Etiópia: Café é orgulho nacional
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Etiópia: Café é orgulho nacional

Fabio Vendrame

15 Abril 2014 | 03h20

Cerimônia do café, experiência clássica para os viajantes – Fotos: Daniel Nunes Gonçalves


ADIS-ABEBA

Nativo das montanhas de Kaffa, perto da fronteira com o Sudão, o café foi uma das maiores contribuições da Etiópia para a sociedade em geral. Pesquisadores acreditam que já era bebido ali no século 10 a.C., e teria ganhado o mundo a partir das relações estreitas da antiga Abissínia com o Egito e o mundo árabe. A primeira rota comercial para transportá-lo teria sido o Rio Nilo, que tem uma de suas origens na própria Etiópia, na região do chamado Nilo Azul. Milênios depois, o café ainda brilha como a principal commodity do país. O fruto da Coffea arabica, espécie que representa 70% do consumo mundial, responde por mais de metade das exportações.

Tanto em cidades grandes, como a capital Adis-Abeba, quanto nos povoados do interior, a cerimônia do café é uma experiência clássica para visitantes. Os grãos costumam ser lavados e torrados na hora, em fogo feito com madeira, diante de quem vai tomá-lo. Depois, o café passa a ser moído em um pilão até que seu pó seja colocado na jebena, uma linda garrafa de argila cujo design varia de acordo com a região do país. Só depois de uns 15 minutos a bebida negra é oferecida nas xícaras – às vezes acompanhada de leite, manteiga ou especiarias –, enchendo de perfume o ar.

Movimento nos cafés da capital

Nas ruas de Adis, um dos melhores cafés do mundo pode ser degustado, sem tanta cerimônia, em pé nos balcões das cafeterias urbanas do bairro empresarial de Bole. “Todo morador de Adis tem sua cafeteria preferida”, conta o agente de viagens Ashenafi Kassa (ashucelebrityethiopia@gmail.com), que me levou para conhecer três delas.

Líder de mercado, a marca Tomoca se reproduz, desde 1953, em várias unidades como se fosse a Starbucks americana ou o Juan Valdez colombiano. Tanto é que a grife tem souvenirs próprios e vende pacotes e mais pacotes para exportação.

No menos pop Cafe Mankira, no vizinho bairro de Piassa, onde ficam hotéis frequentados por mochileiros (como o Taitu), a frequência é de nativos interessados também em assistir a jogos de futebol na tevê enquanto fazem o coffee break do trabalho.

Mais informal, o café Qawa Arada, também em Piassa, mantém um ambiente tradicional no fundo de um corredor discreto. Os jovens clientes, muitos estudantes, se esparramam por sofás baixos em um ambiente de lounge. E a folclórica torra é sempre apresentada por uma bela etíope do jeito original da “cerimônia do café”: no chão. / D.N.G.

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