Buenos Aires: drinques, comidas e rock’n’roll
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Buenos Aires: drinques, comidas e rock’n’roll

Adriana Moreira

24 Dezembro 2013 | 02h20

Mônica Nobrega / BUENOS AIRES


Para pouco tempo livre em Buenos Aires – no meu caso, à espera da conexão aérea –, programas certeiros. Nisso, o bairro de Palermo é imbatível. Porque é o tipo de lugar para morar, e não apenas turistar. Tem calçadas, árvores, cafés, restaurantes, comércio miúdo para atender aos moradores e comércio chique com design pretensioso. Aqui, um roteiro para começar de manhã e ir até onde seu fôlego aguentar.

Galerías Bond Street (galeriabondstreet.com)

Reduto do rock portenho – Foto: Mônica Nobrega/Estadão

Já que em Palermo as lojas só abrem depois das 11 horas, a não muito distante Recoleta ajuda. Ficam lá, na Avenida Santa Fe, as Galerías Bond Street. Um clássico do underground portenho, com variações sobre o tema rock. De camisetas com frases engraçadinhas a ateliê de alfaiataria que costura o que for pedido, desde que você leve uma foto do que quer. Camisetas de banda, shapes de skate artesanais e estúdios de tatuagem. São três andares de delírio consumista alternativo entre paredes grafitadas. A galeria nasceu como shopping chique nos anos de 1960. Sofreu decadência e, aos poucos, foi redescoberta por artistas e artesãos com muito talento e pouco dinheiro. Hoje, é frequentada tanto por meninas e meninos de visual rebelde quanto por arrumadinhos. Abre às 10 horas.

Parrilla Don Julio (Calle Guatemala, 4691; tel.: 00-54-11-4832-6058)

Uma empanada para abrir os trabalhos – Foto: Mônica Nobrega/Estadão

Ao meio-dia começam a chegar a este típico restaurante argentino em Palermo famílias grandes e grupos de amigos. Pouco depois, entre conversas em alto e bom som, já circulam pelo salão empanadas fritas, ojos de bife e bifes de chorizo que, se você não especificar o exato ponto da carne, virão sangrando. A parrilla é preparada num fogareiro à vista dos clientes. As saladas de folhas verdes são acompanhamentos à altura. Mas não perca por nada as batatas fritas, cortadas irregularmente, macias por dentro e com casquinha crocante, sem um pingo de óleo sobrando. As paredes de tijolinho aparente do restaurante são decoradas com milhares de garrafas de vinho já consumidas, com rótulos rabiscados pelos clientes. A conta fica em torno dos R$ 80 por pessoa, com vinho.

Casa Coupage (casacoupage.com)

Delícias de um restaurante exclusivo – Foto: Mônica Nobrega/Estadão

Depois de bater pernas por Palermo durante a tarde, é hora do jantar nas duas salas calmas, de iluminação suave e nada pretensiosas, da Casa Coupage. Trata-se de um dos restaurantes mais exclusivos de Buenos Aires, mas que não faz alarde disso. A casa é um sobrado de fachada descuidada. Como são nove mesas, ali só é possível ir com reserva – três a quatro dias de antecedência costumam ser suficientes. A adega contempla apenas vinhos argentinos, harmonizados com as receitas do chef Pablo Bolzan. Custa 370 pesos (R$ 135) o menu degustação de oito passos, trocado a cada estação. Na última noite do menu de inverno, o momento memorável foi o trio de linguiças, de coelho, pato e lagostim. O curioso, a entradinha habemus papa, com batatas em quatro apresentações: cruas em fiapos, chips, profiterole e um copinho de água do cozimento do vegetal. Já o mais gostoso, sem dúvida, foi o salmão cru marinado em laranja e açúcar negro.

Verne Club (vernecocktailclub.com)

Descrito pela imprensa local como o “grande nerd” da coquetelaria argentina, Federico Cuco abriu este ano seu Verne Club, um bar de drinques com balcão comprido, sofás confortáveis e decoração ora retrô, ora futurista. Mas nada disso importa. O lugar poderia ser qualquer espelunca, desde que Cuco preparasse da mesma forma o seu inesquecível negroni, com Campari, gim, vermute e uma esfera de gelo que nunca derrete. No cardápio, a seção Volta ao Mundo em Oito Coquetéis propõe drinques de várias partes do planeta.

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