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California dreamin

Tania Valeria Gomes

18 Fevereiro 2010 | 11h58

Olá Mr. Miles, tenho 22 anos e sou da capital de São Paulo. Gostaria de lhe pedir um conselho sobre a seguinte situação: estou de férias marcadas entre abril e maio em Los Angeles, mas viajarei sozinha pois nenhum dos meus amigos pode me acompanhar. Passarei 20 dias entre LA, San Diego e San Francisco, tenho algumas atrações já agendadas, mas tenho medo de que, por estar só, acabe não me divertindo tanto quanto como se estivesse com alguma companhia, e até mesmo não consiga organizar meus passeios. O senhor teria alguma sugestão para mim?

Danielle Yessenhart, por email

Well, my dear: eu teria uma ótima solução para todos os seus problemas mas, unfortunately, acabei de consultar minha agenda e descobri, que, devido a compromissos anteriormente assumidos, não vou poder, pessoalmente, acompanhá-la em sua american journey. Seria delightful.
Anyway, darling, não vejo motivo para preocupações. Se você tivesse programado suas ferias para o Tajiquistão, que é um dos países mais pobres e primitivos da Ásia Central, eu certamente recomendaria que você contratasse uma dupla de vigorosos guarda-costas. Mas, embora a Califórnia seja governada por Conan, o Bárbaro (também reconhecido como o Exterminador do Futuro), trata-se de um estado de pessoas civilizadas — a não ser, é claro, que você acenda um cigarro, situação que as transforma em uma horda de hunos.
Viajar sozinho, as I do, oferece algumas vantagens preciosas. A primeira delas é o total domínio que você terá sobre sua agenda, podendo manipulá-la do jeito que preferir, sem aquelas crises de relacionamento que se observam quando o seu (ou sua) colega de jornada manifesta interesses divergentes. Não sou poucos — I can testify —, os amigos do peito que, no decorrer de uma viagem, transformaram-se em inimigos mortais em virtude do acúmulo de pequenas desavenças no dia-a-dia de suas férias.
A outra regalia oriunda de uma viagem solitária é a extraordinária possibilidade que você terá de fazer novos amigos. Verifico, em suas linhas, que essa é a questão que a preocupa. Pois fique tranquila, darling. A não ser que você sofra de algum tipo patológico de timidez, como meu falecido amigo Jerome (N.da R: J.D. Salinger, escritor Americano, autor de O Apanhador no Campo de Centeio, célebre por sua permanente reclusão), suas chances de conhecer gente com quem compartilhar as emoções da jornada são remarkable.
Para isso, of course, você terá de fazer tours (haverá outros estrangeiros na mesma situação que a sua), frequentar bares e baladas adequados à sua idade e, eventualmente, dormir em albergues. Haverá chatos pelo caminho.That’s unavoidable. Mas não se preocupe: os da Califórnia são iguais aos de São Paulo.
Em Los Angeles, desde que você não se perca naquelas intermináveis alças de viaduto em que um único erro pode levá-la diretamente à Tijuana, no México, eu diria que você tem boas chances de encontrar alguém à espera de uma vaga como figurante em um filme B de uma produtora independente — que, claro, um dia talvez venha a tornar-se Tom Hanks.
Em San Diego, conforme o swell, os surfistas são sua melhor chance. Já em San Francisco, well, você pode até achar um chinês divertido, mas, estatisticamente, suas maiores oportunidades são os hippies velhos do Height-Ashbury ou os gays do Castro. Vai ser igualmente divertido, don’t you agree?