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Giro à beira-mar para lá de revelador

Fabio Vendrame

11 Fevereiro 2014 | 03h20

 

A natureza exibe seus caprichos ao sul de João Pessoa. Pela PB-008, um trecho de 24 quilômetros enfileira paisagens esculpidas pelo vento e redutos quase desconhecidos

JOÃO PESSOA

Quase não se vê chuva na capital paraibana no verão. Quando ela vem, dura tão pouco tempo que nem se diz que choveu. A não ser que você esteja correndo contra o vento em cima de um buggy. E foi exatamente assim que se deu nosso único contato com os pingos d’água por aqui. Ao longo da PB-008, estrada que liga João Pessoa ao município de Conde, obrigatória para quem quer desbravar o litoral sul, sentimos a chuva cortar o rosto, o sol queimar a pele, nos deparamos com comunidades quilombola e sem-teto no distrito de Jacumã, sentimos o cheiro da erva-doce no caminho até a Praia de Tabatinga e tivemos o maior contato possível com a natureza em Tambaba.


Cabo Branco – Nosso ponto de partida foi a praia de Cabo Branco, onde ficamos hospedados. É aqui que se concentra a maioria dos hotéis, dos mais baratos aos mais sofisticados (a diária para casal varia entre R$ 240 e R$ 400). A localização vale a pena: são inúmeros restaurantes, bares e quiosques ao longo da orla. Mesmo na alta temporada, não há disputa por um lugar ao sol. Assim como em Tambaú, Manaíra e Bessa, praias mais ao centro, Cabo Branco permite a prática de atividades esportivas e de lazer logo nas primeiras horas do dia, quando a avenida à beira-mar fica fechada para carros, das 5 às 8 horas. Mas muita gente prefere aproveitar as areias e o calçadão à noite, quando o sol baixa a guarda.

Barra do Gramame – A primeira parada do nosso passeio não poderia ser mais familiar. À mesa, moradores da região que trabalham no serviço local comem o típico cuscuz com ovo e inhame de café da manhã, com um cafezinho. Barra do Gramame, no município de Conde, é parada obrigatória dos buggys, que ficam por cerca de uma hora no local para que o turista aproveite o sol e o encontro de rio e mar.

Praia do Amor – Não há muitos banhistas por aqui. Casais ou pessoas à procura de um par, sim. É que reza a lenda que se duas pessoas passarem juntas embaixo do arco de arenito em formato de coração, o amor durará para sempre ou surgirá em breve. Superstição ou não, o fato é que todos que visitam a praia passam por ali. Afinal, não custa nada e mal não há de fazer.

Coqueirinho – “Vocês acreditam em Deus? Então fechem os olhos e confiem em mim”, pede Tiba, o motorista do buggy que atravessa estradas de terra onde carros comuns teriam dificuldade para passar – mesmo quem tem um 4×4 precisa conhecer bem as trilhas e consultar a tábua de marés para não se perder ou atolar na areia. Não arriscamos desobedecê-lo, já que a promessa era uma agradável surpresa. Do alto do Mirante do Dedo de Deus, e cercada por coqueiros de ponta a ponta, a Praia do Coqueirinho por si só faz valer a ida a João Pessoa. Melhor ainda descobrir, já dentro de suas águas mornas e esverdeadas, que o tato é tão prazeroso quanto a visão. Também em Coqueirinho, o poder da erosão por água e vento tratou de moldar uma das grandes belezas do litoral paraibano. A maré estava baixa, o que nos permitiu passar pela areia da praia com o buggy em alta velocidade antes de invadir o Castelo da Princesa, feito de argila, em várias cores. Os leigos chamam de cânion, mas o fenômeno em questão é a voçoroca. O calor parece aumentar e uma leve sensação de sufoco bate quando se está cercado por tais formações rochosas. Ali não faz nenhum barulho se você conseguir ficar apenas um minuto em silêncio.

Tambaba – Você tem a escolha de entrar na água com ou sem roupa. Na praia naturista mais famosa do Nordeste, uma grande rocha se coloca entre os dois lados da piscina natural. Sua pequena extensão não inibe o movimento por lá. É curioso ver a quantidade de pessoas que tentam dar uma espiadinha e pensam duas vezes antes de subir as escadas de madeira que levam ao local onde se despir por completo faz parte da regra. Pode até ser difícil para principiantes ir até a “parte B”, o lado nu de Tambaba. Mas a tranquilidade dos vários casais, a maioria de meia idade, e das famílias que se espalham pela areia traz conforto. “O preconceito está na cabeça das pessoas. É preciso desassociar o sexo do nudismo, são coisas diferentes”, disse o sergipano Barreto, que visitava a praia pela terceira vez. Mas nem só pelo lado naturista vale a pena conhecer o lugar. A “parte A”, porta de entrada para todos, é linda e reserva boas recordações. Até para quem quer só fingir que tirou a roupa. O artista Aimós marca ponto ali e, por R$ 2, tira fotos de qualquer um que se posicione atrás de duas telas pintadas com corpos nus esculturais. O preço cobre a foto e as boas risadas que você dará ao conhecer o trabalho criativo do paraibano. / BRUNA TONI

A bordo de um buggy, oito horas de boas emoções

O passeio de buggy deve ser marcado com ao menos um dia de antecedência e você pode escolher percorrer o litoral norte ou sul, e ainda outros roteiros que vão além das divisas do Estado. Em média, o custo é de R$ 300 para quatro pessoas. Reserve um dia só para esse programa, já que são oito horas de aventura e diversão, com paradas para petiscar e almoçar – a Praia do Coqueirinho é a que tem mais opções, além de Jacumã, que conta com o famoso A Arca de Bilú, um restaurante rústico e muito acolhedor, bem pertinho da praia naturista de Tambaba. E uma observação importante: certifique-se de levar no bolso dinheiro em espécie para o dia todo, já que muitos locais, inclusive as barraquinhas de souvenir, ainda não aceitam cartões de débito ou crédito. / B.T.

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