Praia de Pipa: o que fazer, onde ficar e o que comer nesta temporada
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Praia de Pipa: o que fazer, onde ficar e o que comer nesta temporada

Um guia completo para aproveitar ao máximo a Praia de Pipa, em Tibau do Sul, no Rio Grande do Norte (RN).

Viagem Estadão

28 Dezembro 2018 | 23h20

Felipe Mortara
Tibau do Sul / Especial para O Estado

Mais conhecida como Baía dos Golfinhos, a Praia do Curral é uma das joias de Pipa. Foto Felipe Mortara/Estadão

A Praia de Pipa, no Rio Grande do Norte, é presença constante nas listas de mais bonitas do Brasil. E tem motivos de sobra para continuar a ser citada. Sobrevivendo do turismo há quase três décadas, o distrito de Tibau do Sul, 87 quilômetros ao sul de Natal, soube evoluir e se reinventar a cada verão. Além disso, mesmo com o crescimento da infraestrutura – hoje são centenas de pousadas e restaurantes – manteve sua essência nativa.

Com o recapeamento da RN-003 recém-concluído, o acesso a Pipa ficou muito melhor e a expectativa dos hoteleiros é alta para esta temporada. Com opções variadas de acomodação e restaurantes, o balneário atende um público que vai desde mochileiros até quem não se importa com diárias de mais de R$ 1.000. As possibilidades culinárias também são bem variadas, de tapiocas a pratos de alta gastronomia, passando por delícias regionais, como caranguejo e sururu.


Quem vai a Pipa, pela primeira ou enésima vez, sempre vai encontrar algo bacana para fazer. A sensação é que, assim como a maré que enche e esvazia, mudando a paisagem, a região da Praia de Pipa sempre se transforma.

Este é um miniguia fresquíssimo – estive em Pipa na primeira semana de dezembro – com o essencial sobre o que fazer, onde ficar e o que comer na região.

Visual da Praia do Porto com a maré baixa a partir do Marlin’s Hotel Boutique. Foto Felipe Mortara/Estadão

Passeios ao norte

O nome Praia de Pipa pode fazer pensar que trata-se de uma única faixa de areia. Muito pelo contrário, Pipa é a porta de entrada para um conjunto de idílicas praias espalhadas por um trecho curto do litoral sul potiguar. Em poucos dias é fácil visitar várias delas, mas será difícil escolher a mais bonita.

Por ter a maior infraestrutura de restaurantes e barracas, a Praia do Centro ou do Porto é a mais movimentada. É o ponto de chegada dos ônibus de excursão que diariamente fazem bate-volta desde Natal e João Pessoa, na Paraíba. É o lugar onde a variação de maré fica mais nítida, com a maré alta obrigando os barraqueiros a tirarem mesas e cadeiras de plástico da beira.

Caminhando por cerca de 30 minutos ao norte (à esquerda de quem olha para o mar), você chega à Praia do Curral. Mais conhecida com Baía dos Golfinhos, nem parece estar tão próxima do burburinho de Pipa. Honrando o apelido, os bichos podem ser avistados por lá em bandos. Apesar de ter algumas poucas barracas simples que oferecem bebidas, guarda-sóis e espreguiçadeiras no canto direito, o clima é bem selvagem. Isso porque o acesso só é possível na maré baixa – pergunte sempre em seu hotel ou a algum nativo até que horas é possível ir caminhando para poder retornar com segurança.

Muitos barqueiros oferecem passeios de lancha (R$ 40 por pessoa) saindo do portinho em meio às pedras para avistar golfinhos e seguem até a Praia do Madeiro. Outra joia dos arredores de Pipa, se desenvolveu bem mais do que a Baía dos Golfinhos nos últimos anos. Já conta com um punhado de barracas, com alimentação e bebidas. Além disso, os hotéis Ponta do Madeiro e o Madeiro Beach Hotel oferecem serviço de day use e barraca de praia. A praia oferece ótimas condições para surfar de longboard e barracas alugam as pranchas por hora.

