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Lua-de-mel nas Seychelles

Tania Valeria Gomes

19 Junho 2009 | 10h28

Após ter voltado de sua curta viagem à Montserrat, o incálculável viajante britânico encontrou, em sua caixa de correio, a edição de Viagem e Aventura com a estréia da coluna Viajante Profissional, de Ric Freire. Do Condado de Essex, mr. Miles envia suas saudações ao novo colunista do caderno, afirmando que “as indicações de um profissional serão, for sure, um desejável e útil contraponto às colocações deste viajador que vos fala, um incorrigível amador movido pela paixão de conhecer e revisitar o imenso quintal que — às vezes esquecemos —, pertence a todos nós. Welcome on board, mr. Freire!”
A seguir, a correspondência da semana:

Querido mr. Miles: vou me casar no segundo semestre e estamos pensando em viajar de lua-de-mel para as ilhas Seychelles. O senhor já esteve lá?
Tainá Sheba, por email

Of course, my dear. Adoro as Seychelles. Permita-me dizer que sua escolha é formidável, ainda que pouco original. Milhares de casais praticam as agradáveis peripécias de honeymoon nesse arquipélago de 115 ilhas, que outrora foi uma base de corsários no Oceano Índico. Inclusive, I must say, a lot of brazilian couples, cuja presença era mais constante logo depois que aquele vosso presidente de breve mandato…Fernando Collor, if I remember, também fez sua viagem de núpcias nas pequenas jóias do Índico.
Tenho visitado Mahé, Praslin e La Digue — as ilhas principais — com alguma frequência. Em parte, porque há poucas praias tão estonteantemente belas quanto a Source D’Argent, em La Digue, que me foi apresentada pela lovely Silvie (N. da.R.: Silvie Kristel, atriz holandesa), que ali filmou a segunda parte de Emmanuelle. Do you remember?
Source d’Argent, a par de suas águas cristalinas e da areia branca como a das melhores praias brasileiras, é emoldurada por rochas muito diferentes, que parecem esculpidas por Rodin.
As outras razões que me fazem voltar às Seychelles são meus velhos amigos. Brendon Grimshaw, que conhecí trabalhando na Fleet Street, em Londres, é, desde 1963, um velho caçador de tesouros. Comprou a ilha Moyenne, quase encostada em Mahé e gasta o tempo cavocando minuciosamente cada pedaço de seus domínios em busca de um suposto tesouro escondido pelos piratas. Sempre lhe digo que a verdadeira riqueza é própria a ilha que adquiriu por oito mil libras. However, my dear Tainá, consigo compreendê-lo. O que seria de um homem sem algo para buscar? Don’t you agree? Se você tiver a oportunidade de vê-lo, envie-lhe minhas recomendações.
Também vou muito para Bird Island — que fica há meia hora de vôo de Mahé —, que é uma ilhota quite wild, com um resort confortável. Você deveria visitá-la, darling. É ali que vive Esmeralda, a mais velha tartaruga do mundo, um simpático quelônio de presumíveis 215 anos. Esmeralda é um dos símbolos nacionais das ilhas Seychelles e, well, tem o tamanho de uma mesa para apoiar copos de whisky. Trashie, minha cadelinha siberiana, dá-se muito bem com ela. Talvez porque, apesar do nome, Esmeralda seja um macho. Nevertheless, garanto-lhe que a relação entre ambos é de pura (e muito vagarosa, I’m afraid) amizade.
Paixões tórridas e juras de amor ficam mesmo para honeymooners como você e seu futuro marido, a quem, desde já, envio meus votos de uma vida feliz, repleta de descobertas como essa.