Búzios no seu bolso: um fim de semana com R$ 400
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Búzios no seu bolso: um fim de semana com R$ 400

Fabio Vendrame

25 Fevereiro 2014 | 02h40

O desafio consistia em desfrutar, em duas pessoas, do charme de um dos destinos mais sofisticados do País com orçamento limitado, mas sem passar vontade

Foto: Adriana Moreira/Estadão

Thiago Mattos / BÚZIOS

Desembarcamos em Búzios, no litoral fluminense, com a meta de passar um fim de semana comendo bem, mas sem descuidar do bolso. Um desafio e tanto em um destino famoso pela sofisticação, inflacionado pelo grande afluxo de turistas endinheirados e repleto de excelentes opções gastronômicas: passar um fim de semana gastando R$ 400 o casal (sem contar a hospedagem). E não é que conseguimos?


Fique atento, contudo, com a cobrança compulsória da famigerada consumação mínima: apesar de ser proibida nas praias, é comum que os turistas sejam cobrados pelo uso de cadeiras e guarda-sóis. Disposta a combater a prática exploratória, a prefeitura espalhou cartazes com um número para denúncias. Não deixe de contribuir.

Praia da Armação – Foto: Adriana Moreira/Estadão

SEXTA-FEIRA: Jantar e caipirinhas em uma nota
A chegada no fim da tarde após os 169 quilômetros que separam o balneário da capital fluminense pedia uma refeição completa para recarregar as baterias. Optamos pela hospedagem na Praia da Armação, de onde seria possível chegar até algumas das praias mais bonitas a pé, passear pela Orla Bardot – onde uma estátua da atriz francesa, que ajudou a tornar a cidade internacionalmente conhecida, rende fila para fotos – e caminhar até o centro à noite. Com o anoitecer, o burburinho de turistas já começava a tomar a Rua das Pedras, onde se concentram grande parte dos restaurantes e bares do centro de Búzios.

Tínhamos recebido boas recomendações do Restaurante do Davi, mas nos assustamos com as cifras no cardápio – moradores contaram que a fama do lugar fez os preços dispararem. Bem em frente, o Mineiro Grill (Rua Manoel Turíbio de Farias, 233) não decepcionou: comemos um peixe grelhado ao molho de manga, acompanhado por arroz com brócolis e purê de batatas, por R$ 61. Uma mesa na calçada e as duas caipirinhas (R$ 14 cada) que saboreamos calmamente nos ajudaram a aliviar o intenso calor com a ajuda da brisa que soprava. Gastamos R$ 100, incluídos aí os 10% do serviço.

Praia Azeda – Foto: Adriana Moreira/Estadão

SÁBADO: Alguma extravagância à beira-mar
Café da manhã tomado, hora de aproveitar o sol. Caminhamos sem pressa por 15 minutos, passamos pela praia dos Ossos e logo avistamos de cima as belas praias Azeda e Azedinha, que fazem parte de uma área de proteção ambiental. O acesso, antes feito por uma trilha que descia até a areia, foi facilitado com a instalação de uma escada de madeira. Agora não há mais porquê ter medo do caminho e os turistas descem aos montes. Como conseguimos um guarda-sol emprestado na pousada, evitamos custos desnecessários com o aluguel de cadeiras e barracas. Um casal contou que havia torrado R$ 15 para estacionar e outros R$ 21 no aluguel de duas cadeiras e um guarda-sol.

Praia de João Fernandes – Foto: Adriana Moreira/Estadão

Antes do almoço, caminhamos por mais 10 minutos e esticamos até a vizinha praia de João Fernandes, conhecida por ser uma das preferidas dos argentinos, que abundam na cidade. De águas cristalinas e ondas tão tranquilas como a praia anterior, João Fernandes se diferencia pela maior extensão e agito. Embora o frenesi dos comerciantes possa não agradar quem busca sossego, ambas as praias são boas pedidas para quem vai a Búzios com crianças.

O dia estava tão ensolarado e agradável que um almoço ao ar livre foi uma escolha natural. Com mesas na calçada e um anúncio de pratos para duas pessoas por R$ 55, o restaurante Mata Hari, na Praia da Armação, foi uma ótima escolha. Como não se mexe em time que ganha – e o prato da noite anterior estava tão bom –, pedimos novamente um peixe, agora com salada, arroz e pirão. A refeição era simples, mas saborosa e farta. O calor intenso nos convidou a tomar duas garrafas de cerveja (R$ 13 cada). O movimento de pessoas indo e voltando da praia despojadamente e uma feirinha de artesanato logo ao lado deixaram o almoço ainda mais leve. Total: R$ 89,10 (com 10%).

Após um breve descanso, arriscamos enfrentar cerca de 2 quilômetros com bicicletas emprestadas da pousada até a Praia Brava, incentivados por um tempo mais nublado e ameno à tarde. O caminho de paralelepípedos e algumas subidas podem assustar, mas o local é uma aposta certeira para quem procura um misto de charme e discrição. O próprio acesso e o paredão de vegetação densa dão ao local um silêncio que só é quebrado pelas ondas que fazem jus ao nome da praia.

