Polo Norte e Polo Sul: duas viagens geladas para enfrentar o calorão
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Polo Norte e Polo Sul: duas viagens geladas para enfrentar o calorão

Viagem Estadão

17 Janeiro 2019 | 05h00

A chegada até o Polo Norte é celebrada com ritual de “volta ao mundo”. Foto Divulgação Poseidon Expeditions


Por Felipe Mortara, especial para o Estado

Já se passaram mais de cem anos desde que o pioneiro norte-americano Matthew Henson chegou ao Polo Norte, em 1909. No entanto, os extremos da Terra continuam fascinando a humanidade. Tanto o Ártico quanto o Polo Sul foram objeto de desejo de conquistadores desde finais do século 19. Há algumas décadas viraram destinos de viajantes comuns, que buscam algo que não se encontra nem no Caribe nem no Mediterrâneo: vida em estado bruto e paisagens intactas.

Com o tempo, as estruturas turísticas evoluíram muito e permitiram que os polos entrassem na lista de desejos. Claro, estamos falando de viagens caras, que podem custar mais de US$ 50 mil e que ainda podem ser consideradas expedições. Não é raro cientistas acompanharem as viagens ou fazerem parcerias para que os próprios viajantes – supervisionados por um monitor da equipe turística – conduza experimentos nas altas latitudes. Em tempos de calorão no Brasil, só de sonhar com estes destinos gelados, cuja temporada de visitação segue até abril, já é um refresco. Reunimos cinco destinos para incluir no seus planos neste e nos próximos anos.

Ursos polares estão entre as atrações animais na jornada rumo ao Polo Norte. Foto Divulgação Polar Quest

Polo Norte

Sim, você pode chegar lá. Não, você não precisa ser um ultramaratonista nem um explorador maluco atrás de um recorde. Ao longo de 10 meses, o navio quebra-gelo russo 50 Years of Victory é utilizado para abrir caminho para cargueiros em meio ao Oceano Ártico russo. Durante apenas dois meses a Poseidon Expeditions opera com ele um dos cruzeiros mais disputados do mundo. Apenas 124 turistas (calma, não é preciso preparo físico além do básico) zarpam de Murmansk, na Rússia, às margens do Mar de Barent, rumo ao extremo norte do planeta.

A jornada de 13 dias tem como ponto alto um desembarque no Polo Norte. Você poderá contar para os amigos que passou um “friozinho” – a temperatura mais baixa já registrada foi de – 40° C – e que deu uma volta ao mundo em menos de um minuto. Ponto alto do cruzeiro, a chegada ao Polo Norte é celebrada com uma ciranda ao redor do planeta e um churrasco sobre o gelo.

É claro que você não vai tão longe para não ver a fauna única da região. No Arquipélago de Franz Josef você terá a vantagem de ter luz ao longo das 24 horas do dia para avistar dezenas de espécies de aves migratórias, gigantescas morsas e, com um pouco de sorte, ursos polares. Durante a travessia de três dias até o marco geográfico, pode se deparar com orcas e walrus (baleia-unicórnio). A bordo, geólogos e biólogos explicam o hostil ambiente ao redor, tudo com um serviço e instalações cinco estrelas dentro. Pacotes a partir de US$ 29.995 na Poseidon Expeditions, representada no Brasil pela Velle Representações.

Passar algumas horas diante do marco do Polo Sul é um privilégio raro e memorável. Foto Divulgação Polar Quest

Polo Sul

Diferentemente do Polo Norte, o Sul não é alcançável por via marítima. Seria necessário caminhar um bocado, atravessar glaciares e escalar montanhas. Na lista de perigos, frio extremo, de até -60° C e fendas invisíveis no gelo. Ou então você pode voar. Sim, voar e pousar na neve. Empresas como a Polar Quest e a Swoop Antarctica oferecem pacotes a partir de US$ 50 mil saindo de Punta Arenas, no Chile. Baseado num acampamento, você decolará e aterrissará ao lado do marco do Polo Sul.

Bem mais rústico do que a opção do Ártico, no extremo-sul do globo a opção é pernoitar em barracas especiais durante 3 noites no Union Glacier. Claro, durante o dia, muitas atividades para conhecer as singularidades do continente antártico. A bordo de veículos especiais você conhecerá lagos congelados de Elephant Head. No entanto, os mais dispostos poderão caminhar morro acima até a base da montanha ou até o topo de Rhodes Bluff para desfrutar de uma baita vista panorâmica do Union Glacier e do Heritage Range. Muitos imaginam a Antártida plana, mas há várias cordilheiras e seu ponto mais alto, o Monte Vinson, alcança 4.892 metros.

No quarto dia pela manhã você embarca rumo ao Polo Sul. O voo até lá pode durar de 4 a 6 horas dependendo da aeronave disponível. Você viajará 90° rumo ao sul, algo muito especial, cruzando a Cordilheira de Thiel. O pouso ocorre a 3 mil metros de altitude sobre um platô, numa pista preparada com máquinas especiais. O desembarque é bem ao lado da Estação de Pesquisa Amundsen-Scott, mantida pelos Estados Unidos. São aproximadamente quatro horas de permanência no ponto mais ao sul da Terra. A volta, assim como a ida, depende de boas condições climáticas. Caso não consiga decolar, as equipes têm a bordo avião toda a estrutura de barracas e alimentação necessárias para pernoitar. De toda forma, será uma aventura memorável.