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O amanhecer antes do resto do Brasil

Fabio Vendrame

11 Fevereiro 2014 | 03h50

Cenário: Bruna Toni

Ver o sol nascer não é uma exclusividade paraibana, mas poder fazer isso antes do que qualquer outro brasileiro enche de orgulho seus moradores. E de curiosidade quem vem visitar este pedaço do Nordeste. Não por acaso, nossa primeira parada foi o Farol do Cabo Branco, na praia homônima, no litoral sul de João Pessoa. É de lá que se vê, do alto de uma falésia, a Ponta do Seixas por inteiro, em seu contorno perfeito que ajuda a delinear o território nacional.

Criado em 1972, durante o governo militar de Emílio Médici, o farol preto e branco tem três pontas que representam o sisal, planta cuja a fibra é utilizada para fins econômicos, principalmente na produção de cordas (em quase todos os lugares da Paraíba é possível encontrá-las). Essa história é contada pelo nosso guia, mas também é narrada por Ceariba, que ganha a vida trabalhando como guia dos turistas que aparecem desacompanhados. O nome Ceariba, ele conta, vem da mistura entre Ceará, onde nasceu, e Paraíba, onde resolveu morar.


O tempo do passeio pelo farol não é longo, mas quem passa por ele não pode deixar de experimentar o coco “mais doce do Nordeste”, segundo Aloísio César Lima, dono de uma das barracas. O preço (R$ 2,50) vale o sabor. De quebra, ainda há uma porção de folhetos de literatura de cordel à venda para quem quer se aproximar da cultura e do linguajar nordestinos. Todos são de Vicente Campos Filho, um cordelista da região. Com R$ 5 no bolso, é possível levar três para casa.

O que escapa ao roteiro comum, no entanto, está fora do horário em que Ceariba e Aloísio trabalham, o de movimento mais intenso no Farol do Cabo Branco, entre as 8 e as 17 horas. Uma das melhores sensações de se estar em João Pessoa é poder ver do alto do Seixas o céu escuro ir mudando de tom lentamente com a chegada do sol. O azul que quase não distinguia o céu da água vai cedendo espaço para o laranja intenso.

Estávamos apenas eu e o fotógrafo à espera do nascer do dia e, dada a hora, o único barulho era do mar e do vento constante cortando o rosto. A espera não foi longa. Por volta das 4h45 ele deu os seus primeiros sinais: era a capital paraibana amanhecendo antes do resto do Brasil.

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