Galápagos: Santa Cruz, no encalço das tartarugas gigantes
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Galápagos: Santa Cruz, no encalço das tartarugas gigantes

Fabio Vendrame

22 Abril 2014 | 03h40

 

Estação de conservação da Charles Darwin Foundation – Fotos: Adriana Moreira/Estadão

Quando Darwin chegou a Galápagos a bordo do Beagle, em 15 de setembro de 1885, ficou surpreso com o tamanho das tartarugas e com as diferenças entre as espécies encontradas em cada ilha. Cerca de 50 foram colocadas no navio – não para serem estudadas, mas para alimentar a tripulação do barco. Quase 130 anos depois, das 11 espécies existentes na época do naturalista, apenas sete não foram extintas.

Na Ilha de Santa Cruz, há duas maneiras distintas de ver os animais. A clássica é na estação de conservação da Charles Darwin Foundation, a uns 15 minutos de caminhada do centro de Puerto Ayora. É quase um minizoológico, com programas de reprodução e reintrodução de espécies. Ali viveu Solitário George, último exemplar originário da Ilha Pinta que, apesar dos esforços de biólogos do mundo todo, não conseguiu se reproduzir. Solitário George foi empalhado – e em breve ficará em exposição no centro onde passou seus últimos dias.


Sem George, a celebridade local agora é Diego – mais conhecido como Super Diego em razão da quantidade de filhotes que colocou no mundo: 1.700! Original da Ilha Espanhola, a tartaruga tem idade estimada em 130 anos e vivia no zoológico de San Diego, Califórnia, antes de voltar para Galápagos. E continua em plena forma.

Os programas da Charles Darwin Foundation são muito bacanas e o centro realmente merece sua visita – dá para ver também tartaruguinhas-bebês, que passam alguns anos ali antes de serem reintroduzidas à natureza. Mas não é o melhor lugar para fotografar os animais. Do outro lado da Ilha Santa Cruz, a 25 quilômetros do porto, o rancho El Manzanillo é uma oportunidade para ver as gigantes em seu hábitat.

Don Hernán Guerrero adquiriu essas terras altas em 1970 e deixou para um irmão usar como área de pastagem para gado. Há dois anos, ele retomou o terreno e decidiu dedicar a área ao turismo. “As tartarugas sempre vieram aqui. São muitas, por toda a parte”, conta. Segundo Don Hernán, de agosto a fevereiro é mais fácil encontrá-las, já que os animais se escondem no calor. Mas, mesmo em um dia de sol a pino, quando como visitei o local, foi possível observar dezenas delas na pequena trilha de aproximadamente 1 quilômetro.

É interessante descobrir que as tartarugas gigantes nascem no nível do mar e levam cerca de 20 anos para chegar à área do rancho de Don Hernán – quando estão prontas para reprodução. A entrada custa US$ 3 – e ele mesmo dá as explicações, em espanhol, caso você não tenha o próprio guia. Agende no e-mail rancho_elmanzanillo@hotmail.com.

 

Pelicanos à espreita por um filé de peixe

Em Puerto Ayora, pelicano faz fila no mercado de peixe

Caminhar por Puerto Ayora, a principal cidade de Galápagos, é uma delícia – desde que, é claro, o sol não esteja a pino. Há um quê de Búzios naquelas lojas descoladas e ateliês graciosos, como o de Sarah Darling, na avenida principal, onde a própria construção tem cara de obra de arte.

Vale a pena gastar alguns minutos no mercado de peixe – mesmo que você não tenha ambições de cozinhar. Uma fila de pelicanos (e até leões-marinhos) se forma atrás dos atendentes, que limpam os pescados na hora, de acordo com o pedido do freguês. Os animais esperam pacientemente por sua porção.

À noite, quando todos retornam dos passeios pelas ilhas, a cidade ganha vida, com bares praianos e bons restaurantes.

Notícias relacionadas

Mais conteúdo sobre:

equadorgalápagos