Dez razões pelas quais eu amo viajar aos EUA (e dez pelas quais odeio)
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Dez razões pelas quais eu amo viajar aos EUA (e dez pelas quais odeio)

Adriana Moreira

17 Junho 2015 | 18h51

AS DEZ QUE AMO…

1. Banheiros com protetor de assento

Assim que desembarca no aeroporto você se depara com essa maravilha que vai acompanhá-lo por toda a viagem. Os dias de se equilibrar no banheiro público feminino ficaram para trás. Não importa onde você esteja – até em banheiros-coringa, como do Starbucks ou Mc Donald’s é possível encontrar protetores de assento (ainda que o papel higiênico tenha acabado). Até pouco tempo atrás, a American Airlines também oferecia a proteção em seus voos – agora, só mesmo na classe executiva. Desembarcar em Guarulhos de volta é um choque de realidade: embora os novos banheiros do Terminal 4 estejam reluzentes, nem sinal das folhas.

privada ou vaso sanitário


2. Hambúrgueres perfeitos

Não importa onde você esteja: em uma estrada no meio do nada, na casa de alguém, em uma lanchonete gourmet ou num cassino em Las Vegas. O hambúrguer será excelente em 80% dos lugares, bom em 19% deles e em apenas 1% dos casos estará abaixo desse patamar. A probabilidade de encontrar um ruim ou péssimo é a mesma de você acertar o acumulado da Mega Sena.

hamburger

3. Cosméticos baratos

Nem sou viciada em maquiagem, mas não abro mão do protetor solar e de cremes para o cabelo. Mesmo com o dólar acima dos R$ 3, eles sempre custam quase 50% a menos do que aqui. Esmaltes? A infinidade de cores e marcas em megalojas como Walgreens e CVS são tentadoras (embora falte qualidade em boa parte deles). Há tantas opções por preços bons que dá sempre vontade de experimentar algo novo. Embora não seja exatamente uma novidade, minha última aquisição por lá foi uma maquiagem para pernas – uma espécie de base em spray para igualar a cor e esconder imperfeições ao custo de US$ 16. Aprovado.

4. Faixa de pedestres

Basta se aproximar da faixa para os carros pararem. A preferência é sempre do pedestre e você atravessa sem precisar correr, agradecer à gentileza do motorista ou se sentir culpado. Aqui, apesar do Código de Trânsito Brasileiro dizer que a preferência é do pedestre, os carros nunca param. Quem para é exceção – e o motorista de trás vai buzinar bastante para aquele que parou. Por outro lado, se nos Estados Unidos você atravessar fora da faixa ou com o farol fechado para o pedestre, vai ser bastante xingado – e pode até receber uma multa.

Abbey Road Beatles

5. Outlets 

Toda metrópole tem no mínimo um. E, nas estradas, entre as pequenas cidades, sempre haverá algum também, menor, mas com seu valor. A máxima vale também para o Walmart, que supre sua necessidade de cosméticos, lembrancinhas, presentões, eletrônicos e guloseimas no mesmo lugar e com preços convidativos. Capialismo mode on.

6. Porções gigantescas

O pão de forma tem fatias gigantes, o que faz qualquer sanduíche ter o dobro do tamanho que teria se fosse feito no Brasil.  A batata frita pequena é sempre enorme, o refrigerante idem, assim como o prato de macarrão, o bife, etc. Muitas vezes sobra no prato, o que é triste – mas para dividir com alguém é perfeito. Nas viagens com orçamento apertado também é uma mão na roda: você leva a sobra pra casa e requenta na janta. Quem nunca?

Sanduiche Gigante

7. Frutas vermelhas

Elas não são caras, são maiores do que as vendidas aqui e deliciosas. As frutas vermelhas – ou berries, como eles dizem lá – são minha perdição. Aproveito para comer de todas as formas: nos smoothies (espécie de vitamina de frutas), sorvetes, geleias, puras ou até em molhos gourmetizados, acompanhando carnes ou peixes. Fiquei com água na boca só de escrever.

Frutas vermelhas

8. Pontualidade

Não chega a ser uma pontualidade suíça, mas se você marca um compromisso em determinado horário deve ser pontual – e telefonar para avisar se vai atrasar.

9. Shows

Dos musicais da Broadway (sim, eu gosto de musicais – me julguem) aos shows de Las Vegas, as opções culturais são inúmeras. Vale também fazer uma consulta aos sites de vendas de ingressos (como Ticketmaster) para checar se sua banda favorita fará show na cidade durante sua visita. Foi assim que consegui assistir a uma apresentação do U2 em Los Angeles. Consulte também os sites oficiais de promoção turística das cidades – especialmente no verão, há muitas apresentações e eventos grátis. Fique ligado.

