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Legado português da capital que cresceu do centro para a orla

Fabio Vendrame

11 Fevereiro 2014 | 03h30

 

JOÃO PESSOA

Lá estava o Rio Sanhuá, um dos principais afluentes do Rio Paraíba, alguns metros abaixo dos nossos pés. Nossa localização era estratégica: a parte externa da entrada do antigo Hotel Globo, no centro histórico pessoense. Dali é possível ver de perto o encontro dos séculos. Passado e presente se misturam em uma história peculiar no Nordeste.

Foi às margens do Sanhuá que João Pessoa ganhou vida, lá pelo ano de 1585, quando os portugueses, tentando desviar dos arrecifes (80% do litoral paraibano é tomado por eles), acabaram encontrando no rio uma chance de conquistar território. Por isso, diferentemente das demais capitais nordestinas, a pequena cidade cresceu do centro para a costa, particularidade que ajudou a preservar boa parte de sua natureza litorânea, mais explorada há duas décadas.


Durante algum tempo, turistas não poderão entrar no Hotel Globo, fechado para reforma. Lá, o empolgado professor de história Jorge de Carvalho, que participa do projeto Porto do Capim de revitalização do centro, mostrou a maquete de como deverá ficar a parte mais antiga da cidade daqui a alguns anos.

Patrimônio. Há muito por conhecer pelas ruas de paralelepípedo do centro, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Patrimônio Cultural Nacional. A passagem por lá foi rápida, mas intensa.

Sob o sol forte, que exige chapéu e protetor solar, fizemos a rota sacra. A começar pelo Centro Cultural São Francisco, criado em 1979. O complexo arquitetônico é formado pela Igreja de São Francisco e o Convento de Santo Antônio, fundado pelos franciscanos no século 16, mais o claustro, a Capela de São Benedito e a Casa da Oração. Juntos, remontam às obras coloniais portuguesas do período barroco. Vá com guia. Entrada a R$ 4.

Passe pela Igreja e Mosteiro de São Bento, dos séculos 16 ao 18, e caminhe pelo jardim interno da setecentista Igreja Nossa Senhora do Carmo, na simpática Praça do Bispo. Seus azulejos azuis portugueses dão mais charme à construção que, do lado de fora, é acompanhada pela Igreja de Santa Tereza, ao lado direito e, ao lado esquerdo, pelo Palácio do Bispo.

Na terceira cidade mais antiga do País, uma tarde é suficiente para passar ainda pela Casa da Pólvora, de 1710. Quem puder estender o passeio, deve voltar ao centro para se divertir. A dica é musical e vem dos moradores: aos sábados, a Praça Rio Branco recebe o Sabadinho Bom, evento que reúne chorinho e samba. A entrada é livre, há cadeiras espalhadas para quem não se arrisca a dançar no chão irregular e a farra dura a tarde toda (das 13 às 17 horas). Em junho, o samba cede espaço ao forró, e o centro entra no clima da festa junina com o Forrozinho Bom. / B.T.

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