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Miniguias da Copa: Cuiabá

Adriana Moreira

29 Abril 2014 | 02h42

Adriana Moreira

Rússia x Coreia do Sul, na Arena Pantanal, é um dos poucos jogos da Copa com ingressos para quase todos os setores. Se você ainda não comprou seu tíquete, pode ser a chance de ver uma partida do Mundial e, de quebra, aproveitar para dar uma esticadinha a partir de Cuiabá: a Chapada dos Guimarães está logo ali e, com mais tempo, vale seguir rumo ao Pantanal – o inverno, mais seco, é uma boa época para safáris fotográficos.

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Ao contrário da maioria das cidades-sede, os preços das diárias dos hotéis não estão absurdamente altos, embora o número de quartos disponíveis esteja diminuindo. Dá para ficar num três-estrelas ok pagando uma diária de R$ 350, para dois (piscina é fundamental). Mesmo no aéreo, é possível encontrar bons preços para passar uma semana – Gol e TAM vêm realizando promoções e é bom ficar ligado: devem vir outras por aí. A cidade, contudo, está em obras, e o transtorno se reflete no trânsito.

A capital mato-grossense é conhecida por seu clima quente e úmido. Em junho, as temperaturas costumam seguir altas, com 27 graus, em média – que podem cair a 17 graus à noite. Mas a umidade dá um alívio, e as chuvas são raras. Justamente por causa do calor, as atividades na cidade começam à tarde, e a noite é sempre vibrante. Veja o que fazer por lá.

 

Dia 1 – Raio X da Cidade

Comece o dia com um café da manhã tipicamente cuiabano. Às terças, quintas, sábados e domingos, a pedida é o bolo de arroz de dona Eulália (o mais famoso da cidade), que há 50 anos prepara a mesma receita, servida na Rua Professor João Félix, 470. Ela começa cedinho, às 5h30 da manhã, e atende até as 10 horas durante a semana e 11 horas aos sábados e domingos.

De estômago forrado, é hora de conhecer alguns dos programas básicos de Cuiabá, como o Museu do Morro da Caixa D’Água Velha (Rua Comandante Costa, s/nº), que funciona em uma caixa d’água desativada na década de 1960. Erguido em 1882, o local conta com mostras temporárias de artistas locais. Outra pedida é a Casa do Artesão (Rua 13 de Junho, 315), com sete salas temáticas (há uma só de artigos indígenas) – além de observar, é um ótimo ponto para comprar lembrancinhas e doces típicos.

Aposte nos pescados na hora do almoço: a Peixaria Popular (Av. S. Sebastião, 2.324) serve a mojica, prato tradicional com pedaços de peixe cozidos com mandioca em seu rodízio (de R$ 24,90 a R$ 35,90). Bem recomendada, a Lélis Peixaria também tem rodízio (R$ 73,90).

À tarde, complete o city tour com as visitas sacras. A simples e graciosa Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito (Praça do Rosário, Centro), do século 18, com decoração barroca-rococó em seu interior, é obrigatória. Passe também pela Nossa Senhora do Bom Despacho (Praça da República, Centro), construída em 1720 em estilo gótico e tombada pelo Patrimônio Histórico. Ao lado, fica o museu de Arte Sacra, com peças dos século 17 e 18.

Dia 2 – Depois do pôr do sol 

Cidade à beira-rio, Cuiabá sabe valorizar os pescados. O Museu do Rio funciona no antigo mercado de peixe da cidade, às margens do Rio Cuiabá. Construído em 1899 – época em que não havia cimento na cidade –, o museu ganhou recentemente um anexo: o Aquário Municipal, que reúne espécies encontrados no Pantanal, no Amazonas e no Rio Araguaia. Uma boa pedida para as crianças, que podem alimentar os peixes com uma ração comprada no local (entrada grátis).

Deixe para almoçar nas dezenas de peixarias da comunidade São Gonçalo Beira-Rio, onde a história da cidade começou. Um lugar bucólico, onde danças típicas (como o siriri) e as tradições fazem parte da rotina. Em junho ocorre a Festa do Pescador, ainda sem data definida – informe-se antes de ir e veja o bairro em festa, com barraquinhas de comidas típicas e artesanato.

Aproveite a noite no Sesc Arsenal, que concentra a maior parte de sua programação para depois das 17 horas. Às quintas-feiras, há uma feirinha com comida e música típica.

Depois, vá curtir a noite cuiabana. A Praça Popular reúne bares e restaurantes e uma cervejinha nas mesas da calçada será irresistível. O Choppão serve o tradicional escaldado, espécie de sopa com frango desfiado, ovos pochê, molho de tomate e tempero verde. Ideal para o fim de noite – ou para depois da balada.

Dia 3 – Natureza à vista

Missão cumprida em Cuiabá, é hora de explorar a natureza ao seu redor. Distante 69 quilômetros dali está a Chapada dos Guimarães – até dá para fazer um bate-volta, mas você vai aproveitar mais se hospedando por lá. A cidade é pequena e charmosa, com várias pousadinhas bacanas (é bom se apressar nesse caso, já que há bem menos hotéis por ali do que na capital).

Dá para observar a Cachoeira Véu da Noiva, cartão-postal do parque de 86 metros de altura, de um mirante, seguindo por uma trilha curta que pode ser feita por qualquer um, a partir do estacionamento. Mas para chegar às outras atrações é preciso ter a companhia de um guia (informe-se na cidade ou nas agências em Cuiabá).

O passeio mais tradicional é o Circuito das Cachoeiras, com seis quilômetros e sete quedas d’água no caminho. Outros roteiros levam a grutas, paredões alaranjados e lagoas esverdeadas. Ver tudo isso, obviamente, não é possível em um único dia. Não esqueça de levar agasalho: as noites de inverno ali podem ser bem frias.