Etiópia: Adis-Abeba, capital vibrante e cosmopolita
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Etiópia: Adis-Abeba, capital vibrante e cosmopolita

Fabio Vendrame

15 Abril 2014 | 03h30

O vaivém nas ruas da maior cidade etíope – Fotos: Daniel Nunes Gonçalves

Caldeirão cultural e arqueológico e centro diplomático do continente, Adis-Abeba mistura festivais artísticos contemporâneos a danças tribais com uma autenticidade inconfundível

ADIS-ABEBA

Seu nome completo é Adis-Abeba, mas pode chamá-la intimamente de Adis, como fazem os locais e os muitos estrangeiros que a habitam. Com mais de 3 milhões de habitantes, a capital política da Etiópia se destaca também como capital diplomática de todo o continente: ficam ali os prédios-sede da União Africana (que pode ser visitado sob agendamento prévio) e da Comissão Econômica das Nações Unidas para a África.


O bairro de Bole, onde fica o aeroporto, é também o que concentra o maior número de edifícios empresariais. Ou seja: basta pousar e observar o movimento de engravatados, carros e shoppings para entender que estamos em uma metrópole como tantas outras, dotada de uma vibrante cena cultural.

Foi o universo das artes que levou o jornal New York Times a incluir Adis-Abeba entre as 15 primeiras recomendações da sua lista de cidades a visitar em 2014. Festivais de fotografia, de jazz e de world music estão agendados para este ano. Em março, o Teatro Nacional alimentava filas de espectadores para seu festival de cinema.

Espaços de residência artística, como o Centro de Arte Contemporânea Zoma, e de atuação de coletivos artísticos, como a Galeria Asni, sempre abrem novas exibições. E o jornal já anuncia como blockbuster a exposição Ras Tafari – A Majestade e o Movimento, dedicada ao rei Haile Selassie I e ao Rastafarianismo, que está agendada para maio e junho no Museu Nacional – o mesmo que abriga no acervo permanente os fósseis dos nossos tatatataravôs Lucy, Selam e Ardi.

Museu Nacional guarda fósseis de nossos ancestrais

“Nosso país tem uma riqueza cultural milenar e é impossível não se apaixonar por ela”, defende a colecionadora Selamawit Alene, que comanda com sua irmã, a designer de móveis Saba Alene, a galeria St George. Pausa para uma explicação: extremamente popular no país, o santo que matou o dragão dá nome a lojas, igrejas e à cerveja mais famosa da Etiópia.

O espaço das irmãs Alene, localizado em um casarão centenário, desfila o que há de melhor no cenário artístico etíope. Com peças que custam de US$ 80 a US$ 5 mil, o acervo inclui os belos móveis de Saba, quadros de artistas contemporâneos como Afewerk Tekle e peças tradicionais, entre elas jarras, cestos e pinturas de inspiração cristã.

Por preços bem mais acessíveis, o artesanato etíope pode ser encontrado em barracas de rua na região central ou no Mercato, apresentado como o maior mercado ao ar livre de toda a África. Caótico e barulhento, o labirinto de ruas e vielas repletas de portinhas e vendedores ambulantes comercializa de tudo: de gasolina a roupa de bebê. Mas não deve ser visitado sem guia, pois você não saberia nem por onde começar a andar. Ainda assim, é um retrato vibrante da vida real na periferia de Adis.

Culinária típica. Turistas de primeira viagem vão se sentir mais confortáveis em restaurantes de comida típica como o Yode Abyssinia e o 2000 Habesha. Eles são apenas as opções mais clássicas para conhecer o prato nacional por excelência: as porções de wots sobre a injera (diz-se “injira”).

Simpatia no atendimento é regra em Adis-Abeba

Feito de um grão local chamado teff, a injera é uma espécie de pão fino e esponjoso, servido no tamanho e no formato de uma pizza. Com a mão (direita, sempre), o comensal picota parte dessa massa porosa (disposta também em pequenos rolos à parte) e faz conchinhas para pegar os wots, como são chamados os ensopados acompanhantes e normalmente colocados sobre o próprio disco de injera. Os wots podem ser feitos com legumes, grãos ou pedaços de carne, frango ou carneiro, quase sempre picante, temperado com especiarias e bem saboroso.

Nesses “restaurantes culturais”, a experiência costuma ser brindada com uma dose de tej, espécie de vinho etíope feito à base de mel. No palco são realizadas as apresentações de danças tribais – repare no jeito impressionante de movimentar os ombros. Ainda que o espetáculo-pra-gringo-ver tenha boas performances de cantos e instrumentos tradicionais, vale a pena sair do circuito turístico e curtir um show contemporâneo do chamado ethio-jazz em casas noturnas como o Jazzamba. Coisa de cidade cosmopolita. / DANIEL NUNES GONÇALVES, ESPECIAL PARA O ESTADO

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