Força feminina para ver e relembrar
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Força feminina para ver e relembrar

Fabio Vendrame

25 Fevereiro 2014 | 02h30

Elas marcaram época nas artes, na história, na política. Seus legados continuam a atrair turistas – e são boas opções de passeios para celebrar o Dia da Mulher que se aproxima

*Matéria publicada originalmente em 25 de fevereiro de 2014; atualizada em 7 de março de 2017

Foto: André Dusek/Estadão

Cora Coralina
“Que pretendes, mulher?”, questiona Cora Coralina em um de seus poemas. “És superior àqueles que procuras imitar/ Tens o dom divino de ser mãe”. Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (1889-1985) viveu quase um século na casa à beira da ponte sobre o Rio Vermelho, na cidade de Goiás (chamada informalmente de Goiás Velho), onde fazia doces, escrevia poesias e contava histórias. A Casa Velha da Ponte virou museu e tudo continua lá do jeitinho que ela deixou.


Aproveite para visitar o casario colonial, considerado patrimônio mundial pela Unesco. Na Semana Santa, a procissão do Fogaréu é uma tradição desde 1745, em que é simulada a prisão de Cristo.

Nascida em 1889, Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas estudou apenas até a terceira série primária (o que hoje seria equivalente ao quarto ano do Ensino Fundamental). Em 1907, ela funda um jornal dirigida só por mulheres, chamado A Rosa. Ao longo dos anos, escreve artigos e contos para vários periódicos – incluindo O Estado de S. Paulo, em 1921, denominado Ideias e Comemorações (você pode ver o artigo na página do Acervo do Estadão, aqui). Na época, já havia adotado o pseudônimo de Cora Coralina. Seu primeiro livro é publicado em 1956, Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais.

Com diversos prêmios literários, Cora ingressa na Academia Goiana de Letras em 1984. Em 10 de abril de 1985, ela morre de pneumonia. Seu quarto livro, Estórias da Casa Velha da Ponte, é lançado postumamente, em agosto.

 

Foto: Ilvy Njiokiktjien/The New York Times

Anne Frank
Apesar de não ter chegado à vida adulta, Anne Frank (1929-1945), alemã e judia, marcou o mundo ao lutar contra o Holocausto resistindo à sua maneira – escrevendo e registrando em seu diário as impressões sobre os anos que passou presa com a família no porão de um prédio, em Amsterdã, na Holanda, hoje transformado no Museu Anne Frank (9 euros).

É possível comprar o ingresso online e definir seu horário de visitação, das 9h às 15h30, ou  comprar na bilheteria e entrar nesse horário, o último para visitar o museu. Amsterdã tem muitos outros museus que valem a visita, por isso planeje suas opções com cuidado. Você vai querer ver também o Rijiksmuseum  e o Museu Van Gogh.

Anne, seus pais e irmã se mudam para Amsterdã em 1933, amedrontados pela política de Hitler. Mas quando a Alemanha invade a Holanda, em 1940, a família volta a correr perigo. Eles se escondem, com quatro outros judeus, no anexo da casa de uma família em 1942, mas acabam descobertos e presos dois anos depois. De todos que estavam ali, apenas o pai de Anne, Otto, sobrevive.

O diário escrito por Anne ao longo dos anos de esconderijo é entregue a Otto quando ele volta à casa. O sonho da menina era que os escritos virassem um livro, e o pai resolve cumprir o desejo da filha.  O Diário de Anne Frank foi traduzido para diversos idiomas.

Foto: Philippe Wojazer/Reuters

Frida Kahlo
Azul colore as paredes e dá nome à casa onde a artista mexicana Frida Kahlo (1907-1954) cresceu e viveu com o marido Diego Rivera, na Cidade do México. A confortável residência no bairro de Coyacán guarda obras de várias fases, desde os primeiros rascunhos, e algumas relíquias pessoais da pintora. Entrada: R$ 24; museofridakahlo.org.mx.

A Casa Azul onde está o museu também foi a casa dos pais de Frida, e onde ela passou boa parte de sua vida. Os problemas de saúde – teve poliomelite aos  6 anos e sofre um acidente de ônibus aos 18 – influenciaram sua obra. Imóvel na cama, se recuperando do acidente, ela começa a pintar, e muitos dos seus quadros são autorretratos. Foi graças à pintura que conhece Diego Rivera, que já era um conhecido pintor, e se casam em 1929. Juntos, vivem uma tórrida e intensa história de amor, cheia de idas e vindas.

Sua vida e obra valorizam as raízes mexicanas, incluindo seu modo de vestir. Com a saúde fragilizada, morre em 1954, dias antes de ganhar uma homenagem do Instituto Nacional de Bellas Artes, com uma retrospectiva de suas obras.

Foto: Benjamin Lim/Creative Commons

Eva Perón
No coração do bairro mais turístico de Buenos Aires, o Cemitério da Recoleta guarda María Eva Duarte de Perón (1919-1952), a mitológica Evita. O divertido do passeio é encontrar seu mausoléu sem guia – um mapinha do lugar, repleto de monumentos tombados, é bem-vindo. A visita é livre, mas sempre pinta um gaiato atrás de uma contribución.

Primeira-dama argentina durante o governo de Juan Domingo Perón, Evita fundou o Partido Peronista Feminino e deu direito a voto às mulheres, em 1947. Criou a Fundação Eva Perón, onde distribuía alimentos e roupas, o que contribuiu para o nome de “Mãe dos Pobres”. Evita teve participação intensa na política argentina, e morreu prematuramente de câncer de útero. Aqui, um raio X completo sobre a primeira-dama que ainda hoje é aclamada no país.