Pôr do sol na Lagoa Guaraíras, em Tibau do Sul, é simplesmente deslumbrante. Foto Felipe Mortara/Estadão

Mais ao norte, as Dunas de Cacimbinhas têm acesso fácil pela RN-003. Alugue uma prancha de sandboard para descer pelas montanhas de areia. Lá embaixo, a Praia das Cacimbinhas é praticamente deserta, com exceção de alguns surfistas e kitesurfistas. A Barraca do Chico serve frutos do mar fresquíssimos. Por fim, uma passada na Praia do Giz, já em Tibau do Sul. Ali, na Lagoa Guaraíras, o mar encontra a água doce num lindo espetáculo. Não deixe de deslumbrar-se com o pôr do sol mais incrível da região. A Creperia Marinas tem uma ótima infra para contemplar o entardecer.

Separe pelo menos 1h30 para caminhar pelas fáceis trilhas do Santuário Ecológico de Pipa em meio à mata nativa. A entrada custa R$ 15 por pessoa e custeia a manutenção desta lindíssima reserva natural, essencial na preservação da região. O parque tem acesso bem sinalizado pela RN-003 e se divide em três setores principais, divididos em 16 trilhas abertas ao público. Dica: cartões-postais clássicos de Pipa foram clicados dos mirantes do santuário.

A Praia do Amor tem como um de seus marcos a Pedra da Pipa, que batiza a região. Foto Felipe Mortara/Estadão

Passeios ao sul

São muitas as atrações para o sul também. Boa parte delas você pode considerar fazer caminhando, sempre na maré baixa ou meia-maré (de novo, pergunte sempre a um local para não correr o risco de ficar preso entre as pedras e o mar bravo). A caminhada da Praia do Porto até a Praia do Amor é linda e super simples – no máximo 20 minutos. No caminho o Restaurante Tavarua tem uma linda sombra sob uma casuarina, é abrigado do vento e tem piscinas naturais na maré baixa. A caipirinha (R$ 8) não deixa saudades, mas o coco (R$ 5) ou a cerveja em lata (R$ 6) compensam.

Com ótima infraestrutura de praia, repleta de boas barracas com guarda-sóis, a Praia do Amor tem mar mais agitado e é a favorita dos surfistas menos experientes. Surpreendentemente, a barraca do Beron tem a Biblioteca da Praia, gratuita e aberta a todos. Sobre a falésia, o Hotel Sombra e Água Fresca Spa é um dos que contam com vista privilegiada e ótimos serviços (diárias desde R$ 866).

O visual da Praia das Minas, a partir do mirante do Chapadão. Foto Felipe Mortara/Estadão

Rumando para o sul, você avistará a uma grande rocha em formato de barrica e que acabou dando o nome à região (Pipa) – nada tem a ver com o brinquedo voador. Atravesse pela trilha de areia estreita em meio às pedras e alcance a Praia das Minas. A caminhada na maré baixa é lindíssima e pode levá-lo ainda mais ao sul, na direção de Sibaúma. Entretanto, recomendo embarcar num tour de um dia com destino a essa região e à Barra do Cunhaú. Mais ao sul, a ainda pouco explorada vila de Baía Formosa deve receber um hotel da rede Six Senses nos próximos anos.

Há boa oferta hoteleira em Pipa, como o Hotel Boutique Marlin’s, à beira-mar. Foto Divulgação

Onde ficar na Praia de Pipa

Há tempos a infraestrutura de Pipa só tem melhorado e há cada vez mais boas opções de acomodações. O balneário mais badalado do Rio Grande do Norte tem hostels, pousadas e hotéis para todos os bolsos. Esse é um dos aspectos que mantêm Pipa como um destino plural, democrático e não elitizado. Afinal, muitos visitantes optam por ficar hospedados em Natal e ir passar um ou mais dias em Pipa. E a vila tem lidado muito bem com esse turismo de massa, como indicam a infinidade de praias e atividades ao redor.

Entre as principais alternativas de hospedagem, nenhuma oferece a vista para o mar que o Hotel Boutique Marlin’s tem. Debruçado na falésia sobre a Praia do Porto (ou da Pipa), dá aos hóspedes a sensação de ter o verde do mar como uma pintura viva e exclusiva. Boa parte dos 17 apartamentos conta com uma varanda com esse visual; alguns têm banheira “panorâmica”. Entre os mimos, amenities L’Occitane. Ao lado da piscina com fundo infinito quase à beira do mar, sauna e serviço de bar. Além de café da manhã, tem incluso na diária (entre R$ 550 e R$ 1.400) um farto chá da tarde servido numa das aconchegantes salas do hotel.

