Grécia: Novo Museu da Acrópole recria fachada do Partenon
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Grécia: Novo Museu da Acrópole recria fachada do Partenon

Fabio Vendrame

01 Abril 2014 | 03h20

Restauração inédita na fachada do Novo Museu da Acrópole – Fotos: Thiago Momm

ATENAS

Desde 2009, é um ultraje ir a Atenas sem visitar o Novo Museu da Acrópole. Por vários motivos. Pela arquitetura, pela curadoria, pela recriação inédita da fachada do Partenon. Porque o acervo é maior que o do museu antigo, mas continua abarcável, não deixando o remorso não-vi-muita-coisa de um Louvre, British ou Hermitage.

As paredes externas e muitas partes do piso envidraçadas criam um diálogo com a história em torno do museu. Olhando para o norte se vê a Acrópole a 300 metros; olhando para baixo, as construções atenienses de 3000 a 1200 a.C. reveladas durante as escavações (polêmicas) do próprio edifício e da estação Acrópole do metrô.


Existem também os atrativos subliminares. A rampa do começo da visita faz referência à subida da Acrópole não só pela inclinação como porque ali ficam os objetos encontrados nas encostas da colina. O terceiro andar, onde está a Galeria do Partenon, foi retorcido em relação ao resto do edifício para repetir a orientação geográfica do Partenon em si. As medidas do monumento e a ordem dos objetos na fachada também se repetem.

Assim, pela primeira vez desde 1801, ano dos ladinos saques de Lord Elgin, o friso de 160 metros e 115 blocos recria na sequência a narrativa das panateneias, as festas em homenagem à deusa Atenas. Ok, isso graças à grande parte do friso refeita em gesso como substituição.

Dos originais, facilmente distinguidos pela cor ocre, o Novo Museu da Acrópole mantém 50 metros. Outros 80 metros estão no British Museum, e fragmentos restantes, espalhados por diversos museus. Ver completa a história de quase 600 deuses, humanos e animais, em todo caso, é o que mais vale.

Entre as estátuas do primeiro andar, as que geram mais minicolmeias de visitantes são as korai (moças), do século 6.º a.C., distintas por causa dos vestidos elaborados, penteados e cores. Em algumas, parte da pigmentação segue visível. Para relembrar o colorido original, o museu exibe duas korai novas ao lado das antigas, além de oferecer um faça-você-mesmo virtual.

Cariátides. Outro destaque são itens de três dos edifícios mais importantes da Acrópole, o Propileus, o Templo de Atena Nike e o Erectéion, que podem ser vistos ainda hoje. No museu do terceiro estão cinco das seis cariátides originais (no edifício ficam cópias) – há ali um vazio aviltante porque a sexta está no British Museum.

Templo de Dionísio e vista de Atenas

A Galeria das Encostas da Acrópole ladeia a rampa do início. À direita ficam desde os vestígios iniciais de vida na colina, no final do neolítico (4 mil a.C.), até os últimos anos de dominação romana (século 5.º).

Os itens mais elaborados estão nas vitrines à esquerda. São dos santuários de Ninfa, Asclépio e Dionísio. Ninfa era a patrona dos casamentos, mas mesmo os alérgicos se aproximam dos loutrophoroi, os vasos alongados bonitões usados nas cerimônias. Neles era carregada a água para o banho nupcial da noiva e estão representados, além de episódios ligados ao casamento em si, temas mitológicos.

Dedicatórias em relevos do santuário de Asclépio, deus da medicina, mostram pacientes se aproximando dele e esperando por curas milagrosas. De Dionísio, o despirocado deus cultuado nas festividades que originaram o teatro, os destaques são uma máscara e uma estátua em que ele, bebê, é segurado pelo ebrioso Sileno.

Os objetos são não só do santuário, mas também do teatro de Dionísio, visita imperdível na subida da Acrópole. No segundo andar fica a loja do museu e um café aberto diante da própria colina. / T.M.

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