Caribe: Entre muros, Cartagena exibe seu rebolado
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Caribe: Entre muros, Cartagena exibe seu rebolado

Fabio Vendrame

29 Abril 2014 | 03h30

A histórica cidade de Cartagena de Índias – Fotos: Mônica Nobrega/Estadão


CARTAGENA DE ÍNDIAS

Causa certo constrangimento ver-se encarapitada em cima de uma charrete, tentando não fazer caso do desprezo dos outros turistas, os que estão a pé e precisam interromper sua marcha para a passagem dos equinos, e dos motoristas de ônibus e carros de passeio, que simplesmente detestam a geringonça e o tumulto que ela provoca no trânsito.

Certo, depois de horas de voo, dar essa primeira olhada no centro histórico de Cartagena sem precisar gastar as pernas é um alívio. Mas passeio obrigatório, obrigatório mesmo, as tais charretes não são, não. São coisa de principiante, para falar a verdade. Até porque logo vai bater a vontade de parar em uma mesa ao ar livre, ou de empreender a primeira subida à muralha, coisas que a carroça não deixa fazer.

Tour em charrete

Em situação física que permita caminhar, é assim que tem graça descobrir Cartagena. Com as próprias pernas e sem atrapalhar ninguém (mas se quiser mesmo, as 60 charretes partem do mercado Las Bovedas e custam desde 100 mil pesos colombianos ou R$ 115 por pessoa).

A bela área da cidade colonial, enlaçada por 11 quilômetros de paredão de alturas diversas, tem trechos recuperados e um sem-fim de sobrados com maquiagem borrada ou fachada oculta pelo madeiramento da reforma. Patrimônio da Unesco desde 1984, Cartagena está em franco processo de restauração.

Um dos caminhos na cidade amuralhada

Apertando o passo, dois dias inteiros devem dar uma boa ideia dos principais endereços do centro. A Praça da Paz, adornada pela amarela Torre do Relógio. O Palácio da Inquisição, lar do museu histórico do município (Plaza de Bolívar; 16 mil pesos ou R$ 18), com arte e réplicas de equipamentos de tortura, até guilhotina. O hotel-convento de Santa Clara (ver o claustro é grátis) e o hotel-palacete Santa Teresa, dois ícones arquitetônicos. A própria muralha, ao alto da qual se sobe para flanar, namorar e dançar rumba na altura do mercado de artesanato Las Bovedas.

Este é um bom primeiro endereço para compras – primeiro desconsiderando que a esta altura você já sucumbiu à oferta de algum ambulante e tem um chapéu sobre a cabeça. A melhor lojinha é a de número 23, de coisas para a casa. A cidade antiga merece disposição consumidora: há de grifes internacionais a fast fashion e artesanato.

Visita ao Museu Histórico

Os petiscos vendidos na rua são um caso à parte. Um dólar basta para uma porção de melancia picada ou manga em palitos, tudo fresco, para beliscar como se fosse pipoca. Dois dólares custa a água de coco. Os carrinhos de arepas despejam no ar o cheiro do pãozinho feito de massa de milho, recheado com queijo puxa-puxa (US$ 2). Para fome de verdade, há muitos restaurantes em casarões antigos. No estiloso El Santísimo, menu caribenho em três passos (leia peixe com molho de manga e, na sobremesa, o melhor crepe do mundo, crocante e de mel) sai por 95 mil pesos (R$ 108) por pessoa.

 

À parte, mas não longe do centro histórico, vale ainda uma subida ao alto do Castelo de São Felipe de Barajas, uma bonita fortaleza com vista panorâmica.

‘Aburrido’. Há um segundo passeio característico em Cartagena, um tal chiva bus (cerca de US$ 15 em várias agências no centro). O ônibus-jardineira faz um ruidoso city tour ao som de rumba ao vivo e de um locutor histriônico cuja função é fazer os turistas se comportarem como torcida organizada, gritando “aburridos”, algo como desanimados ou entediados, para os ocupantes de outros chivas.

Entardecer nas muralhas

A bagunça é regada a rum com coca-cola e, veja só, ao contrário das charretes, ninguém olha feio para os chivas. É que os locais gostam tanto de rumba que, se procurar entre os colegas de ônibus, é capaz de encontrar um cartagenero da gema por ali. / M.N.

O QUE MAIS?

1. Importante é ir: Cansou de andar a pé? Tente Segway (desde US$ 40 por pessoa) para tours de gastronomia, história… Ou bicicleta, para ir até o belo distrito de Boca Grande (em média, 10 mil pesos ou R$ 11,50 a hora, em agências no centro).

2. Resort tem também: Fora do centro histórico, a zona hoteleira se concentra ao norte, a partir do bairro de Crespo. O lugar tem um jeitão de Barra da Tijuca, com vários novos empreendimentos imobiliários entre os hotéis de redes internacionais. O mar continua não sendo essa coisa toda.

3. Arquipélago: Do Muelle de La Bodeguita, portinho em frente à Torre do Relógio, partem às 8 horas barcos que fazem passeios às Islas del Rosario e à Playa Blanca, para ver Caribe em Cartagena. Custa desde 70 mil pesos (R$ 80) e pode ser comprado na hora.

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