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Grandes notícias, pequenas nações

Tania Valeria Gomes

25 Junho 2009 | 12h11

A noticia ainda não está confirmada, mas já causa uma nova onda de curiosidade nesta redação: mr. Miles parece estar de malas prontas para vir ao Brasil nos próximos dias. Diz-se que, dessa vez, finalmente dará o ar de sua graça aos companheiros de trabalho deste caderno, com os quais há anos comunica-se por vias indiretas. O viajante britânico — como se sabe —, é um grande entusiasta das coisas brasileiras. Desta vez, contudo, viria com o objetivo específico de prestigiar o lançamento do livro de seu velho amigo Ronny Hein, que estará autografando, na próxima segunda-feira, o volume O Olhar do Hipopótamo, coleção de divertidas e emocionantes aventuras de viagem ao redor do mundo. Consta que, em muitas delas, mr. Miles esteve presente, emprestando o brilho de sua experiência.
Procurado por este caderno, Ronny Hein não confirmou a presença do viajante inglês, mas garantiu já ter encomendado um pequeno estoque de garrafas de single malt, caso seja honrado com a sua visita e, eventualmente, a de sua cadelinha Trashie.
A seguir, a pergunta da semana:

Sr. Miles: como classificar lugares como Andorra, San Marino, Luxemburgo, Vaticano e outros quetais, já que eles não são territórios ultramarinos? Poderiam ser países? De qualquer forma, são adoráveis…
Sergio G. Sequeira, por email

Well, my friend, no universo das nações, tamanho não é documento. Por essa razão, chamem-se Principados, Reinos ou Repúblicas, há uma quantidade expressiva de very small places que, in fact, são países. Ou seja: possuem administração oficialmente autônoma, bandeira própria e hino nacional. Emitem selos, passaportes e possuem legações estrangeiras. Alguns deles até participam de competições esportivas internacionais, nas quais invariavelmente obtém resultados pífios.
Na minha modesta opinião, fellow, são apenas uma divertida curiosidade e um interessante anacronismo. Conhecer as condições históricas que propiciaram independência a essas nanonações é, em geral, very amazing. Na raiz de cada uma delas — exceto a de ilhas e arquipélagos minúsculos que permaneceram independentes pela via do isolamento —, sempre há razões curiosas. Algum conde que escondeu-se atrás da perpétua neutralidade, outro que soube beijar a mão de seus vizinhos com lábios de mel, um terceiro que fez seu feudo fingir-se de morto em algum vale esquecido entre montanhas impenetráveis.
Nowadays, dos seis menores países do mundo, quatro ficam na Europa e dois deles são muito poderosos: Monaco, a capital dos milionários who doesn’t like to pay taxes e o Vaticano, séde de uma igreja que, unfortunately, separou-se da Church of England em 1534. Os outros são San Marino — uma colina na Itália —, e Liechtenstein, entre a Áustria e a Suíça.
Por casualidade, tenho muito mais amigos no principado dos Grimaldi (que, confesso, frequentava mais assiduamente quando Grace Kelly insistia em me convidar), do que nos monastérios do Vaticano, onde outrora ia para praticar meu latim, mas já não encontro interlocutores.
O terceiro menor país do mundo fica na Micronésia, as you know. Nauru é, também, a menor República do mundo. Conheço bem seu presidente, o briguento Ludwig Scotty que, in fact, está tentando impedir que seu minguado país diminua ainda mais. O problema é que, por décadas, a ilhota rica em fosfato vem sendo escavada por mineradoras. De tal forma que o seu pequeno interior tornou-se um imenso buraco, obrigando a população a viver em um estreito anel à beira-mar. Se nada mudar, Nauru pode acabar menor que o Vaticano. E, for Christ Sake, não vai adiantar nada reclamar com o bispo.