Galápagos: Rabida, vermelho, vermelhaço
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Galápagos: Rabida, vermelho, vermelhaço

Fabio Vendrame

22 Abril 2014 | 03h10

Rabida, com o Silver Galápagos ao fundo: capriche no protetor solar – Fotos: Adriana Moreira/Estadão


É estranho pensar que um lugar tão cheio de vida como Galápagos seja, na maior parte de suas ilhas, tão agreste. Entre ilhas vulcânicas, rochas, cactos e vegetação ressequida, surge a beleza de pequenos pássaros, caranguejos, iguanas marinhas e terrestres.

Lambuzada de protetor solar, saí para a trilha em Rabida em meio a um sol amigo das fotos e das queimaduras epiteliais. O solo, tão vermelho quanto as minhas costas ficaram no fim do dia, proporcionava um lindo contraste com a vegetação e com o azul-turquesa das águas.

O lago de água salgada que se vê no início da caminhada costumava receber flamingos anos atrás, mas há algumas temporadas eles já não aparecem por lá. “Há uns dois anos vimos alguns poucos aqui, talvez checando a área. Quem sabe voltam?”, disse o guia Dries Degel.

Momento ternura com filhote de leão-marinho

Aliás, o passeio não é tanto para ver animais, mas para se encantar com a paisagem. Não pense que isso faz a caminhada valer menos a pena. Os cenários são mesmo incríveis e, do alto do mirante, você consegue ver cardumes de peixes nadando lá embaixo, tamanha a transparência da água.

Dali vimos também um pelicano descansando, talvez digerindo a última refeição. E dezenas de caranguejos-de-Galápagos sobre as rochas, desfilando seu colorido característico.

Ainda assim, encontramos no caminho um tentilhão-dos-cactos pousado em uma folha espinhenta. Pausa para um pouco de biologia: os tentilhões foram fundamentais para Darwin elaborar a Teoria da Evolução – em cada ilha eles apresentam bicos diferentes, de acordo com o tipo de alimentação que têm disponível.

Vida escassa em terra e em ebulição no mar

E, se a vida era escassa em terra, no mar estava por toda a parte. Arraias, estrelas-do-mar, milhares de micropeixinhos, peixes-papagaio, um pinguim-de-Galápagos (o menor pinguim do mundo, que mede menos de 1 metro de altura) e até tubarões – sim, os temidos tubarões são figurinhas fáceis no arquipélago. Mas, por se tratar de uma área onde há total equilíbrio ambiental, eles não atacam os humanos. Seguem seu caminho, sem nem olhar para nós.

Um macho de leão-marinho pode ser mais perigoso – e um deles também apareceu na água enquanto eu nadava por ali. Melhor sair de fininho.

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