Gaudí, Vuitton e chocolate
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Gaudí, Vuitton e chocolate

Carla Miranda

05 Novembro 2009 | 21h28

Para os admiradores de arquitetura você pode contar que foi a Eixample vistoriar as Casas Milà e Batlló, obras-primas do delirante Antoni Gaudí. Com os consumistas, use o argumento de que esteve nesse charmoso bairro de Barcelona para conferir vitrines Armani, Burberry e Louis Vuitton. Mas só revele a verdade aos amigos: o arquiteto catalão e as grifes estiveram em seu caminho. O prazer máximo, porém, você encontrou na Cacao Sampaka.

Vitrine parece joalheria Carla Miranda/AE

Vitrine parece joalheria - Carla Miranda/AE

A chocolateria nasceu em 2000, marcada pela estrela de Albert Adrià (sim, o irmão caçula de Ferrán), e utiliza em suas criações apenas o mais puro chocolate cubano, equatoriano, venezuelano, brasileiro… Em tempo: Albert desistiu da sociedade, mas suas invencionices continuam dando o tom.  

A loja de Eixample – o nome significa extensão, em catalão, pois o bairro surgiu quando Barcelona não tinha mais para onde crescer – foi a primeira da grife, que agora tem unidades em lugares tão diferentes quanto Dubai e Tóquio. Quando estiver na esquina da Rambla Catalunya com a Calle Consell de Cent, recém-saído das tais butiques do Paseo de Gracia, reduza o passo. A fachada negra e a vitrine com visual de joalheria podem fazer você passar direto pela Cacao Sampaka. Lembre-se disso e fixe o endereço para não correr riscos: número 292 da Consell de Cent.


 

As joias da Sampaka - Carla Miranda/AE

As joias da Sampaka - Carla Miranda/AE

A entrada já é uma festa, com chocolates de todos os formatos dispostos em cestos retangulares de vime. Há também embalagens com palitos de laranja amarga cobertos de chocolate escuro, amêndoas com chocolate branco, barras de chocolate com flocos de arroz. Enfim, você pode se perder sem antes ver as “joias” da Cacao Sampaka.

São oito coleções. Especiarias, Flores e Ervas, Vinhos, Licores e Aguardentes, e Inovações Gastronômicas estão entre as caixinhas prontas para degustação. Mas você pode montar sua própria seleção, como eu fiz. Minha atenção se voltou primeiro para a seção das inovações. De lá retirei um bombom de trufa negra do bosque, que deixou algo de tempero na boca. E outro de queijo parmesão, de sabor bem pronunciado a princípio, mas que se equilibrou aos poucos. O melhor dessa linha foi o de azeite, que confere textura ao recheio molengo de chocolate amargo.

Na sequência, investi nas Especiarias: pimenta da Jamaica (envolvente), açafrão (perfumado) e café com cardamomo (amarguinho sensacional). As flores foram uma decepção, com um quê de sabonete. Entre as bebidas, palmas para o bombom de cassis, um dos melhores da seleção que fiz naquele dia. O de avelã também agradou.

Antes de você deixar a Cacao Sampaka, vá até o fundo da loja, onde há um pequeno café, e confira o cardápio de chocolates cremosos, nas versões tradicional (cacau 70% e canela), azteca (cacau 80% e especiarias) e suíço (chocolate com chantilly). Uma orgia para chocólatra nenhum botar defeito.