Em Berlim, a festa de quem ficou fora
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Em Berlim, a festa de quem ficou fora

Mônica Nóbrega

09 Novembro 2009 | 23h35

Às 4 horas da tarde parecia facílimo. Bastava acompanhar o fluxo dos grupos que já seguiam para o Portão de Brandemburgo e, poucos minutos depois, o monumento-símbolo de Berlim estava bem diante dos olhos, cercado por uma arena de festa. Palco, bar, barraquinhas de salsicha com curry, banheiros químicos nas ruas transversais, tudo estava lá.

Mas o início das celebrações estava marcado para as 5 horas e havia muita gente circulando diante da fachada do Parlamento, às margens do Rio Spree, nas calçadas da Friedrichstrasse. Irresistível sair para um passeio, sentir o clima, ver as peças do dominó-Muro que estavam mais longe daquele epicentro do evento. Fui.

Na hora de voltar, o susto: o número de grades havia aumentado muito e já não se podia fazer o caminho mais curto. E, depois de percorrer o mais comprido e chegar a uma nova barreira, soube que ninguém mais tinha autorização para se aproximar da festa. “Tem gente demais”, disse o policial.

A credencial de jornalista e as devidas explicações liberaram a minha passagem, mas não a de milhares de outras pessoas que tiveram de ficar ali, a quatro quadras do palco onde, protegidos da chuva forte, Angela Merkel, Nicolas Sarkozy, Hillary Clinton, Silvio Berlusconi e várias outras autoridades já discursavam. Quando caiu a primeira sequência de dominós, nós não vimos.


Havia ainda uma segunda barreira, a duas quadras do Portão, e dessa eu não fui autorizada a passar. Naquele ponto, parte do público ensaiava um protesto com o refrão “derrubem o Muro”, que não chegou a formar um coro.

Lá pelas 9 horas, quando o frio e a chuva já serviam de pretexto para muita gente decidir ir embora e faltava apenas uma fileira de pedras de dominó para ser derrubada, os policiais retiraram algumas grades. Os resistentes da turma dos sem-Portão avançaram e ouviram-se comentários de “antes que fechem de novo”, outra paródia histórica.

 

Uma última fileira do dominó gigante, um show em playback sofrível do cantor Bon Jovi e o espetáculo pirotécnico formaram a parte que nos coube da solenidade.

 Encerrado o evento no lado leste do Portão de Brandemburgo, Berlim se dirigiu para o oeste sem ninguém para impedir, como há 20 anos. Lá, diante de um novo palco, os berlinenses foram se dedicar a outra coisa que sabem fazer muito bem: dançar ao som de música eletrônica, com o DJ Paul van Dyk, natural da cidade, no comando.

Pariser Platz quase vazia: público foi para o outro lado do Portão ver Paul van Dyk. Foto Mônica Nóbrega/AE

Pariser Platz quase vazia: público foi para o outro lado do Portão ver Paul van Dyk. Foto Mônica Nóbrega/AE

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