May a espicaçá-lo…
Se é esse o seu dilema, my dear Marcelo, compreendo-o com sinceridade. Já perdi a conta de quantas vezes vivi situações semelhantes em diferentes partes do mundo. Therefore, posso lhe dizer que só há três saídas para esse labirinto — e apenas uma delas leva à porta da frente.
A primeira, fellow, é guardar as malas e viver seu grande amor até que a brisa de uma tarde qualquer convença-o de que já é possível partir com a certeza de que a volta aquecerá o fogo da paixão. A segunda, I’m afraid, é fazer as malas e entregar-se ao destino, com a mesma certeza de que, diante das grandezas do mundo, o retorno lhe dará a real dimensão de seu amor. Finally, my friend, a saída perfeita, que muitas vezes requer esforço e renúncia é levá-la junto, seja para onde for, custe o que custar. Em suas palavras, o “espírito aventureiro” aliado aos “sentimentos do coração”. Essa, sim, tenha certeza, será uma grande viagem. E, of course, uma grande paixão.