O Catar e o projeto Copa 2022
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O Catar e o projeto Copa 2022

Bruna Tiussu

25 Outubro 2010 | 16h39

Os prédios altos, espelhados, de arquiteturas diversas e que ganharam forma nas duas últimas décadas em Doha, capital do Catar, compõem um interesante cenário à beira mar. Ao lado deles, o que mais se vê são andaimes enormes, caminhões e homens trabalhando para erguer outros tantos edifícios como aqueles. Esse país pequenino no Oriente Médio, localizado logo acima da Arábia Saudita, também muçulmano, mais parece uma terra em construção, ou um outro emirado que está correndo atrás dos símbolos máximos da modernidade.


O povo de lá se empolga quando o assunto margeia duas iniciativas em especial. A primeira é o projeto The Pearl, uma espécie de ilha artificial que já está em construção, com prédios residenciais, shoppings centers, hotéis de luxo e ainda ilhotas pertencentes à família do Emir (que comanda o país em uma monarquia absoluta). A ideia é criar uma atmosfera cosmopolita, globalizada, em plena Península Arábica, mas que só os bem afortunados poderão usufruir.

O outro projeto que está na boca da população é a candidatura do Catar para receber a Copa de 2022. Por lá por poucos dias, não arrisco afirmar que os cataris são loucos por futebol, mas estão notadamente animados com a oportunidade, curtem o esporte, além de se empolgarem com o fato de ser a grande chance de colocar o país em evidência internacional. Gostam de falar sobre o assunto, de lembrar dos jogos das últimas Copas do Mundo, são fãs assumidos da nossa seleção, sabem os lances dos nossos atletas de cor e falam com orgulho que o brasileiro Roger jogava muito em um dos times de lá.

Os investimentos em esportes deram um salto em quando o Catar sediou os jogos Asiáticos de 2006. Foi quando criaram a Cidade dos Esportes de Doha, uma infraestrutura de primeiro mundo para treinar futuros atletas de diferentes modalidades. Há centros aquáticos, quadras cobertas e externas, academias e o Estádio Khalifa – onde Brasil e Argentina vão disputar o amistoso dia 17 de novembro -, tudo de alta tecnologia.

Estádio Khalifa, com capacidade para 45 mil pessoas. Foto: Bruna Tiussu/AE

Ao que tudo indica, dinheiro para estes investimentos é o que não falta no Catar. Rico em petróleo e gás natural, a pequena nação tem um dos PIB per capita mais altos do mundo. E já que podem, para o mundial de 2022, eles capricharam e apresentaram à Fifa projetos de estádios que são de cair o queixo. Um deles imitará os tradicionais barcos de madeira que eram usados para a pesca no país; outro terá a forma de uma concha marinha, onde o público só terá acesso de taxi aquático; e um terceiro terá sua parte externa completamente envolta por telões gigantes, para exibir futebol dentro e fora dele.

Veja aqui o vídeo que apresenta os cinco primeiros estádios do Catar:

Quando todos por lá viviam uma expectativa completamente nova, eis que pipocam as notícias denunciando um esquema de troca de votos na Fifa. Ao que tudo indica, Espanha e Catar parecem ter fechado um acordo de troca de apoio. Para 2018, quando a Copa ficaria na Europa, o Catar se comprometeria a levar para a Espanha os três votos asiáticos no Comitê Executivo da entidade. Em troca, a Espanha conseguiria para o Catar em 2022 os quatro votos da América do Sul – e seu próprio. (Leia reportagem na íntegra aqui).

Notícias talvez não mais surpreendentes, mas sempre tristes que novamente mostram a corrupção nas grandes entidades esportivas. E que podem acabar com o sonho alegre e autêntico de todo um povo lá distante que está apenas começando a se mostrar ao mundo.