Primeiro desafio rumo ao Everest
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Primeiro desafio rumo ao Everest

Felipe Mortara

02 Abril 2014 | 06h17

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O mantra da Expedição Viagem Estadão Everest é: “a jornada começa muito antes do embarque para o Nepal”. Prova imensa disso é que desde a confirmação de que realmente iria até lá, passei a tentar me condicionar fisicamente da forma mais adequada possível. Caminhadas mais longas e subidas de escadas na firma se tornaram uma constante. Dizem que é o melhor preparo para longas caminhadas – sem contar treinos específicos para aumento da capacidade cardiorrespiratória. Às vezes me falta fôlego só de pensar nos trechos em altitude

Porém, foi longe da poluição e do barulho de São Paulo que encarei o maior desafio e treino para os 17 dias de caminhada pelas montanhas do Himalaia. Ao longo de um fim de semana, o grupo da agência Grade 6 Viagens que irá comigo se encontrou em Passa Quatro, no sul de Minas Gerais, não apenas para confraternizar antes da expedição, como para caminhar pela Serra da Mantiqueira. A ideia de se encontrar e conhecer os colegas de viagem antes foi muito acertada, afinal, passaremos pelo menos 17 dias caminhando e dormindo todos em alojamentos coletivos pelo caminho.


Só que mais adequado do que o fator humano, foi o encontro para detalhes técnicos da viagem, principalmente sobre o ritmo de caminhada de cada um. Para isso, a empreitada foi a subida do Pico do Tijuco Preto, a 2.300 metros de altitude. Ficamos confortavelmente instalados no Refúgio Serra Fina (diárias desde R$ 90), que fica dentro da mesma propriedade, porém a 1.500 metros acima do nível do mar. Enfrentar 800 metros verticais de desnível foi um ótimo teste para todos – inclusive os guias que vão nos acompanhar na viagem, Carlos Santalena, José Eduardo Sartor e Lucas Sato. A puxada subida leva de três a quatro horas e, em alguns trechos, requer o auxílio de cordas.

“Vim para me testar, para ver se tinha condições físicas e foi uma grande oportunidade para avaliar se eu poderia acompanhar a viagem”, conta a engenheira de produção Tânia Regina Belmiro, de 47 anos. Ela conta que já esteve em grandes altitudes, mas há muitos anos. “O organismo vai mostrar como reage na altitude, devemos aprender a minimizar seus efeitos no corpo. Mas também é preciso condicionamento psicológico e aqui encontrei uma ótima orientação profissional”, afirma.

Além da caminhada, que durou o dia todo, os guias da Grade 6 também promoveram uma palestra de apresentação do percurso com fotos do que visitaremos dia após dia. Foi ilustrativo para muitos e um plantão para esclarecer dúvidas de outros. “Achei fantástica a explicação do Carlos Santalena, que se focou em mostrar apenas as fotos do lugar e enfatizar que a maior parte de suas palavras ‘não iriam servir para nada’. Que era apenas estando lá para saber”, confessa a psicóloga Claudia Massa, de 52 anos.

Ela conta que para ela o caminho também tem um peso espiritual. “O que eu estou buscando é mais uma peregrinação”, conta Claudia, que deve emendar a viagem ao Himalaia com uma passada no Butão, país vizinho onde o budismo prevalece. Já Carlos Santalena, o brasileiro mais jovem a subir a montanha mais alta do mundo, aos 27 anos, em 2011, tentará subir ao cume do Monte Everest (8.848 metros)  pela segunda vez, agora como guia do engenheiro paulista Cid Ferrari, que deixou o topo do planeta como último desafio do projeto 7 Cumes, em que escaladores sobem as montanhas mais altas de cada continente.