O que Mr. Miles disse ontem aos seus leitores do Estadão:
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O que Mr. Miles disse ontem aos seus leitores do Estadão:

Tania Valeria Gomes

12 Novembro 2008 | 14h41

Aconteceu na América

Após ter avistado gansos egípcios, ibis sagrados, comedores-de-abelha carmins e outras dezenas de de pássaros exóticos no Parque Nacional de Luangava (também chamado Luangwa), na Zâmbia, nosso surpreendente viajante interrompeu sua viagem e, ainda em trajes de safari, embarcou em desabalada carreira rumo a Chicago, nos Estados Unidos. Com os binóculos pendurados e um guia ornitológico no bolso, foi um dos milhares de admiradores que acompanharam, ao vivo, o primeiro discurso de Barack Obama como presidente eleito. (N. da R. – alguns leitores juram tê-lo visto pela televisão, mas mr. Miles garante que, ao invés de seu tradicional bowler hat, usava um chapéu ao estilo Livingstone, mais apropriado a jornadas africanas).
Nosso correspondente confessa, agora, que, apesar das pesquisas, de Bush e da esfoladora de alces que lhe puseram como companheira de chapa, McCain ia ratificar a lógica de que “não importa quanto indios tenham sido mortos, nem quais tenham sido os motivos; os americanos sempre vão aplaudir John Wayne”.
“Shame on me, my friends” —, desculpa-se o grande viajante. “Eu sempre desconfiei que aqueles degredados que mandamos para o Novo Mundo encontrariam, some day, o caminho da razão. E quase perdi esse momento. Mas devo admitir,as well, que o fizeram com brilho, inteligência e antecipação em relação aos estultos moradores da Europa continental que, ao invés de votar nos imigrantes que vieram ‘amolecer sua cintura’, continuam discutindo como expulsá-los com mais eficácia.”
Sobre Obama, mr. Miles regozija-se pela presença de um presidente “transnacional” no país mais rico do mundo e tem a esperança de ver atitudes de um “open-minded leader”.
“Se eu fosse um novelista — brinca mr. Miles —, essa história terminaria com toda a familia Bush de volta ao seu rancho no Texas e, of course, o Texas finalmente devolvido ao México.”
A seguir, a pergunta da semana:

Querido mr. Miles: enquanto todo mundo falava das eleições americanas passou quase desapercebida a morte da fabulosa soprano Yma Sumac. O senhor chegou a conhecê-la?
Yolanda Salles Novaes, por email

Of course, my dear. A princesa inca. A bela Emperatriz — assim eu a chamava (seu nome verdadeiro era Zoila Augusta Emperatriz Chavarri del Castillo). Seus agudos insuperáveis, I’m afraid to tell you, quebraram-ve vários copos de whisky. Certa vez, numa seção privada em sua casa de Los Angeles, sua interpretação de Inti Taita rendeu-me quatro pontos no queixo. Can you imagine?
A maior prova de que ela era uma cantora acima da média foi a longa tentativa de desacreditá-la como cidadã peruana. Com quê, então, uma voz assim divina poderia provir de Cajamarca, no longínquo Peru?
Therefore, inventou-se a versão de que era tudo apenas um golpe publicitário. Yma Sumac seria, na verdade, uma imigrante nascida no Brooklin e seu nome de batismo seria Amy Camus (um anagrama perfeito para o nome inca que ela havia adotado).
Com o passar do tempo, a América e o mundo renderam-se ao talento da peruana. Suponho que, de alguma forma, o fato de o Peru ter se revelado o maior exportador de cantores de metrô de todo o mundo deve ter atestado a musicalidade dos descendentes de Atahualpa.
Well, darling: quis o destino, unfortunately, que em um mesmo país, em uma mesma semana, uma bela voz se calasse enquanto outra se alevantava. Possa Obama fazer pelos que comanda o que Yma fazia pelos que a ouviam. Except for the glasses, of course.


Abaixo, o registro de um pássaro da espécie íbis sagrados feito por Mr. Miles durante sua visita ao Parque Nacional de Luangava, na Zâmbia

O registro de um pássaro da espécie íbis sagrados feito por Mr. Miles durante sua visita ao Parque Nacional de Luangava, na Zâmbia

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