National Gallery vira Bairro da Luz Vermelha
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National Gallery vira Bairro da Luz Vermelha

Carla Miranda

17 Novembro 2009 | 13h56

Por essa os leões da londrina Trafalgar Square não esperavam. Na sexta-feira, a vetusta National Gallery vai se transformar numa versão mais comportada e artística do Red Light District de Amsterdã. Isso graças à instalação ‘The Hoerengracht’, dos americanos Ed and Nancy Kienholz. INSTALACa

A polêmica, como era de se esperar, veio bem antes da abertura da exposição. Além de ser incomum o museu abrir espaço para a arte contemporânea, a instalação em si é um convite a críticas. A instituição procura se defender desde o início, dizendo que o tema prostituição é recorrente na história da arte. Inclusive nos quadros dos pintores holandeses do século 17, que estão fortemente representados na coleção permanente da National Gallery. INSTALAC3a 

‘The Hoerengracht’, feita no estúdio dos artistas em Berlim, entre 1983 e 1988, foi colocada no chamado Sunley Room, que fica praticamente às escuras. Com exceção, claro, de luzes vermelhas e amareladas aqui e ali. As mulheres estão ali, seminuas ou semivestidas. Assim como vidros, fachadas de casarões, etc. Ambiente que, segundo o próprio museu, revela o lado mais vulgar e feio da sociedade.

A exposição vai até 21 de fevereiro e é gratuita  – a National Gallery, como vários museus londrinos, não cobra entrada. Se não for até lá especificamente para ver o bairro da luz vermelha, vá por Ticiano (Baco e Ariadne), Van Gogh (Girassóis), Cézanne  (Grandes Banhistas). Se o tempo não estiver feio, pare um pouco na Trafalgar Square, que fica divertida nos fins de tarde. Ah… e procure deixar os leões em paz. Até porque, depois de gerações de turistas subindo neles para tirar fotos, os bichões precisam de paz.