Com outro perfil, quase ilhada do universo praieiro de Pipa, a Pousada Toca da Coruja propõe uma vivência junto a uma natureza exuberante, mas ao mesmo tempo próxima do centrinho de Pipa. Os bangalôs se dividem em duas categorias, especial e luxo, e têm perfil bem dedicado a casais. A pousada pertence aos Roteiros de Charme e propõe aos hóspedes uma barraca de praia exclusiva na Praia das Minas, com transporte incluso.

Numa linha mais econômica, o Hotel Pipa’s Bay é um três-estrelas bem honesto e com excelente localização, a poucos passos do mar. O bom café da manhã tem vista para a Praia do Porto. A piscina no rooftop tem um bar exclusivo e é ótima para fins de tarde com maré cheia. Diárias a partir de R$ 312.

Mochileiros e viajantes que precisam apenas de uma boa acomodação encontram no Lagarto na Banana um ótimo hostel com quartos coletivos a partir de R$ 40. Outra opção é o Carioca Hostel, bem no centrinho de Pipa, com diárias desde R$ 80. Se você quer encontrar mais opções de acomodações em Pipa, o portal Pipa.com.br reúne grande parte dos hoteleiros, além de restaurantes e agências de passeios.

A gastronomia sofisticada dá as caras em Pipa, como o camarão ao ar de curry, do Ú Bistrô. Foto Divulgação

Onde comer na Praia da Pipa

Entre o simples e o sofisticado, há de um tudo para o paladar em Pipa. A Avenida Baía dos Golfinhos tem ares de ruazinha principal e à noite concentra grande parte dos principais restaurantes e bares da cidade. Ali você vai encontrar desde tapiocas até hambúrgueres e cozinha italiana, francesa e tailandesa. Há boas sorveterias também, mas o vento onipresente dá uma refrescada natural no calor.

A novidade dessa temporada é o Cicchetti, restaurante e bar. Da cozinha saem pratos mediterrâneos e da coqueteleira, clássicos cosmopolitas. O cardápio oferece bruschettas, aperitivos e embutidos sofisticados bem na rua principal.

Dali, descendo a Rua do Beija-Flor até o Ú Bistrô, no térreo do Hotel Boutique Marlin’s. Um outro salão, com vista espetacular, é o cenário perfeito para degustar as delícias criativas do chef Altemar Cardoso. O camarão ao ar de curry (R$ 89) vem repleto de sabores e texturas, bem como o polvo grelhado (R$ 89) e o badejo assado com legumes (R$ 78). A sobremesa mais pedida, não sem motivo, é o palito de cocada (R$ 29). Uma experiência e tanto.

À beira-mar, como grande testemunha das impressionantes variações de maré típicas de Pipa, o Restaurante Caxangá é pedida certeira para comer uma porção de camarões ou isca de peixe sem vidros na frente. Já a Barraca Flor do Caribe fica com os pés na areia e serve um excelente peixe frito inteiro, com fritas e salada.

Comer caranguejo (ou guaiamum) é a grande pedida da barraca do Tonho, em Sibaúma. Foto Felipe Mortara

Aberto tarde adentro, o Altas Horas é o mais honesto restaurante por quilo da Pipa. Comida fresquinha, super caseira e saborosa por R$ 18 (self-service). Você pode se servir uma única vez e pegar até duas misturas. Ah, os sucos (R$ 5) são majestosos – prove o de cajá e o de mangaba. Por sinal, você certamente vai encontrar caranguejo cozido nos restaurantes à beira-mar, mas um dos mais famosos da região é o da Barraca do Tonho, em Sibaúma, cozido na água de coco (R$ 8).

Outro clássico da Pipa é o Mirante Sunset Bar, no canto direito da praia. Prepare-se para subir vários lances de escada em meio a uma mata fechada. Na primeira parte da propriedade, alguns chalés bem aconchegantes, mas o bar fica mais para cima. É preciso pagar R$ 10 para entrar mas, acredite, a vista vale cada centavo. O pôr do sol é, sem sombra de dúvidas, o mais lindo de Pipa. Peça seu drinque, brinde e desfrute.