Irlanda: de gole em gole, o mapa da mina em Dublin
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Irlanda: de gole em gole, o mapa da mina em Dublin

Fabio Vendrame

08 Abril 2014 | 03h50

Tour da Guinness, programa irrecusável em Dublin – Fotos: Ana Carolina Sacoman/Estadão


DUBLIN

As dicas de viagem mais preciosas, para mim, são os pequenos tesouros em formato de restaurante que a gente acaba descobrindo num país diferente. Um sabor inesperado ou um aroma que, quando sentido de novo, vai te transportar para aquele lugar fofo e de preços ótimos que você só compartilha com os amigos íntimos. Pois bem. Em Dublin a coisa muda um pouco de figura. Não que não haja restaurantes bons, bonitos e baratos por lá, pelo contrário, mas, veja bem, o esporte nacional aqui é… beber! Então, encher a barriga acaba ficando um pouco em segundo plano.

Por isso, além dos já falados pubs de Temple Bar (eu amei o Bad Bobs, com três andares, música ao vivo e cerveja a preço amigo), você precisa investir em dois roteirinhos etílicos incríveis. O primeiro é a Guinness Storehouse, templo hi-tech de sete andares dedicados à mais famosa das cervejas escuras do mundo. O prédio fica na St. James Brewery, onde a Guinness é fabricada desde 1759, daí o cheirinho de cerveja no ar…

Conheça a fábrica onde a stout é produzida desde 1759

Os primeiros andares são dedicados a Arthur Guinness, o fundador da cervejaria. Depois, o visitante pode aprender a tirar seu próprio pint, cozinhar com Guinness, comprar (a loja é uma infinidade de cacarecos adoráveis) e, finalmente, apreciar o panorama do Gravity Bar. Ali, no último andar, o bar envidraçado possibilita uma vista de 360 graus da cidade. Pegue a sua Guinness (todo mundo ganha um pint na compra do ingresso) e gaste um bom tempo.

Aliás, convém mesmo aproveitar sua Guinness no lugar em que ela está mais fresquinha. Segundo o nosso guia entendido do assunto (quase todo irlandês é ou jura ser), ela dura, no máximo, 55 dias sem alteração de sabor, cheiro e cor.

Outro tour na mesma linha é o da destilaria Jameson. Eu, francamente, não gosto da bebida, mas adorei o passeio, que começa com um filminho bem feito contando a história de John Jameson e seus filhos, fundadores da fábrica, em 1780.

Depois, um guia empolgadaço leva os visitantes para conhecer como era o processo artesanal de feitura da bebida, incluindo as tais das três filtragens, uma espécie de slogan da marca. Por fim, uns sortudos escolhidos pelo próprio guia participam da degustação, em que duas doses de outros uísques são colocadas ao lado de uma de Jameson para que você teoricamente comprove por que o processo de filtração tripla é tão importante.

Visita à Jameson Distillery

Todos ainda ganham mais uma dose pura de Jameson ou um drinque feito com a bebida. Tentei tomar o meu, mas, definitivamente, uísque não é para mim (desculpe, mr. Miles). Na mesa, porém, todo mundo estava bem feliz.
No fim do tour ainda tem uma loja (menor do que a da Guinness, mas simpática) com coisinhas temáticas. Os quadrinhos de metal com antigas propagandas da destilaria são fofos e, claro, para quem não está de brincadeira, os uísques e suas mil encarnações (12 anos, 18, edições especiais, etc) estão à venda, para você encher a mala.

Bom apetite. Antes que me acusem de promover o alcoolismo entre os leitores, vamos às delícias locais. Alguns restaurantes têm decoração meio extravagante-tropical que acaba sendo divertida, especialmente quando, depois de uma portinha vermelha despretensiosa, você encontra uma mistura que pode ser definida como “sonhos de um sultão das mil e uma noites na terra do pavão dourado”. Tudo de bom gosto, sem perder o humor.

Eu adorei a versão do early bird, ou jantar mais cedo, lá pelas 18 horas, e mais barato. Quase todo lugar tem, e as opções vão de pizzas a 10 euros a três pratos por 30 euros, sem bebida. Eu experimentei a versão do Eden Bar e Grill, que faz a linha pavão dourado, em torno de 20 euros (dois pratos) ou 25 euros (três pratos). Pedi um nhoque, que veio no ponto. Quem optou por sopa, salada, risoto ou carne também não fez feio.

Para uma coisa mais chique, o restaurante The Brasserie, do novíssimo cinco-estrelas The Marker, é obrigatório. A comida é divina, para falar o mínimo, e o serviço, perfeito. O restaurante prioriza ingredientes locais e fresquíssimos. Precisa dizer mais? Sim. É maravilhoso. Pedi coelho de entrada e filé com cogumelos Portobello como prato principal. O melhor? Não é nada caro. O almoço com dois pratos sai por 27 euros (ou 30 euros, se forem três), sem bebidas. Faça reserva.

Espaço para relaxar na cobertura do The Marker

No topo, o hotel tem um bar no estilo do Skyie, em São Paulo, com bela vista e sofás para relaxar. O The Marker tem 187 quartos, com diárias a partir de 339 euros.

Na linha “simpatia é quase amor”, o KC Peaches é a pedida. Descolado, funciona no esquema self-service. Faz a pinta “seminatureba”, não tem refrigerante, só sucos (bons). Atenção: a vitrine de sobremesas é de babar.

E, se você for para as bandas do Castelo Malahide, o Gourmet Food Parlour fica no meio do caminho. Sanduíches fresquinhos são a melhor pedida. De sobremesa, a incrível banoffe pie, torta de banana com caramelo que é uma bomba calórica de alegria instantânea. / A.C.S.