Machu Picchu: descoberto novo trecho do Caminho Inca
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Machu Picchu: descoberto novo trecho do Caminho Inca

Arqueólogos encontraram trajeto até então desconhecido da Trilha Inca que proporciona um ângulo diferente da cidade de pedra

Fabio Vendrame

09 de junho de 2014 | 12h43

Ângulo até agora inédito de Machu Picchu – Fotos: Dirección Desconcentrada de Cultura de Cusco

Fábio Vendrame

Machu Picchu não para de surpreender. Ao público que a visita, aos investigadores que a estudam. A mais recente novidade, revelada semana passada, foi a descoberta de um novo trecho do Caminho Inca que proporciona um ângulo até então inédito da cidadela. “Ainda não dá para apreciar a totalidade do trajeto, que está coberto em grande parte por vegetação, por isso os trabalhos de limpeza continuam para que se desobstrua completamente esse trecho”, comentou às agências internacionais o chefe do Parque Arqueológico de Machupicchu, Fernando Astete.

Situado entre Wayraqtambo (Tambo de los Vientos), entre os sítios arqueológicos de Wiñay Wayna e Intipata, o trajeto tem cerca de 1,5 quilômetro de extensão, conta com largura de 1,20 a 1,40 metro, a depender da geografia do entorno, e destaca um túnel de 5 metros cujo teto está revestido com pedras lavradas para evitar desmoronamentos – técnica recorrente nesse tipo de construção inca. “Verificamos que o túnel foi feito depois que o caminho principal colapsou, motivo pelo qual os incas fraturaram a rocha e abriram a passagem, numa mostra inequívoca da genialidade da engenharia incaica”, disse Astete.

Túnel aberto na rocha tem cinco metros de extensão

A via serpenteia pelas montanhas do Vale do Rio Urubamba, a uma altitude média de 2,7 mil metros sobre o nível do mar. Desde ali também podem ser observados a estrada usada pelos ônibus que levam turistas de Águas Calientes a Machu Picchu, a montanha de Huaynapicchu (que emoldura a cidade de pedra), o Apu Putucusi e o próprio Rio Urubamba. Integra um amplo sistema de caminhos incaicos chamado Qhapaq Ñan (Caminho Supremo, em quéchua) que se extende por mais de 40 mil quilômetros e interliga territórios hoje pertencentes a Colômbia, Equador, Peru, Bolívia, Chile e Argentina.

Parte da rota alternativa pavimentada que permaneceu escondida na mata por mais de 500 anos

Os governos desses países criaram um plano gestor conjunto e reivindicam o reconhecimento da rota como Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco, o que deve ser ratificado em breve. Pesquisadores já identificaram que a cada sete quilômetros havia uma pukara (posto de vigilângia) e a cada 21, um tambo (local de pousada e provisões, onde os viajantes podiam descansar e recarregar as energias antes de seguir viagem).

Após ser desobstruída, a nova rota poderá se tornar opção de desafogo à Trilha Inca, cuja carga máxima permitida atualmente é de 500 pessoas por vez – incluídos aí turistas, guias, carregadores e cozinheiros. Ainda na semana passada, o vice-ministro peruano de Cultura, Luis Jaime Castillo, disse que até o fim de 2014 a visita a Machu Picchu, restrita hoje a 2,5 mil pessoas por dia (incluindo quem chega a pé), deverá passar a ter dois turnos, manhã e tarde. “A ideia não é fazer com que mais gente vá a Machu Picchu, mas distribuir adequadamente a afluência diária. Hoje em dia, 90% das visitas são feitas na parte da manhã”, explicou, descartando que a medida resultará em um aumento no número de visitantes. Os horários e a maneira como será feita a divisão por turnos está em estudo pelo Ministério de Cultura.

A receita anual proporcionada pelo ingresso de turistas a Machu Picchu supera 1 milhão de nuevos soles (cerca de US$ 350 mil), suficiente, segundo a direção do Parque Arqueológico, para os trabalhos de manutenção e de investigação. A entrada custa US$ 50 para estrangeiros e metade desse valor para peruanos (cusquenhos têm entrada livre aos domingos).