Cearense de 2 anos viraliza ao pedir cuscuz na Disney; assista
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Cearense de 2 anos viraliza ao pedir cuscuz na Disney; assista

Mônica Nóbrega

16 Outubro 2018 | 19h15

Está viralizando no Instagram: a menina cearense Maria Júlia Teófilo, que completa 3 anos em dezembro, protagonizou uma cena para lá de fofa ao pedir cuscuz, alimento típico em seu Estado natal, em um dos restaurantes de Walt Disney World Resort.

Com direito a bico e cara de choro, a garotinha repete “eu quero cuscuz”, enquanto sua mãe, Monique Teófilo, responde à filha que “aqui não tem cuscuz”. Na legenda do vídeo postado, Monique ainda brinca: “Criança raiz é assim mesmo: vai pra Disney e fica pedindo pra comer cuscuz”. Na semana passada, a coluna Criança a Bordo, publicada mensalmente no Viagem, abordou as dificuldades na alimentação das crianças em viagem.

Assista ao vídeo da pequena Maria Júlia Teófilo. A foto e os vídeos deste post foram publicado no perfil @jujuteofilo.


Em outros dois vídeos postados pela mãe, a pequena é vista comendo uma “marmitinha” de cuscuz em pleno Magic Kingdom e se negando a dividir o alimento.

 

Leia abaixo o texto publicado na coluna Criança a Bordo:

Socorro, essa criança não come!
Por Mônica Nobrega

Dava gosto de ver. Na mesa ao lado, o casal e suas quatro crianças tomavam o café da manhã. Nos pratos, da bebê de colo ao maiorzinho de uns 8 anos, havia frutas, pão, queijo, cereal, iogurte, ovos, salsicha. Assumo que eu sentia uma pontinha de inveja, e não era por causa da tranquilidade reinante na mesa apesar da, digamos, superpopulação infantil. E sim porque os alimentos iam, pouco a pouco, desaparecendo. As crianças comiam, e comiam muito bem, obrigada. 

Não vi mais aquela família – inglesa, ao que me pareceu – durante o feriadão na estação de esqui Valle Nevado, no Chile. Só ficou mesmo a imagem das crianças em idades tão distintas fazendo uma refeição completa sem drama, e a inevitável comparação com meu próprio filho, que volta e meia “emperra” nessa questão durante as nossas viagens.

Aconteceu com conhecidos em Orlando. Durante três dias o filho de 5 anos não ingeriu nada além do leite em pó levado na mala. E olha que não foi por falta de apelar até para o picolé do Mickey. Tentaram o restaurante brasileiro mais famoso da Flórida, o Camila’s – que tem unidade também em Miami –, mas nem o arroz com feijão foi capaz de destrancar a boca do guri. 

Foi só quando mãe e pai se irritaram e, afogados em culpa (claro), acabaram com a farra do leite, que o menino sentiu a fome bater forte e finalmente se jogou num pratão… De macarrão com queijo, o mac’n’cheese típico dos cardápios americanos. 

Por falar no Camila’s: a gente cria filhos incentivando a curiosidade, o interesse pelo diferente. Mas, no embate entre expectativa e realidade, é bem possível que eles se recusem a experimentar a comida local e você se veja procurando algo mais familiar e neutro. 

Eu adoraria ter alguma dica mágica para dar aqui, mas tudo o que posso dizer é: se for o caso, respire fundo (de dó do seu dinheiro, compreendo e sou solidária) e vá no franguinho, na batata, no arroz. No exterior, a medida emergencial é pesquisar “brazilian restaurant” + o nome do destino. Dá certo praticamente no mundo todo – quanto mais distante do Brasil, maior a probabilidade de que o que o restaurante em questão chama de comida brasileira seja basicamente churrasco. 

Meu filho é maluco por suco de frutas fresco. E não chega nem perto de refrigerante. Antes que você elogie minha capacidade de ensinar bons hábitos alimentares, deixe-me contar do dia em que desembarcamos em Belo Horizonte e a primeira coisa que o menino fez foi pedir um suco. Percorri todos – eu disse todos – os restaurantes e lanchonetes do aeroporto. Nada. Nem um mísero estabelecimento capaz de espremer três laranjas na hora, bater um maracujá, um abacaxi. 

Voltei com um enganoso suco de caixinha, que meu filho colocou na boca, fez uma careta e: “isso não é suco, mamãe, isso é horrível!”. Seria ok se fosse só isso, mas, entre pegar o carro alugado, achar o caminho e chegar a algum outro lugar que vendesse a desejada bebida, foram uma duas horas de “vai demorar para a gente achar suco?”. Ou seja, a boa formação à mesa não necessariamente é um antídoto.

A boa notícia – sim, tenho uma – é que a disposição de crianças para experimentos alimentares varia ao longo da vida. Até os 2, 3 anos, são mais abertas. Aí vem a idade do não, quando é preciso ser firme para impor a rotina alimentar saudável, já que é uma fase importante para a formação dos hábitos. No momento em que me encontro agora, filho de 7, a abertura voltou a aumentar. Agora ele descobriu o lámen, o udon, os macarrões orientais com caldo. Virou sucesso. Olha que avanço.

O mundo virtual está cheio de conteúdos para ajudar as crianças a se interessarem pela comida internacional. A série Daily Bread (“o pão de cada dia”) do fotógrafo americano Gregg Segal, publicada recentemente, mostra o que comem as crianças em uma dezena de países. 

No Instagram, meu filho e eu estamos apaixonados pelo perfil @girleatworld, no qual Melissa, natural da Indonésia, posta fotos de comidas típicas “posando” diante de pontos turísticos e paisagens de lugares pelo mundo. Entre tantos lugares lindos e guloseimas apetitosas, combinamos de criar um perfil sobre comida e viagem para nós dois. Eu não sei se terei paciência para tanto, mas já estou bem satisfeita de ver meu menino fazendo uma lista de coisas que quer experimentar nas nossas próximas viagens.