Procurada por surfistas aventureiros e entusiastas de pontos menos badalados, a Brava só não é calma dentro d’água. Os mais ousados podem pegar a trilha até a Olho de Boi, praia de nudismo que não tivemos tempo de conferir.
Bem no caminho do acesso à Brava, uma combinação de bar e lounge chama a atenção pelos suntuosos futons acolchoados. Mas o garçom do Rocka logo avisa: é preciso tomar uma Veuve Clicquot (R$ 370) para ocupar os assentos com vista para o mar ou consumir no mesmo valor – esse tipo de intimidação é prática corrente dos bares mais chiques. Tomamos duas caipirinhas de lima da pérsia (R$ 18 cada) e dividimos um ceviche de peixe e camarão com torradas (R$ 36, um dos petiscos do cardápio que servem bem a um casal). Uma pequena extravagância considerando nossa proposta e lá se foram mais R$ 79,20.

Rua das Pedras – Foto: Mônica Cardoso/Estadão

Com menos fome do que no dia anterior, o jantar poderia ser mais modesto. Batendo perna entre uma vitrine e outra da Rua das Pedras, encontramos em uma pequena travessa o Deli Café (Travessa dos Arcos, s/nº), com algumas mesinhas do lado de fora e boas opções de saladas, sanduíches e sopas a um preço mais que justo. Como o calor havia dado uma trégua, optamos por uma sopa de ervilha (R$ 11) e um caldo verde (R$ 11), ambos muito bem servidos e acompanhados por uma cesta com torradas e pãezinhos artesanais. De sobremesa, dividimos um brownie com sorvete de creme (R$ 13) e duas águas com gás (R$ 2,50 cada). Gastamos R$ 44 em uma das melhores refeições da viagem. Total do dia: R$ 212,30.

DOMINGO: ‘Gran finale’: rolê e empanadas a R$ 80
Último dia de viagem é para ser aproveitado até o fim. Após um café da manhã reforçado, pegamos uma van do centro até bem próximo da entrada de Geribá (R$ 2,50 cada passagem). A extensa faixa de areia branca e o mar aberto não decepcionaram. Geribá é uma das mais badaladas praias de Búzios e uma das com maior infraestrutura de comércio. Antes da volta, esticamos até a praia vizinha, a mais recomendada de todas.

Cercada por montanhas e rochas, a Ferradurinha mais parece uma piscina natural em que caribenho nenhum pode botar defeito. O visual é deslumbrante e, como na maioria das praias de Búzios, a temperatura da água é quase glacial. Para melhor explorar o local e ter uma visão ampliada, alugamos um caiaque (R$ 10 por pessoa por 40 minutos) e remamos quase até a entrada do mar aberto. Deu para ver tartarugas-marinhas e formações geológicas com 520 milhões de anos. Uma paradinha para fotografar a vizinha Praia da Ferradura e voltamos ao centro, ainda extasiados com tanta beleza natural.

Paramos na Empanaderia Real (Rua Manoel Turíbio de Farias, 100). Sentados ao ar livre, comemos os mais diversos tipos de empanadas: bacalhau, siri, camarão, abóbora com carne seca (de R$ 3 a R$ 5 cada), bebendo mais duas garrafas de cerveja (R$ 8 cada). Ótima pedida a um excelente custo: a conta ficou na casa dos R$ 50. Um passeio de volta à pousada pela Orla Bardot para fechar a viagem. Gastamos R$ 80 no dia. Total da viagem: R$ 392.

Praia dos Ossos – Foto: Adriana Moreira/Estadão

SAIBA MAIS:

  • Como chegar: para quem vai de carro, são cerca de 180 quilômetros de estradas (pela BR-101 e a RJ-124, a Via
    Lagos) a partir do Rio. Ônibus saem da Rodoviária Novo Rio a cada duas horas (as passagens custam a partir de
    R$ 46,19). De São Paulo, a Viação 1001 tem ônibus direto para Búzios desde a Rodoviária do Tietê às sextas-feiras, às 21h50 (R$ 99,31), com volta no domingo, às 20h15. Outra opção para quem chega de outros Estados é o serviço de transfer, que busca turistas nos dois aeroportos do Rio (Galeão e Santos Dumont) e os deixa diretamente nas pousadas. Com a Humaitá Turismo: a partir de R$ 70 por pessoa. O aeroporto mais próximo fica em Cabo Frio, a cerca de 25 quilômetros. Recebe voos fretados provenientes de capitais como Rio, São Paulo e Belo Horizonte.
  • Onde ficar: confira algumas opções mais acessíveis (preços por casal): Pousada do Centro (Rua Luiz Joaquim Pereira, 171, centro; diárias a partir de R$ 186). Saint Germain (Morro do Humaitá, 5, Praia da Armação; desde R$ 250). Pousada Baía Bonita (Avenida José Bento Ribeiro Dantas, 1238, Praia da Armação; diárias a partir de R$ 320). Pousada Corsário (Rua Agripino de Souza, 50, Praia dos Ossos; diárias desde R$ 460).

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