Caribe: Algumas pitadas de Venezuela
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Caribe: Algumas pitadas de Venezuela

Fabio Vendrame

29 Abril 2014 | 03h10

Parque Nacional El Ávila – Fotos: Mônica Nobrega

LA GUAIRA

O script do passeio era promissor: percorrer em um carro 4X4 o Parque Nacional El Ávila, montanha que separa o porto de La Guaira de Caracas e chega a ter 2 mil metros de altitude, e descer de teleférico até a capital da Venezuela. Mas, por falta de condições para que o tour fosse feito como se deve, o programa foi quase decepcionante.

Vista do porto, o mais importante de seu país, La Guaira se mostra pouco atraente, com morros debruçados sobre o mar, recobertos de favelas. Só mesmo a grande quantidade de passageiros que embarca ali parece explicar que o lugar seja mantido no roteiro do cruzeiro.


Basta começar a subida da montanha, cheia de despenhadeiros e curvas em formato de cotovelo, de gelar mesmo o estômago, que a paisagem ganha tons estupendos dos verdes bosques cerrados e do oceano azul (é Caribe ali também, afinal). Há mirante e uma cachoeira. Mas deu impressão de que os venezuelanos não sabiam muito bem o que fazer com o grupo depois que deram a notícia de que o Teleférico Warairarepano (90 bolívares fortes ou R$ 31, ida e volta), que leva a Caracas, estava fechado para manutenção. A reabertura foi no dia 11 de abril.

Para quem está interessado em saber um pouco sobre a vida do país mais controverso da América do Sul, no entanto, é uma oportunidade. As longas distâncias dão chance para conversa com a guia, Alzira, que fala sobre atuais dificuldades de abastecimento em seu país. Leite virou artigo de luxo, forma fila nos supermercados que recebem algum suprimento. Óleo e farinha de milho também estão em falta – uma falta decisiva para o dia a dia, já que é com tal farinha que se preparam arepas, tipo de pão local e de boa parte dos povos andinos.

As populares (e saborosas) arepas

Alzira conta que as arepas de Caracas são mais finas que as dos moradores dos Andes, onde têm um dedo de altura. “As daqui parecem panquecas”.

Povoado. Outro bom momento é a parada nas alturas do povoado de Galipán, a cerca de 1.800 metros de altitude. O lugarejo não é muito além de algumas casas, a escola de onde crianças observam os visitantes, e a igrejinha, centro de boa parte da vida social local. Contam que Galipán vive do plantio de flores, verduras e frutas. E que as amoras dali têm boa fama; o suco que experimentei, por sinal, é dos bons, grosso, concentrado.

Placas veiculares levam bandeira nacional ao fundo

Outro petisco local que nos foi dado provar, a cachapa é uma pamonha achatada, grelhada e recheada com queijo. Tem o seu charme, sem ser deliciosa.

Para terminar, lojinha de artesanato, que isso tem em todo lugar (só aceita bolívares fortes). O licor de leite é um dos itens típicos; ao lado, o mercadinho onde se abastecem moradores é mais interessante. Foi dele que trouxe a farinha de milho para tentar em casa a receita de arepas que a guia me ensinou. Saldo do dia: eu queria ter ido a Caracas. / M.N.

O QUE MAIS?

1. Caracas: Via tour do navio ou contratando guia no porto de La Guaira (para dois, uns 30% mais em conta), vá direto à capital. A Plaza Bolívar é o ponto central, com catedral e museu. Há casa e mausoléu de Bolívar. O Parque del Leste é dos mais populares.

2. Só relax: Sem interesse pela Venezuela? Por cerca de 200 bolívares fortes (R$ 70), pegue um táxi até o Clube Marina Grande (marinagrande.com.ve; 200 bolívares fortes por pessoa) e passe o dia na praia. O lugar tem playground, piscina, vestiário, tendas, cadeiras e restaurante.

CENÁRIO

Excursão ou não, eis a questão

Senti inveja quando, ao reembarcar no porto de La Guaira, um grupo de viajantes também brasileiros me contou que tinha ido até Caracas. Meu tour ao Parque El Ávila, organizado pelo navio, tinha sido decepcionante em muitos aspectos (leia mais nesta página). Lamentei não ter conhecido a capital da Venezuela.

Já em Curaçau, caminhando desimpedida pelo centrinho, me senti feliz de não ser obrigada a seguir um grupo. Mais tarde, no entanto, ao me juntar aos excursionistas que iam nadar com golfinhos, celebrei a comodidade do transporte porta a porta e dos ingressos já providenciados. É um dilema considerável para passageiros de cruzeiros: vale a pena comprar excursão?

A resposta dá trabalho porque envolve pesquisa prévia, antes de sair do Brasil. O antídoto contra um passeio micado é descobrir, ainda em casa, as condições de cada porto e o que há para fazer lá. Há casos em que as excursões são caras e dispensáveis; em outros, facilitam passeios.

Neste cruzeiro específico, considerei a excursão um grande negócio no já citado nado com golfinhos, em Curaçau; para ir ao Parque Arikok, em Aruba (mas se você quiser só curtir praia em Palm Beach, pode ir de táxi); e ver a Eclusa de Gatún, no Panamá. La Guaira tem guias com carro próprio no porto. Em Cartagena, nenhuma excursão se justifica.

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