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Retorno a Ushuaia

Adriana Moreira

02 Novembro 2011 | 15h14

Adriana Moreira

Há mais ou menos cinco anos estive em Ushuaia, no extremo sul da Argentina. É dali que saem os cruzeiros que exploram a Patagônia (motivo pelo qual a visitei na época) e a Antártida (motivo pelo qual estou aqui agora). E fiquei impressionada de como ela  se transformou nesse tempo.

Da primeira vez que visitei a cidadezinha o aeroporto era mínimo. Não havia fingers – todos desciam na pista, diretamente para a saída de bagagens. Antes, um clique na clássica placa “Binvenidos a Ushuaia”. Charmoso.

O aeroporto cresceu, está mais organizado e não é preciso colocar, antes de descer do avião, os casacões contra o frio que nunca deixa a cidade – mesmo no verão, os termômetros dificilmente ficam acima dos 10 graus. Agora, você desembarca pelos fingers e desce a escada até a única esteira de bagagens. Sem dúvida ficou mais organizado. Mas também está mais impessoal. Pelo menos a vista das montanhas, recepcionando os visitantes com seus picos gelados, continua a mesma.


No táxi, rumo ao hotel, pergunto ao taxista sobre o crescimento da cidade. Ele me conta que novos hotéis chegaram, e que o número de turistas aumentou. Está satisfeito. Percebo que a orla também está diferente – ele diz que ali é tudo novo, “tem no máximo dois anos”. Agora, há uma calçadinha e bancos para aproveitar os raios de sol enquanto se vê a paisagem. Mas senti falta da placa “Ushuaia, Fin Del Mundo” que havia por ali. O cavalete permanece, e me pergunto se ela não estará em manutenção. Por enquanto, pelo menos, não consegui descobrir.

Timidamente, o comércio começa a sair da Calle San Martín e entra nas transversais. Mas tudo está absurdamente mais caro. Mesmo os souvenirs que deveriam ser baratos, do tipo ‘made in China’,  têm preços altos pela qualidade do material. Camisetas de tecido ruim com pinguinzinhos chegam a custar R$ 50 – lembro que comprei uma simples, mas de algodão, por uma média de R$ 20 (valores já convertidos do peso argentino).

A boa notícia, contudo, é que agora, perto do porto, há uma feirinha de artesanato. Artesanato mesmo, de coisas criativas e com a cara da Patagônia. Não, não é barato. Mas por um preço similar aos dos souvenirs informais e de má qualidade é possível comprar artigos autênticos, como os caderninhos de viagem feitos à mão, com capa que reproduz a primeira edição do Livro das Espécies, de Charles Darwin (preço médio de R$ 35).

Fiquei feliz com o crescimento de Ushuaia. Espero apenas que isso não lhe tire a identidade.