Caribe: sobre as ondas em fundo azul
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Caribe: sobre as ondas em fundo azul

Fabio Vendrame

29 Abril 2014 | 03h40

Desembarque em Cartagena para o ‘rumba tour’ – Fotos: Mônica Nobrega/Estadão

Sem furacão, sem visto e com a calmaria da baixa temporada: este é o momento de se deixar levar pelo sonho do mar transparente, em ilhas deslumbrantes ou a bordo de um cruzeiro

No ponto de partida do roteiro, a mais bela das cidades coloniais das Américas mostra seus contornos espanhóis na costa da Colômbia. Com direito a dança, boa mesa e muita história

Mônica Nobrega / CARTAGENA DE ÍNDIAS


Ainda faltava no horizonte a transparência de doer os olhos, mas foi só botar os pés dentro do navio para o clima de Caribe encher o ar pela via do refrão chiclete que, daquele domingo até a sexta-feira seguinte, seria a trilha sonora da viagem. “Voy a reír, voy a bailar, vivir mi vida, lá lá lá lá…”

Viver minha vida a bordo de uma embarcação pelas águas quentes do Caribe Sul durante uma semana era o que me esperava. Ótima pedida para esta época do ano. Passado o feriado de Páscoa, as ilhas que povoam aquele mar de sonhos azuis mergulham numa letargia de baixa estação embalada em preços bem mais convidativos, que só vão voltar a inflacionar pela época do Natal.

As águas ‘calientes’ do Caribe Sul vistas do Monarch

Até junho, o clima é seco. E a temporada de furacões começa em agosto, mas nela nem há motivo para pensar por estas bandas. Não passa furacão pelo Caribe Sul.

Cruzeiro tem a óbvia vantagem de levar a vários destinos numa só viagem; e a também óbvia desvantagem de deixar sempre uma angústia de quem passou, mas não viu tudo. Esta segunda questão é um ponto a favor do roteiro no Monarch, navio da empresa Pullmantur que está em rota circular na região desde maio de 2013 e no qual me hospedei.
É permitido começar e terminar a viagem em qualquer um dos cinco portos envolvidos no circuito. Em outras palavras, gastar alguns dias antes, outros depois para desbravar melhor aquela ilha ou cidade de interesse específico.

Meu ponto de partida foi a linda Cartagena de Índias, na Colômbia, o que explica a ausência inicial do mar azul-claro. As águas que banham sua porção urbana não são mesmo as mais límpidas. Não se pode ter tudo.

Bar panorâmico do Monarch, Pullmantur

Mas se Cartagena não entrega o éden litorâneo logo ali na porta do seu quarto, e será preciso pegar barco para chegar ao mar caribenho como se deve, a cidade reconhecida como uma das mais bonitas entre as coloniais das Américas faz por merecer uns três dias de atenção. O centro histórico, arrematado por uma muralha de 11 quilômetros de comprimento, é celeiro de museus, igrejas, monumentos, bares, hotéis, cultura e comida da melhor qualidade, com charme a se derramar pelas ruas de pedra e paralelepípedo, entre vielas e pracinhas.

E não que seja determinante para a decisão de onde começar o cruzeiro, mas o porto de Cartagena tem a sua graça. Espera-se pela hora do embarque em um jardim com jeito de bosque, onde o desfile de pavões acaba por funcionar como entretenimento extra para crianças.

Sem visto. Em comum com Cartagena, os demais destinos do Monarch têm a vantagem de não exigirem visto de brasileiros, porque passam longe dos Estados Unidos e de Porto Rico.

Se decidir embarcar em Colón, no Panamá, há voos diretos via Copa desde São Paulo e outras seis capitais brasileiras. As cobiçadas Aruba e Curaçau, cenários de praias espetaculares, puro Caribe na veia, fazem parte da programação. E, no meio do caminho tem ainda uma escala na conturbada Venezuela, onde sobe e desce muito passageiro. Rendeu um passeio desgastante, inconsistente mas, mesmo assim, interessante para ver como vivem suas vidas os habitantes daquele canto da América do Sul. Tudo ao som de Marc Anthony, lá lá lá lá. (VIAGEM A CONVITE DA PULLMANTUR)

Monarch ancorado em Curaçau

ONDE FICAMOS

Em tempos de meganavios com camas para embalar os sonhos de 4,5 mil almas ou mais, verdadeiros shoppings centers e praças de alimentação a bordo, o Pullmantur Monarch agradou por estar na contramão: é pequeno e simples. Aos 22 anos, está reformado com olhar clean. Não espere brilho nem cascata de cristal. Um descanso para os sentidos.

A organização dos móveis na cabine é coerente, duas pessoas se acomodam sem se esbarrar muito. Por outro lado, há poucas com varandas. Só mesmo as das quatro categorias superiores, que ficam todas lá no alto, no deque 10, e custam a partir de R$ 3.190 por pessoa. Navio é pirâmide social, quanto mais você paga, mais alto sobe e vantagens tem.

No Monarch, as melhores cabines dão direito de acesso ao The Waves, o camarote vip em formato de lounge onde o que importa mesmo é o Wi-Fi incluído e o solário sem multidão. Porque comida e bebida, que tem no The Waves o dia todo, tem por todo o navio. O sistema é all-inclusive até para bebidas consumidas nos bares fora do horário de refeições e as gorjetas dos funcionários.

Piscina bombando

Para diversão, há o que se espera: piscina com os sempre incansáveis professores de dança (“La mano arriba / Cintura sola / Da media vuelta / Danza kuduro”), kid’s club, quadra, teatro, balada… A comida mediterrânea é gostosa e toda servida no bufê coletivo ou nos dois restaurantes centrais, os do jantar com hora marcada.

  • SAIBA MAIS:
  • Cruzeiro: o roteiro de 7 noites a bordo do Monarch custa a partir de R$ 1.090 por pessoa, em cabine dupla (R$ 1.790 com taxas de serviço e portuárias), em sistema all-inclusive
  • Melhor época: a baixa temporada no Caribe começa agora e vai até o Natal. Na porção sul da região, a umidade só chega entre junho e julho – mesmo assim, é difícil um dia inteiro de chuvas
  • Câmbio: com exceção da Venezuela (R$ 1 = 2,80 bolívares fortes), todo o setor turístico aceita dólares. O troco vem em moeda local

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