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Copa 2014: do visual à mesa, Belo Horizonte é só delícia e conforto

Mônica Nóbrega

15 Abril 2014 | 02h40

O aconchego à mineira acompanha fartas porções refogadas, entretenimento e boa dose de boemia

Mônica Nobrega

Talvez seja a comida, um sem-fim de refogados temperados sem parcimônia nem preocupação com dieta. Ou a fala suave do povo, que só no primeiro momento sugere timidez, para logo revelar um ritmo boêmio de levar a vida. Quem sabe o horizonte tomado por montanhas? O caso é que Minas Gerais é uma das porções mais confortáveis do Brasil. E sua capital, Belo Horizonte, anfitriã de seis partidas da Copa, uma coleção de mineirices do passado e do presente.

O circuito turístico para iniciantes está confinado pela Avenida do Contorno, anel que cerca os bairros do Centro, Savassi, Lourdes e mais três ou quatro. O Mineirão, estádio da Copa, fica fora e longe dali, nas vizinhanças da Pampulha, a lagoa-parque-complexo arquitetônico que é o cartão-postal de “beagá”. Atenção: as visitas guiadas ao Mineirão (R$ 14, inclui o Museu Brasileiro do Futebol) serão interrompidas a partir de 30 de abril até a Copa.


O passeio pode até fazer falta, sim, mas não vai diminuir a delícia dos dias em Belo Horizonte. Aliás, se for para a capital antes do início dos jogos, aproveite o tradicional Comida di Buteco, festival que ocorre até 15 de maio lá e em outras 15 cidades do País.

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DIA 1: De olhos (e boca) bem abertos
Um dos ícones arquitetônicos de Belo Horizonte, o Palácio da Liberdade (grátis) foi inaugurado em 1897, no mesmo dia da fundação da cidade, para ser a sede do governo local. Reformado e reaberto aos visitantes em julho passado, é indispensável, da deslumbrante escadaria do hall, em estilo art nouveau, ao salão de banquetes com lustre de cristais. Aberto só em fins de semana e feriados; se não for o caso, a fachada e a Praça da Liberdade, inspirada nos jardins franceses de Versailles, já valem o tour. Por ali mesmo está a unidade mineira do Centro Cultural Banco do Brasil, inaugurada em agosto em um prédio de 1930, com teatro, cinema, artes visuais e música.

Para abrir os trabalhos gastronômicos, comida mineira, claro. O Dona Lucinha é um bufê competente – tente, nem que seja só para experimentar a carne com ora-pro-nóbis, verdura que só tem em Minas. Todo o resto está lá: torresmo, feijão tropeiro, frango com quiabo e angu…

Saindo do Dona Lucinha você estará na Savassi, o trecho mais turístico do bairro de Funcionários. É uma área para bater pernas entre lojas e cafés, que tem seu centro nervoso na recém-reformada Praça Diogo de Vasconcelos. A loja do estilista mineiro Ronaldo Fraga fica na Rua Fernandes Tourinho, 81. Para uma pausa, o Café com Letras é um misto de livraria, espaço cultural e gastronômico.

A parada seguinte é no vizinho bairro de Lourdes, onde estão as lojas mais chiques: vá às Ruas Rio de Janeiro, Santa Catarina e Curitiba. Se der fome, siga para o charmoso A Favorita para comida contemporânea com pretensão. Ou vá de táxi para o trecho norte do centro e ocupe uma das mesas do Café Palhares (cafepalhares.com.br), boteco afinado com o espírito de BH, aberto desde 1938 e cuja especialidade é o kaol, prato com arroz, ovo e linguiça que pode ser acompanhado de pernil, carne, dobradinha ou língua. Por cima vai molho de tomate. Melhor voltar ao hotel a pé.

DIA 2: Passeio de domingo
Aviso: guarde este roteiro para o domingo. Comece no Parque Municipal, no centro, junto ao qual, na Avenida Afonso Pena, são montadas as mais de 2 mil barracas da feira hippie – que de hippie, aliás, não tem quase nada. Moda e decoração são o forte, a preços acessíveis. Até as 14 horas. O Palácio das Artes, centro cultural mais importante da cidade, fica no parque, caso você queira ir a um show noturno.

Próxima escala: Mercado Central, uma imersão no jeito mineiro de ser, com seus ingredientes, cachaças e tradições. Almoce ali (aos domingos fecha às 13 horas) ou siga para a Pampulha, rumo ao Xapuri, restaurante mineiro de Nelsa Trombino, referência no tema.

Se ficou pelo centro, é hora de ir à Estação Central, onde está o Museu de Artes e Ofícios (R$ 5). Ali também fica o Centro Cultural CentoeQuatro, com boa programação artística em um prédio de 1908.

DIA 3: Bate-volta
Não tem como negar: apesar de ficar em Brumadinho, a 60 quilômetros de BH, o Inhotim (de R$ 20 a R$ 30) é, hoje, a principal atração turística da capital. Misto de museu de arte contemporânea e jardim botânico, é passeio para um dia inteiro, no mínimo – leve as crianças. Os ônibus partem da rodoviária de Belo Horizonte às 8h15 (R$ 22,45) e retornam às 16h30 (R$ 22); compre com antecedência.

Outra opção de bate-volta é Ouro Preto, a 100 quilômetros, que guarda o maior conjunto arquitetônico do barroco brasileiro e quilos e mais quilos de ouro na decoração das igrejas. Um dia é pouco: o circuito básico inclui o Museu da Inconfidência e a Igreja de São Francisco de Assis, projetada por Aleijadinho e cuja pintura do forro da nave, de Mestre Ataíde, é a nossa versão da Capela Sistina. Na feira do Largo de Coimbra, em frente, compre enfeites em pedra-sabão. Ali também está o Bené da Flauta, que serve os clássicos feijão tropeiro, tutu, torresmo…

Use o mapa para se orientar. Para ver Brumadinho e Ouro Preto, basta arrastar a tela do mapa com o mouse.