Por acúmulo de lixo, turistas são proibidos no campo base do Everest no Tibete
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Por acúmulo de lixo, turistas são proibidos no campo base do Everest no Tibete

Mônica Nóbrega

20 de fevereiro de 2019 | 01h01

O governo da China proibiu o acesso de turistas ao campo base do Monte Everest localizado no Tibete, no Himalaia. O motivo da decisão, divulgada na segunda-feira (18), é o acúmulo de lixo deixado pelos visitantes. A partir de agora, apenas montanhistas com permissão para escalar ao topo do Everest serão autorizados a chegar até o campo base tibetano, a 5.200 metros de altitude. Por ano, são emitidas 300 autorizações para escalada.

O brasileiro Roberto Aoki no campo base tibetano; não, ele não deixou lixo para trás no local. Foto: Arquivo pessoal

O campo base tibetano, na face norte da montanha, era acessível de carro. Por isso, o número de visitantes vinha crescendo ano a ano – chegou a 40 mil em 2015, dado mais recente disponível na Associação Chinesa de Montanhismo, segundo informou a BBC. O Campo Base localizado na face sul da montanha, no Nepal, exige quase duas semanas de caminhada para ser alcançado.

Com a proibição, o governo chinês pretende intensificar os esforços de limpeza no local. Três operações de retirada de lixo realizadas no primeiro semestre do ano passado removeram em torno de 8 toneladas de detritos, incluindo fezes humanas e equipamentos de montanhismo abandonados pelos escaladores.

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Além de limpar o campo base, as ações pretendem remover também cadáveres de montanhistas mortos em altitudes superiores a 8 mil metros, onde o oxigênio é insuficiente para sustentar uma pessoa viva por longos períodos. Alguns destes corpos estão lá há anos ou até décadas, conservados pelas baixíssimas temperaturas. O cume do Monte Everest, montanha mais alta do mundo, tem 8.848 metros.

Brasileiros

O fechamento do Campo Base tibetano não afeta a programação da maioria dos brasileiros que vão ao Monte Everest, segundo o montanhista brasileiro Manoel Morgado, que em 30 anos já guiou 67 grupos ao campo base do Everest no Nepal. “O número de brasileiros que vão ao lado tibetano é muito pequeno” afirmou.

Proprietário da agência de viagens Morgado Expedições, ele disse que não organiza saídas regulares para o campo base no lado tibetano. “Apenas sob demanda”, disse.

Além da Morgado Expedições, outras duas agências brasileiras fazem expedições ao campo base do Everest no Nepal: a Grade 6 e a Venturas.

O brasileiro Roberto Aoki, que esteve nos dois campos base no ano passado – Nepal em outubro, Tibete em novembro – comparou as experiências. “No Tibete se conseguia chegar de carro até bem perto do campo base. Há um lado indescritivelmente belo, que é poder ver grande parte da cadeia de montanhas do Himalaia ao longo da estrada. O lado nepalês proporciona uma experiência diferente, a caminhada.”

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Monastério

Com o fechamento do Campo Base tibetano aos turistas, a permissão de acesso a visitantes não montanhistas “recuou” 200 metros de altitude. Turistas ainda podem chegar até o monastério Rongbuk, a 5.000 metros de altitude, e também circundado pela deslumbrante cadeia de montanhas do Himalaia.

Monastério Rongbuk, a 5.000 metros de altitude. Foto: David Gray/Reuters

Em vídeo: O Viagem fez a trilha até o campo base do Everest no Nepal. Assista ao minidocumentário

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