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Mosquitos e tenistas

Tania Valeria Gomes

25 Novembro 2009 | 14h01

Após a inequívoca demonstração de desinteresse de chineses e norte-americanos quanto ao futuro ambiental do planeta, mr. Miles decidiu desarquivar velhos planos e, na companhia de investidores ingleses, seguiu para Nuuk, na Groenlandia, onde pretende adquirir, a preços irrelevantes, um trecho da gélida costa local. Nosso excêntrico correspondente acredita que, com o aquecimento global em progressão geométrica, ainda construirá um resort para veranistas no local.
A seguir, a correspondência da semana:

Prezado Mr. Miles: vou passar as férias de janeiro com minha familia na Costa Rica, para conhecer a região dos vulcões e, mais tarde, passar alguns dias no litoral caribenho, na região de Limón. O senhor saberia me dizer se os mosquitos nessa área vão nos permitir aproveitar a praia?
Rosana Soares Wunsch, por email

Unfortunately, my dear, não existem praias remotas sem mosquitos em regiões tropicais. Em Limón, however, os repelentes realmente repelem e os inseticidas ainda cumprem sua missão original. Você deve ser paulistana, I presume. E, nesse caso, julgo compreender a natureza de seu atormentamento. Contam-me amigos residentes nessa grande metrópole que a convivência com estes nasty insects tornou-se absolutamente impossível. Alguns, como my good fellow Nelson Freitag, asseguram-me que os mosquitos passaram por uma mutação genética e já utilizam as substâncias ativas dos compostos criados para exterminá-los em banhos revitalizantes. Is it true?
Ouço, ainda, que o grande hit da temporada de calor que já se iniciou são umas raquetes de tênis de procedência chinesa que têm o condão de eletrocutar muriçocas, carapanãs e borrachudos. O engenheiro Rafael Voltberg, com quem me correspondo há anos, pratica, hoje, todos os dias, horas de forehands, backhands e drop shots contra nuvens de agressivos mosquitos que infestam sua casa. Segundo me conta, está até recuperando o velho estilo, anos depois de ter abandonado o lawn tennis.
Oh, my God!
As coisas devem andar realmente difíceis por aí… In the other hand, fico imaginando que há um possível lado positivo nesta situação. Com o uso das raquetes popularizando-se da maneira como me relatam, não é de se duvidar de que, em quinze ou vinte anos, desponte em São Paulo uma geração de campeões sem precedentes desde que my fellow Guga deixou as quadras. Don’t you agree?
Digressões à parte, my dear Rosana, aposto que você terá férias esplêndidas na Costa Rica. Trata-se de um lugar deslumbrante, com um povo de inequívoca vocação hospitaleira. Quando estive em Limón pela última vez, optei por ficar nas praias de Puerto Viejo de Talamanca e posso lhe dizer que foi uma lovely choice.
Mosquitos? Sim: lembro-me deles. Pareciam-me tão relaxados quanto eu mesmo. Nada que se compare à inesquecível experiência que vivi, nos anos 40 do século passado, quando visitei, pela primeira vez, a Beautiful Island (que vocês chamam de Ilhabela), no litoral de São Paulo. Unfortunately, durou pouco minha estadia. Apenas, se bem me lembro, o tempo necessário para ser almoçado por borrachudos em um dia de mormaço. Um desconforto que se transformou em pânico quando, ao refugiar-me dentro do mar, descobri que the little bastards eram exímios mergulhadores. E não haviam raquetes naquele tempo…