Paranapiacaba: de trem deve ser melhor
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Paranapiacaba: de trem deve ser melhor

Mônica Nóbrega

21 Outubro 2010 | 13h49

O trem turístico. Foto Norberto da Silva/Prefeitura de Santo André/Divulgação

Entre os motivos para ir a Paranapiacaba, as ações de divulgação costumam destacar a proximidade da vila de arquitetura inglesa com a cidade de São Paulo: cerca de 50 quilômetros. Não é bem assim. Chegar de carro neste distrito do município de Santo André encravado na Serra do Mar não tem nada de rápido ou fácil.   

Para resumir, é preciso pegar a Rodovia Anchieta nos primeiros quilômetros e, daí para frente, prestar a máxima atenção para não perder entradas mal sinalizadas nem passar direto por arriscadas conversões à esquerda (detalhes aqui). Por fim, antes de comemorar a chegada à estradinha de terra que leva direto ao centro de Paranapiacaba, um último obstáculo: cruzar metros e metros por cima de um largo conjunto de trilhos do pátio de manobras da via férrea. Consegui chegar duas horas após iniciada a viagem, com ajuda do GPS (atenção: o do celular deixa a desejar porque a conexão 3G falha bastante no caminho).   

Por isso, comemorei a notícia da inauguração do Expresso Turístico, o trem que, desde 17 de setembro, faz viagens quinzenais à simpática vila a partir da Estação da Luz, na capital. Porque, vencida a dificuldade de acesso, Paranapiacaba é uma ótima opção para um daqueles fins de semana em que você não quer (ou não pode) ir longe, mas gostaria de deixar a metrópole para trás, mudar de ares. De trem, sem preocupação com trânsito e conversões, deve ficar ainda melhor. 


Fora das datas do movimentado festival de inverno, a vila é um poço de tranquilidade cercada pela vegetação espessa da Serra do Mar. Tanta natureza acaba atraindo motoqueiros, jipeiros, mochileiros e outros “eiros” apaixonados por lugares rústicos. Localizada no enclave entre duas áreas de preservação, o Parque Natural Municipal Nascentes de Paranapiacaba e a Unidade de Conservação da Mata Atlântica, a cidadezinha tem  pelo menos dez opções de trilhas de todos os níveis de dificuldade. O Centro de Informações Turísticas (11-4439-0237) indica guias.   

A parte urbana, tombada pelo Iphan desde 2002, é cortada pela ferrovia que está na origem da vila. Paranapiacaba nasceu no século 19 para abrigar operários dos trilhos, comandados pela empresa inglesa São Paulo Railway. O que explica as casas geminadas de madeira e a existência de uma torre e um relógio que, dizem, foram inspirados no londrino Big Ben. Deixe para tirar suas conclusões diante do monumento e de preferência, depois das 16 horas, quando a neblina cobre a vila. Há quem prefira chamar de fog.   

Museu Ferroviário ao ar livre

O 'fog' e a torre do relógio

Igreja Bom Jesus

Casas na subida para a Igreja Bom Jesus. Fotos Mônica Nóbrega/AE

Um dia inteiro é suficiente para percorrer as ruas, entrar e sair das lojinhas de artesanato e souvenirs e ver destaques como o Museu do Castelo, em uma casa de 1897 encarapitada no alto de uma colina, a Igreja Bom Jesus, que tem na vista sua principal atração, e o Clube União Lyra Serrano, sede das festas locais. Caso decida passar a noite, a melhor pousada é a Shamballah, que tem quartos grandes (para quatro a oito hóspedes) e banheiros coletivos, como todas as outras de Paranapiacaba (diária por cerca de R$ 60 por pessoa, com café).   

Atenção: o trem turístico vai e volta no mesmo dia. Parte de São Paulo às 8h30 e de Paranapiacaba às 16h30, sempre aos domingos. E os lugares tem se esgotado com pelo menos uma semana de antecedência. A viagem leva cerca de uma hora e meia. A próxima saída será em 31 de dezembro. Os ingressos custam R$ 28, ida e volta, vendidos apenas nas bilheterias da Estação da Luz. O site da CPTM tem mais informações.