‘O turismo virou nossa roça’, diz anfitrião
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‘O turismo virou nossa roça’, diz anfitrião

Fabio Vendrame

18 Março 2014 | 03h50

Pernoites nas casas de nativos rendem causos curiosos, relatos de vida e refeições fartas

Seu Wilson e Dona Maria – Foto: Felipe Mortara/Estadão

Os irmãos de Wilson Rodrigues Oliveira, de 66 anos, foram saindo aos poucos rumo a São Paulo e a outras cidades grandes. Já ele, nascido e criado no Vale do Pati, não arreda pé da casinha que construiu após uma empreitada paulistana que durou 16 anos. Lembra até hoje o dia em que voltou. “Era 29 de março de 1980. Depois, nunca mais saí daqui”, diz seu Wilson.

Há mais de 20 anos, ele e sua mulher, dona Maria, de 64 anos, recebem um povo amante de natureza, que chega suado, cansado e faminto após horas de caminhada. Ajudados pelo vigor da simpática filha Nara, de 27, conseguem alimentar (deliciosamente, por sinal) e acomodar 20 pessoas por noite, em quatro quartos singelos, porém aconchegantes.


Mas seu Wilson gosta mesmo é de contar causos. “A ocupação por aqui começou em 1899 por causa de uma grande seca. Um senhor de sobrenome Gasparini veio sem esperanças para cá plantar mandioca. No fim, cresceu banana, café e cana. E ninguém nunca passou fome”, relata. Ele diz que o Pati chegou a ter 337 famílias.

Do lado de lá. Na outra ponta do vale, sob a suntuosa Ladeira do Império (você vai ter de subir o paredão de mais de 400 metros para chegar a Andaraí), fica a última hospedagem da caminhada. A vida de Miraldo José Pereira, o Seu Joia, de 49 anos, mudou muito desde que passou a receber viajantes. “Hoje nossa roça é o turismo. E eu quero que cresça, porque é um trabalho muito bom”, diz.

Se as acomodações de seu Joia são ainda mais espartanas – não há luz elétrica –, a recompensa vem da cozinha. Edileuza, ou melhor, dona Leu, prepara magistralmente uma refeição farta com tempero especialíssimo. E conta que a maior parte dos ingredientes chega lá em lombo de burro ou nas costas de seu Joia, que vai à feira em Andaraí a cada oito dias.

Numa dessas ocasiões, conta seu Joia, um sobrinho descobriu uma cascata com 50 metros de altura a 2h30 de caminhada de sua casa – e a batizou Cachoeira Guariba. Terei de incluir essa atração na minha próxima visita. / F.M.

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