Personagens & Curiosidades
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Personagens & Curiosidades

Adriana Moreira

24 Dezembro 2013 | 02h40

Vista do Pelourinho – Foto: Mauricio Lima/NYT

Uma lojinha no centro histórico guarda verdadeiros tesouros musicais. Prova de que a arte soteropolitana pode estar escondida em qualquer lugar – até no trabalho de uma trançadeira

ALÉM DO HORIZONTE – Barcos, barba e bigode

Ele figura em todas as fotos tiradas a partir da Praça Thomé de Souza em direção à praça do Mercado, no centro de Salvador. O objetivo da foto, porém, é sempre outro: o Elevador Lacerda, o Mercado Modelo, ou apenas a orla. Porém, ele está lá, lá atrás, colado com o mar: o Terminal Turístico Náutico da Bahia é um prédio histórico azul e quase se confunde com o oceano. Dele saem barcos e balsas para ilhas da Baía de Todos os Santos, dentre as quais a Ilha de Itaparica, destino fundamental para os fãs de literatura brasileira – João Ubaldo Ribeiro nasceu ali. A tarifa varia entre R$ 3,50 e R$ 40, a depender do trajeto. Fica na Avenida França, 757, bairro do Comércio. / GUILHERME SOBOTA


Aqui é ‘Bahêa!’

A Barbearia do Pelô, comandada pelo “seu” Moisés dos Santos, fica escondida em uma casa colonial. Lugar de torcedores fanáticos do Bahia, o corte de cabelo e a barba feita saem por R$ 8 cada e o atendimento vai das 9 horas à meia-noite. Dominó, cerveja gelada e cavaquinho não faltam no estabelecimento de Moisés, principalmente à noite. Os encarregados da produção de luxo são os próprios fregueses, que transformam o lugar em um centro de convivência. / VIVIAN CODOGNO

CABELO, CABELEIRA… – Tranças itinerantes e esculturas rechonchudas

A trançadeira itinerante – Foto: Juliana Diógenes/Estadão

No Pelourinho, há opções de souvenir de todo tipo e para muitos gostos. Mas, se quiser carregar uma lembrança bem tradicional de Salvador, vá na trançadeira da praça da Sé. Ana Moçambique faz apliques numa das esquinas da praça há 18 anos. Há tranças roxas, negras, vermelhas, loiras: é só escolher. O aplique custa R$ 150, fora o valor da mecha escolhida, e dura até seis meses se os cuidados forem seguidos. A trançadeira ensina em detalhes o que se deve fazer para manter o novo penteado. Mas, atenção: se tiver interesse em trançar os cabelos, vá com sobra de algumas horinhas. O trabalho é artesanal e pode demorar à beça. A depender do dia, Ana pode começar a atender a clientela às 9 ou às 10 horas – e seu expediente pode seguir por até doze horas seguidas. Embora ela frequentemente seja encontrada na Praça da Sé, o endereço de sua tenda não é fixo. Ao contrário, é itinerante. Por isso, para garantir, melhor ter em mãos o telefone da da trançadeira antes de ir: (71) 8184-7275. / JULIANA DIÓGENES

Gordinhas de Ondina

Em um ambiente marcado pelo culto ao corpo, Damiana, Mariana e Catarina chamam a atenção. As “Meninas do Brasil”, três estátuas rechonchudas localizadas na Avenida Adhemar de Barros, em frente à praia, viraram popularmente as “Gordinhas de Ondina” e desfrutam da condição de atração turística na orla de Salvador. A obra, assinada pela artista plástica Eliane Kertéz, está ali desde 2004. Além da quebra de padrões estéticos, representa também a mistura étnica do Brasil – Damiana é negra, Mariana é branca e Catarina é índia. Apesar de já terem passado por um processo de restauração, em 2011, as estátuas estão danificadas com alguns arranhões e marcas de papel colado. “É uma pena que as coisas não fiquem conservadas. As ‘Gordinhas’ são um símbolo da nossa orla”, disse a vendedora de coco Rosa Almeida. Mesmo assim, muita gente faz questão de tirar uma foto com elas. / TERESA DIAS

PARA OUVIR COM AS MÃOS – Relíquias em forma de vinis no centro

Coleção de vinis da Minisom – Foto: Lorena Tabosa/Estadão

Localizada na Praça da Sé, no centro histórico de Salvador, a loja de Jorge Nascimento resgata o gosto pela música que se pode segurar nas mãos. A MiniSom vende vinis, CDs e DVDs de vários artistas, da banda inglesa Queen a Noel Rosa. “Vem gente que gosta de frevo, rock, MPB, axé… Por isso temos opções de todos os ritmos”, conta Nascimento. Há mais de dez anos funcionando no local, a loja é parada certa para os colecionadores de discos que passam pela cidade. Funciona de segunda-feira a sábado, das 9 horas às 19h30; tel.: (71) 3241-0357. / LORENA TABOSA

É só chegar

O Grupo “Amigos do Samba” se reúne todos os sábados, das 16 às 20 horas, para fazer música espontânea no Largo Cruzeiro de São Francisco, no Pelourinho. São 12 músicos que, desde 8 de dezembro de 2011, levam adiante a iniciativa de oferecer uma opção de lazer gratuita em um dos cartões-postais de Salvador. O evento é coordenado por Geraldo Miranda, o Geraldão, presidente do conselho do Bloco Afro Muzenza, que há 31 anos arrasta, em média, 3 mil foliões por ano no carnaval da Bahia. / SUELLEN AMORIM

JOIA ESCONDIDA – Em obras, mas ainda encantadora

Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia – Foto: Celso Filho

Alambrados e entulho escondem uma das joias mais antigas de Salvador. Erguida em 1549, a Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia foi construída a mando do governador-geral do Brasil Thomé de Souza, no centro comercial da cidade. De estilo barroco, foi reconstruída em 1736 com pedras-sabão vindas de Portugal em um projeto de Manuel Cardoso de Saldanha. Apesar da opulência de seu interior, a basílica passa por obras de restauração que, atualmente, restringem um pouco o passeio turístico. Dois prédios no entorno chegaram a ser demolidos por problemas de estrutura e a igreja foi ameaçada de interdição. No entanto, o local ainda está aberto para missas e visitação. Fica na Rua da Conceição da Praia, s/nº, no bairro do Comércio. Abre de segunda a quinta-feira, das 8 às 12 horas e das 14 às 17; de sexta a domingo, das 8 às 12. Há missas de segunda a sábado, às 7h30; terça, às 18 horas, e quinta, às 16. / CELSO FILHO

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