10. Parques e gramados

Qualquer solzinho é motivo para estender a toalha na grama em parques, praças e jardins. Levo sempre a canga na mochila para me acomodar em algum lugar que me pareça convidativo. Se bater fome, basta passar num supermercado ou lanchonete, pedir algo to go (para levar) e almoçar em estilo piquenique.

Parque em Nova York - Central Park

…E AS DEZ QUE ODEIO

1. Controle de segurança nos aeroportos

Essa é óbvia. Sabemos que tudo é para garantir a segurança dos passageiros depois do 11 de Setembro, mas nem por isso temos de achar bacana tirar o sapato no raio X, jogar a garrafinha d’água antes de passar pela segurança (e ter de comprar outra logo depois) ou a falta de paciência dos agentes com os estrangeiros que, muitas vezes, não entendem certas ordens. Sem falar nas perguntas de praxe: “Quem fez sua mala? Ela ficou o tempo todo com você?”. Como o que não tem remédio, remediado está, só resta respirar fundo e fazer tudo exatamente como eles mandam.

Imigração no Aeroporto nos EUA

2. Talheres de plástico

Segurança de novo. Sim, eu sei. Mas cortar um bife com talher de plástico é algo que nem Valeska Popozuda deseja às inimigas. Se não bastasse ser assim no avião, boa parte dos restaurantes nos aeroportos norte-americanos também só oferece garfos e facas aceitáveis apenas em festas infantis. Comida de avião

 

3. Jantar cedo

O sol ainda brilha lá fora e as pessoas já estão na fila dos restaurantes para jantar. Oito da noite é o horário limite para jantar na grande maioria das cidades americanas – vários restaurantes recusam atendimento depois das nove. Tento sempre me programar para comer por volta das 20 horas mesmo, mas no verão fica difícil, especialmente nas cidades costeiras. Quem quer ver o pôr do sol, voltar para o hotel, tomar banho e só depois sair para comer corre o risco de dormir com fome – ou ter de apelar para um Seven Eleven.

4. TV aberta

Nos telejornais, os apresentadores são sérios demais ou tão soltinhos e amigáveis uns com os outros que tudo fica forçado. Os canais têm tanto comercial que às vezes a gente até esquece o que estava assistindo e os programas de auditório são de chorar (não que aqui seja tão diferente). Ainda bem que existem as séries – e quando as emissoras disponibilizam o Closed Caption então, é a glória.

5. Cadê o arroz?

Eu amo arroz. A-M-O. Mas o arroz não acompanha as refeições normalmente – não vem com aquele bife suculento e purê de batatas, nem com o peixinho grelhado, muito menos com o frango ensopado. Para matar minha vontade de comer arroz, apelo aos restaurantes asiáticos – que, ainda bem, estão por toda a parte.

6. Fazer reserva nos restaurantes

Fazer reserva por aqui é coisa rara. Vale para um ou outro restaurante mais refinado, para uma ocasião especial, um aniversário. Nos Estados Unidos, é preciso fazer reserva para jantar em boa parte dos restaurantes, especialmente em cidades turísticas como Nova York, Orlando e Miami. Detesto – prefiro a espontaneidade de decidir onde ir em cima da hora, ou trocar o restaurante planejado por outro que me atraiu assim que passei na frente.

7. Gorjetas e taxas

Tips, tips, tips. O taxista apenas fez seu trabalho – levá-lo de um ponto a outro – mas a gorjeta é obrigatória. Separei o dinheiro certinho, com todas as moedinhas, para comprar um refrigerante no aeroporto, mas o preço era outro: faltavam as taxas. Vamos combinar de incluir nos preços o que é obrigatório e deixar a gorjeta só para quem realmente merece?

Troco e moedinhas

8. Café da manhã

Há quem ame panquecas doces com calda de bordo e geleia, ou ovos com salsicha e bacon no café da manhã. Eu sou adepta do bom e velho pãozinho com manteiga, requeijão, queijo… É difícil encontrar algo simples – o mais próximo é o bagel com cream cheese, que acabo pedindo quase todos os dias.

9. Pontualidade

O que são cinco minutinhos de atraso? Telefonar para avisar que vai atrasar cinco minutos não é algo que estamos muito acostumados. Mas se em Roma é preciso seguir os romanos, nos EUA é preciso seguir os americanos.

10. ID para entrar nos bares

Se alguém pedir sua “ID” para entrar em algum bar ou balada, não quer dizer que você aparenta ter menos de 21 anos. É de praxe (passei dos 30 e já vi pedirem para pessoas bem mais velhas que eu). Em São Francisco, esqueci o passaporte no hotel e não pude entrar no bar com meus amigos – só me restou voltar para o hotel de táxi. Em Los Angeles, levei a carteira de motorista brasileira para um show (algo que já tinha feito dezenas de vezes em outras ocasiões) e demorei dez minutos para conseguir uma cerveja com a atendente, que cismava em dizer que o documento não tinha valor.

Segurança na Balada

 

 

 

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