Capillas de Mármol, a última parada
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Capillas de Mármol, a última parada

Felipe Mortara

07 Janeiro 2014 | 04h00

 

Ao longe, as cavernas esculpidas pela ação do mar durante milhões de ano parecem flutuar. Foto: Gustavo Coltri/Estadão

Depois de enfrentar uma manhã de tempo frio e chuvoso, que nos obrigou a mudar a programação, o sol da tarde parecia uma provocação. Mas foi muito bem-vindo: afinal, as expectativas eram altas para o último passeio da viagem, as Capillas de Mármol, principal atração de Puerto Tranquilo.

As tais Capelas de Mármore, em bom português, são formações rochosas naturais às margens do Lago General Carrera. Agências de turismo locais oferecem tours de caiaque ou barco, de acordo com a disposição do cliente. Caía a tarde quando embarcamos, devidamente equipados com salva-vidas, em um bote motorizado que nos levaria, em poucos minutos, às famosas cavernas.


De longe, as tais capelas pareciam boiar sobre a água. À medida que chegamos mais perto, foi possível ver que os blocos de rocha em formato de cogumelo e enfeitados com vegetações rasteiras são, de fato, sustentados por pilastras criadas pela erosão da pedra em contato com a água – algo como uma versão natural da arquitetura de Gaudí em Barcelona.

O condutor do barco desligou os motores quando alcançamos as Capillas, acionando a máquina só para nos direcionar delicadamente para dentro das fendas, debaixo de toneladas de pedra. Ali, a sutileza das formas surpreende em seu contraste com a brutalidade do exterior.

As paredes internas das capelas esbanjam tons de cinza com mechas marrons e, bem de perto, variam em formato com geometria semelhante a dos favos de mel. Ao toque se mostram suaves, polidas pelas águas durante milhões e milhões de anos.

Ficamos pelo menos meia hora nesse vaivém sob as pedras, sacando as câmeras fotográficas a cada curva. No fim da tarde, no entanto, as imagens não costumam ficar tão belas quanto pela manhã. O passeio terminou ao anoitecer, no mesmo ponto de onde saímos cerca de 50 minutos antes.

De volta para casa. No dia seguinte, nosso único programa seria retornar ao aeroporto de Balmaceda para pegar o avião de volta ao Brasil. Mas os caprichos do clima transformaram completamente a paisagem naquela manhã.

A neve cobriu de branco a Carretera Austral e obrigou as câmeras fotográficas a trabalharem mais uma vez. Alguns locais, como os montes de Cerro Castillo, nem pareciam os mesmos.
No meio da estrada, uma placa de madeira desejava “Feliz Viaje” aos visitantes. Uma carinhosa mensagem de despedida. / GUSTAVO COLTRI

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