Conversa de banheiro
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Conversa de banheiro

Mônica Nóbrega

18 Novembro 2009 | 14h45

Você pode achar o assunto escatológico. Eu considero questão de conforto. E de observação das diferenças culturais. Banheiros estão sempre na minha lista de coisas a se prestar atenção em uma viagem.

Os de hotel, por exemplo. Em todo o meu currículo de viajante, posso contar nos dedos de uma mão só os locais de hospedagem que sabiam de verdade para que serve o box. Na hora de projetar as tais portas de vidro, os arquitetos só dão atenção ao design (ou, talvez, ao custo mais baixo). E o resultado costuma ser banheiro transformado em piscina depois do banho.

A França me irrita especialmente no quesito toilette. Outras jornalistas aqui do Viagem & Aventura já encontraram hotéis mais em conta com banheiros bacaninhas por lá. De minha parte, em dez cidades e 14 hotéis diferentes no país, encontrei apenas duas vezes um arranjo mais confortável que a dupla antiquada formada por uma banheira e uma mangueira solta lá dentro. Alguns ainda tinham um gancho na parede, para encaixar a mangueira e fazer de conta que aquilo é um chuveiro desajeitado. Outros, nem isso. Como resultado, mais dilúvio.

No Hotel Queen, em Incheon, cidade na Coreia do Sul ao lado de Seul, encontrei um vaso sanitário high-tech tão cheio de luzinhas que foram necessários alguns minutos até descobrir qual daqueles botões acionava a descarga. Ali mesmo estavam à disposição uma ducha e um jato de ar – com regulagem das temperaturas da água e do ventinho. E o programa de auto-higienização do assento.


Por falar em higiene, os banheiros do aeroporto de Dubai têm toalhinhas umedecidas com desinfetante ao lado do rolo de papel higiênico, para quem quiser garantir a assepsia do assento antes do uso. As moças agradecem.

Nos ger camps da Mongólia, acampamentos onde se pernoita em tendas idênticas às dos nômades que habitam o país, a surpresa é descobrir que o caminhão russo estacionado ali abriga serviço completo: sanitário químico, pia e chuveiro quente.

Caminhão russo adapatado como banheiro no Deserto de Gobbi, na Mongólia

Caminhão russo adapatado como banheiro no Deserto de Gobbi, na Mongólia

Este último item, aliás, dependia dos humores da natureza no Falésia Hotel, em Canoa Quebrada, no Ceará. Simpático em tudo, o hotelzinho me deixou na mão na hora da ducha. Depois de lutar por bons minutos com duas torneiras, telefonei para a recepção. A resposta: o aquecimento da água do chuveiro é feito por energia solar. Sem sol, como foi o caso daquele dia nublado, nada de banho quente.

Na Serra do Cipó, em Minas, comprovei a máxima de que tudo na vida é relativo, durante uma viagem de canoa pelo Rio Cipó com duração de seis dias. Numa noite, acampamos em um sítio ribeirinho muito humilde, no qual sequer havia banheiro. Dona Maria, a proprietária que emprestou seu quintal às nossas barracas, ofereceu também o cano de água que pendia de uma parede lateral da sua casinha de pau-a-pique. E um pedaço de sabonete, item poluente proibido nos banhos de rio. Foi uma das melhores chuveiradas da minha vida.

A casa de Dona Maria, na margem do Rio Cipó, em Minas

A casa de Dona Maria, na margem do Rio Cipó, em Minas

Falo nesse assunto por conta de duas agradáveis surpresas, ambas na Alemanha, na semana passada. A primeira, no Hotel Gotisches Haus, na cidade de Wernigerode. Além de vintage e lindo, o banheiro estava assim decorado:

O banheiro vintage do Hotel Gothisches Haus, em Wernigerode, na Alemanha

O banheiro vintage do Hotel Gothisches Haus, em Wernigerode, na Alemanha

E a segunda, já a caminho de casa, no lounge da Lufthansa no Aeroporto de Frankfurt:

Eu não conhecia semelhante maravilha. Tive vontade de aplaudir.